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Fontes 101

13/12/2006 às 11:55

fonte.jpg Depois de ler os artigos do Moardib, digo, Bicalho, sobre seu novo micro, me lembrei do tempo em que gerenciava a parte de informática de uma média empresa. Montávamos nossos próprios micros, por não conseguir um fornecedor confiável a um preço justo ( claro, isso já faz tempo ). Nossa principal reclamação era sobre as fontes.

Um dos componentes mais importantes de qualquer sistema, as fontes de alimentação de PCs "desktop" costumam ser deixadas de lado por lojistas e montadores. O pensamento mais comum é de que quanto maior a potência, melhor... e isso, geralmente, leva a um de dois enganos: ou a fonte está sub-utilizada e o sujeito jogou dinheiro fora, ou é de péssima qualidade e mal consegue fornecer a metade da potência anunciada, colocando em risco o equipamento.

Para se especificar uma fonte, no mínimo deve-se levar em conta o consumo total do equipamento ( atual e com possíveis atualizações ), a sua temperatura de operação, a variação da rede elétrica local ( em frequência e tensão ), a sua vida útil e o nível de ruído aceitável. Parece simples, não? E é mesmo... só que um pouco trabalhoso.

Infelizmente, não constuma ser trivial achar o consumo total do equipamento. Nem todos os componentes são de boa procedência, vindo com suas características técnicas e dificilmente o usuário médio tem acesso a um "wattímetro". Para se ter uma noção, há vários "calculadores" disponíveis na net, como este.

Sabendo quanto seu micro vai consumir, adicione uma margem de erro, somada a uma possível atualização. Algo em torno de 15% e você terá um número para começar a trabalhar.

Uma parte quase sempre esquecida é a temperatura de operação. Equipamentos eletrônicos funcionam melhor quanto mais frio estiverem. Portanto, a potência fornecida pela fonte cai com a elevação da temperatura. Esse é um dado que raramente um fabricante de baixa qualidade fornece. Vejam um exemplo:

fonte_temperatura.jpg

Lembrando: a temperatura de operação da fonte é sempre maior que a temperatura ambiente. Em fontes de boa qualidade, 15° a mais. Em outras, pode chegar a 20°. Esse deve ser um fator mandatório na especificação, principalmente se seu micro não ficar em uma sala com temperatura controlada. Fabricantes inescrupulosos, indicam a potência fornecida pela fonte aos 25°C... coisa rara, no verão brasileiro...

A variação da rede elétrica também deve ser considerada. Em algumas regiões do País, as flutuações chegam a 20% da tensão, em horários de pico. Se o micro for ligado a um no-break, será preciso verificar qual a flutuação da frequência de saída, também. Obviamente, a fonte deve suportar todas essas variações.

Hoje em dia, as fontes de PCs são do tipo PWM. Esse tipo de fonte, quando bem projetado e construído, aceita uma ampla variação de frequência e tensão de entrada. Infelizmente, fabricantes menos rigorosos economizam nos componentes, limitando a capacidade da fonte de reagir a essas variações. Uma dica: as melhores fontes não precisam de chave seletora 110-220V ( que deveria ser, na realidade, 127-220V ).

Outro ponto importante é a vida útil estimada do equipamento. Afinal, com o passar do tempo, os componentes se desgastam e a fonte começa a gerar mais calor, render menos e gerar mais ruído. Para um micro que será trocado em dois anos, talvez não seja necessário comprar uma fonte de qualidade tão superior... mas se você pretende viver algum tempo ao lado desse PC, o dado a procurar no manual da fonte é o MTBF ( Tempo Médio Entre Falhas, da sigla em inglês. Quanto maior, melhor ).

O último ponto que citei, o nível de ruído, parece básico mas em 99% dos casos, passa despercebido até a hora de se ligar na tomada. Esse valor é dado em decibéis ( dB ) e quanto menor, melhor. Fontes que tiverem controle automático da velocidade da ventoinha se saem melhor nesse quesito.

É claro que o assunto não se esgota por aqui, mas esse pequeno apanhado é suficiente para que o usuário comum, o entusiasta que vai montar seu próprio micro, possa sair às compras nessa selva de vendedores inexperientes e ofertas duvidosas.

Uma outra dica, que simplifica todo esse processo: fontes que vêm em caixas de papelão e que possuem manual, já se destacam da média. Procure entre essas a que mais se encaixa no seu orçamento e nas suas necessidades ( levando em conta os fatores acima ). E não se engane: boas fontes custam caro, mas não duvide: valem cada centavo.

Para concluir: fontes muito baratas nunca entregam a potência que prometem. Pense nisso ao gastar R$25,00 por uma fonte de 400W, achando que é um ótimo negócio...


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