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Levine, Barnet, a visão do autor e o final do Mass Effect 3

21/03/2012 às 13:42

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A polêmica sobre o desfecho dado à trilogia Mass Effect ainda parece longe de terminar e após a própria BioWare ter dado a sua explicação para o que acontece no final do ME3, Ken Levine, criador da franquia BioShock, saiu em defesa da equipe responsável pelo jogo.

Acho que estamos num momento importante,” disse Levine numa palestra no Smithsonian American Art Museum. “Penso que se essas pessoas conseguirem o que querem e a BioWare escrever o seu final, será muito frustrante porque eles não o criaram de verdade. Essa coisa toda tem me deixado um pouco triste porque não penso que ninguém conseguirá o que queria caso isso aconteça.

Outro que também falou sobre o assunto foi Paul Barnett, diretor criativo da Mythic Entertainment, usando outras formas de arte para deixar claro que a intromissão nas decisões do autor é algo lamentável.

Se os jogos são arte, então apoio totalmente que o autor tenha algo a dizer sobre aquilo que ele acredita que deva acontecer, assim como a J.K. Rowling pode encerrar seus livros e dizer que este foi o fim do Harry Potter. Não acho que ela tenha que ser foçada a fazer outro.

Porém, tudo isso não serviu de nada, já que a BioWare preferiu dar ouvidos a aqueles que reclamaram e Ray Muzyka anunciou que eles estão trambalhando em “vários conteúdos que irão responder as perguntas, oferecer mais clareza a quem estiver procurando o desfecho de suas jornadas,” com maiores informações sendo reveladas no próximo mês.

Quer dizer, os consumidores mimados venceram, conseguiram fazer com que um jogo fosse transformado em um serviço e não seria muito surpreendente se começassem a surgir protestos contra um game onde o cowboy morre no final, aquele onde o par romântico do moleque com cabelo espetado é atravessado por uma enorme espada ou ainda um em que o protagonista acaba se revelando um temido vampiro.

Como disse Levine, estamos mesmo passando por um momento muito importante, um momento onde uma gigante se rende aos pedidos tolos de seus consumidores, ignorando a visão do autor e acreditando que aquilo que ela colocou no mercado não é uma obra de arte, mas um serviço que deve ser alterado de acordo com o gosto do freguês, que acredite, daqui há alguns meses voltará a reclamar que o novo final não ficou da maneira que ele queria.

Eu até concordo que as pessoas não tenham gostado do final do jogo e talvez eu mesmo o critique quando chegar lá, mas repito, não acho que isso seja motivo para que qualquer um “exija” que o mesmo seja alterado e continuo com a sensação de que alguns jogadores acham que pagar US$ 60 lhes dá o direito sobre a maneira como obra deve ser, o que é lamentável. Mas quer saber o que é mais lamentável? Ver uma empresa que sempre admirei ignorar a liberdade artística em prol de alguns dólares a mais nos cofres.

Hoje é um daqueles dias em que me envergonho de ser um gamer, por causa dos jogadores que não levam a indústria a sério e principalmente, por causa das empresas que não levam seu próprio negócio a sério, mas tudo bem, vocês venceram…

[via Eurogamer]

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