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Política antipirataria da Microsoft pode levar usuários ao Linux. Mas o Linux quer isso?

16/12/2006 às 0:25

Neste artigo o HTML Staff discute sobre o WGA e outras iniciativas da Microsoft, que visam dificultar a vida de quem usa software pirata. A idéia é que com o aumento da dificuldade em manter um Windows ilegal funcionando, atualizado e com as novidades recém-lançadas, os usuários irão migrar para o Linux, que oferece os mesmos recursos que 90% dos usuários querem (exceto jogos e softwares especializados) e não tem restrições quanto a cópias.

Perfeito, mas é esse o tipo de usuário que o Linux quer?

Muitas empresas usam (e bem) Linux tanto nos servidores quanto em desktops, mas o mercado doméstico ainda é problemático. Todo mundo, TODO MUNDO está no mercado para ganhar dinheiro. O pessoal do Debian, da Red Hat, o Mark Shuttleworth, do Ubuntu, até Miguel, faxineiro do escritório do Firefox. O discurso "comunista" acaba no dia em que o sujeito pára de receber mesada, mas esses são justamente os usuários que uma ação da Microsoft empurrará para o Linux.

O grosso do usuário de pirataria é o "esperto", o sujeito que do alto de sua MegaGame Machine de R$6000 capaz de humilhar a do Moardib, reclama que o Windows pirata não está atualizando e que o CD do jogo que ele comprou no camelô não funciona. Quando questionado, solta a clássica "como podem cobrar R$100 por um jogo com o salário mínimo do jeito que está?"

Esse usuário não consome. Ele está à margem do processo produtivo, ele irá parasitar o Linux como parasita o Windows, só que este pode arcar com vários milhões de usuários alienados ao processo, o Linux não pode.

Vejam as iniciativas de jogos comerciais. Seriam perfeitamente viáveis no Linux, se houvesse massa crítica, mas a cultura do "de graça" impera, principalmente no Brasil. De que adianta ter um usuário que não consome, não compra, não gira a economia?

Um bom exemplo é o Mac. Existe uma enorme comunidade de empresas produzindo hardware e software para Mac, mesmo com números de mercado pífios (comparados ao Windows). Chegam ao luxo de concorrer entre si, há vários editores de texto, vários clientes de email, etc.

O perfil do usuário Linux hoje já não é bom, como consumidor. Se essa leva de piratas/boa-vida/espertos vier, será muito pior. Mil vezes um sistema para hackers (no sentido original do termo) do que um oba-oba de gente que nada agrega.

Um velho ditado dizia que não é que o Linux não seja amigável, ele seleciona suas amizades. Esperemos que continue assim, e que o Linux aprenda com o MacOS e o Windows: Dominação de mercado não é sinônimo de qualidade.

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