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AVENGERS! ASSEMB- FILE NOT FOUND–Coisas da Vida Digital

07/05/2012 às 15:14

filenotfound

Semana passada um grupo de jornalistas estava reunido para assistir a uma projeção de Vingadores, quando na Hora H, na boca do gol, receberam o aviso de que havia problemas. Um técnico, provavelmente distraído hackeando o computador da Carolina Dieckmann apagou sem-querer o arquivo do filme.

Duas intermináveis horas depois um novo download terminou e a projeção teve início, mas mesmo assim o desespero deve ser grande. Esses arquivos são protegidos com todo tipo de DRM, um lançamento quente como Vingadores, provavelmente tiveram que descongelar Walt Disney pra perguntar a senha do FTP.

viuvaporemhonesta Antigamente isso seria impossível. O filme viria em várias latas enormes, pesaria dezenas de Kg no total e azar de quem não assistisse na primeira semana.

Como quase tudo na vida, a mídia digital tem mais de um lado. Ela é, a uma primeira vista bem mais frágil que a mídia tradicional, mas depende do conceito de fragilidade.

O Digital tem a facilidade de ser infinitamente replicável. Um filme ou imagem podem ser duplicados bilhões de vezes, mantendo 100% de semelhança com o “original”. Sim, é fácil perder um HD? Com certeza, mas é fácil também fazer backup (faça o que eu falo…). O analógico não tem essa facilidade. Quanta gente aqui já fez cópia de negativos? Isso significa que todas as suas preciosas fotos de infância se resumem a uma única matriz. Se o negativo se perder, você fica com uma cópia em papel (se existir) e reproduzi-la gerará o equivalente a um JPEG de um JPEG.

Na Idade das Trevas cinema depois de uma ou duas semanas da estréia eram impensável. As cópias ficavam mais e mais velhas, sujas, com riscos, traços e estalos horrorosos no som. O filme físico é um lixo. Um lixo caro. Uma cópia de um filme de 80min custa entre US$1500 e US$2500. Descontando backups, cópias para a imprensa, arquivos e similares, Vingadores foi lançado nos EUA em 4349 salas. Isso dá US10 milhões só em cópias.

A projeção digital elimina os custos de cópia, transporte e a logística de controlar essas cópias e evitar o extravio. Da mesma forma você pode mandar as fotos de seu pimpolho para os avós, sem precisar ir até a farmácia, mandar copiar, esperar dias, ir pra correio, etc.

Ainda vivemos uma época onde o meio físico é intrinsecamente associado ao conteúdo. Livro para nós é um objeto primeiro, uma história depois. Eu mesmo, enquanto autor tenho preconceito com ebooks, por mais idiota que seja essa postura.

TER um BluRay ou um DVD passa muito mais senso de posse do que um arquivo na nuvem do iTunes ou em uma pasta no HD, mesmo que o conteúdo seja essencialmente o mesmo. Coloque em um pendrive, e o filme se torna “real” de novo.

O Digital, como toda tecnologia mais avançada proporciona desastres bem mais espetaculares, mas benefícios inquestionáveis em relação ao que tínhamos anteriormente. Vivemos um momento de transição, onde focamos nos erros sem pensar no antigo cenário. Uma cópia com defeito significaria todo mundo pra casa e uma semana até nova projeção.

É legal reclamar de barriga cheia, mas não deixo de ver o ridículo que é carregar 4 mil músicas no iPhone e minha reclamação ser que não estão organizadas, quando alguns anos atrás levava 10CDs no carro e sempre queria o 11o, que ficou em casa.

Adoramos reclamar que o futuro não chega nunca, mas isso é por culpa de nossa própria insatisfação. Se parar pra olhar verá que não só o futuro chegou, como vivemos nele, estamos cercados de pequenas maravilhas. Que o diga você, lendo este texto em um celular mais poderoso do que os computadores do ônibus espacial, capaz de acessar boa parte do conhecimento acumulado da Humanidade e Pr0n sem precisar negociar com o jornaleiro.

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