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Girls Around Me–Ferramenta de Stalker ou sinal de algo muito pior?

02/04/2012 às 17:16

quagmire

O Grande Barraco da Semana na AppStore foi um programinha, baixado por mais de 70 mil pessoas, com um dos objetivos mais nobres entre todas as peças de software já escritas: Mostrar a fauna mulherística em torno do iPhone em questão.

A idéia é excelente pra quem tá na pista e não tem tempo a perder. E mais, o Girls Around Me mostrava o avatar e uma ficha completa das beldades. Como isso é possível?

Simples, eles usavam o Foursquare e Facebook, buscando dados públicos das moçoilas em questão, compilando-os de forma compacta e mostrando de forma prática e geolocalizada.

Claro, deu caca. Todo mundo começou a xingar “invasão de privacidade”, “tarado”, “stalker”, etc, etc, etc. A App foi banida do FourSquare e removida da AppStore pelos desenvolvedores.

girls-around-me Eu admito que a aplicação mostrada assim é bem sinistra. Aliás, mostrada de qualquer forma, mas ela levanta uma questão muito mais importante: Como dito, ela não usa nenhuma informação sigilosa, apenas faz um pouquinho de datamining e cruzamento de informações.

Até que ponto alguém pode ser responsabilizado por usar informação pública? Se a pessoa voluntariamente posta quem é, onde está, como se parece, idade, estado civil, qual a diferença se isso está em um site ou em cinco?

Alguém que faça esse cruzamento manualmente pode ser acusado de stalker também? Se eu hipoteticamente for sair com uma desavisada, e antes gastar algumas horas fuçando a vida da criatura online, isso é considerado stalking?

Tudo que fazemos online deixa rastro. Gente dando ataque por causa de “violação de privacidade” no Orkut está fazendo um papel ridículo, mas será que deixa de ser algo ridículo quando o cruzamento de informação ultrapassa o limite do que pode ser feito manualmente?

Antigamente era inviável manter contato com mais do que algumas dezenas de pessoas. Hoje é possível gerenciar centenas de “amizades” online. Isso é tão artificial quanto a agregação de informações feita pelo Girls Around Me.

As novas gerações terão um conceito de privacidade totalmente diferente do atual. Na verdade isso já está mudando, expomos fotos no Flickr que antigamente só os amigos próximos veriam. A grande dificuldade agora é inovar, experimentar esse limite, sem tornar a experiência desagradável.

Por mais que já tenha acontecido, o usuário nunca pode ter a percepção que perdeu controle sobre sua existência online, sobre seus dados. O fato do serviço não ser voluntário, por mais que agregue informações já voluntariadas pelo usuário, torna o Girls Around Me algo errado.

Ou seja: Na Redes Sociais, assim como na Vida vale a máxima do Apóstolo Paulo: “Tudo posso mas nem tudo me convém”.

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