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Kodak - cronicas de uma morte anunciada

06/01/2012 às 11:51

Eu vejo alguns blogs e sites horrorizados ao anunciarem o atual estado financeiro da Kodak. Mas, a atual situação da empresa é o resultado de prejuízos que se acumulam desde o inicio da popularização da fotografia digital. Eu sempre vejo a ironia neste caso. A Kodak foi a responsável pela invenção e desenvolvimento de muito do que temos disponível na tecnologia digital, mas simplesmente não apostou nesta ideia. A postura da empresa foi acreditar que o filme fotográfico nunca iria morrer. Isso porque as primeiras câmeras digitais eram muito ruins mesmo e a qualidade do filme era superior. Mas, a tecnologia foi evoluindo e quando a coisa se mostrou irreversível já era tarde, pois o mercado já estava segmentado e muito competitivo. Sem tirar o fato de que as câmeras da Kodak nunca foram um primor de qualidade de imagem.

A última pedra desta montanha foi colocada esta semana. Fontes próximas a Kodak afirmam que a empresa vai entrar com um pedido de proteção judicial. Na prática eles querem uma proteção contra os credores enquanto tentam levantar dinheiro para pagar suas dividas. Duas ações estão sendo planejadas para serem executadas durante o período de proteção judicial. A primeira é o leilão de um lote de patentes com valor estimado de 1 bilhão de dólares. A segunda é a tentativa de levantamento de um empréstimo no mesmo valor. Fora isso, a empresa também está vendendo alguns de seus setores. A divisão de produção de gelatinas (utilizado na fabricação de filmes fotográficos) foi comprada pela Rousselot (ninguém sabe o valor) e a Kodak Gallery, uma ideia realmente bacana, também está sendo preparada para venda.

O anúncio do pedido da proteção judicial foi devastador para o preço das ações da empresa na bolsa de Nova Iorque. O papel da companhia caiu para US$ 0,50, coisa que fez os alarmes tocarem no local. Pelas normas da bolsa o preço unitário de uma ação deve ficar no mínimo em US$ 1,00. A Kodak tem seis meses para recuperar o valor perdido ou será retirada do pregão. Este seria o golpe mortal no gigante agonizante. Fico muito triste com esta situação. George Eastman foi o responsável pela primeira grande revolução da fotografia quando fundou a Kodak há 131 anos. Foi ele quem popularizou a fotografia ao criar a possibilidade dela ser feita nos lares, na rua ou em qualquer lugar por pessoas comuns, pois até então você precisava contratar um fotógrafo ou aprender a lidar com químicos e toneladas de equipamentos. Aposto que ele nunca imaginou que sua empresa fosse acabar por não ter tido visão inovadora.

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