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A Apple TV vai Destruir a Globo? Meh. Não afeta nem a CNT.

02/01/2012 às 9:03

steve-jobs-apple-tv

Os especialistas estão prevendo que com a entrada da Apple no mercado de televisores tudo irá mudar, será o fim dos canais tradicionais, blá blá blá. A Apple TV não conseguiu fazer isso, a Google TV não conseguiu fazer isso, a Netflix não conseguiu fazer isso.

Produzir conteúdo é fácil, há muito mais pilotos rejeitados do que séries no ar, seria trivial recuperar séries com audiências cativas, como Star Trek: Enterprise e Firefly, produzindo novos episódios, mas isso seria nicho. A grande massa quer o que já está no ar, e isso depende de uma enorme e complexa teia de licenciamento.

Muitas vezes uma série passa em um país licenciada por uma distribuidora mas a música-tema dela está sob controle de outra distribuidora. Há casos em que a concorrente determina que a série pode ser distribuída em um país mas não em outro.

Para negociar esse tipo de contrato você precisa ter poder de barganha. Uma rede de TV de alcance nacional fala muito mais alto do que uma fabricante de tablets de luxo que disputa um mercado onde em 2011 foram vendidas pífias 200 mil unidades.

É uma situação de cachorro correndo atrás do próprio rabo. Nem a Apple (nem ninguém) consegue emplacar uma estrutura REAL de compra e aluguel de séries online por não ter um número expressivo de espectadores, e por não ter um conteúdo atraente esse número de espectadores não cresce.

Por incrível que pareça não é uma questão local. Vejamos os gráficos:

Países onde é possível comprar Apps de iPhone:

AppleTV1

Países onde é possível comprar músicas no iTunes:

AppleTV2

Países onde é possível comprar séries no iTunes:

AppleTV3

fonte: Asymco

Mesmo nos EUA a briga é feia, o HULU bloqueou seu acesso para a Google TV, emissoras brigaram com a Apple tirando suas séries do iTunes e o Presidente da HBO disse com todas as letras pra Netflix: “Vocês NUNCA terão nossas séries”, o que é péssimo pra quem gosta de True Blood, Band of Brothers ou Game of Thrones.

Aqui no Brasil vemos muito acervo pela metade. Mesmo iniciativas como a Terra TV, que disponibiliza uma boa quantidade de material fica (muito) a dever. American Dad por exemplo já está na 7a temporada. No site do Terra, só estão disponíveis 8 episódios da 3a temporada. Na versão paga, a Video Store Big Bang Theory só tem disponível a 3a e a 4a temporada.

Quem acompanha séries não tolera esse tipo de acervo pela metade. Não é possível criar o hábito de consumo não-linear de conteúdo se a oferta não é superior ao que está disponível nos meios tradicionais.

Só que uma distribuidora não vai arrumar encrenca com uma Globo da Vida vendendo uma série para ela E para uma Apple por um preço bem mais barato. A Globo vai pedir exclusividade, e manda quem pode obedece quem tem juízo.

Qual a solução para isso? Tempo. Antigamente gravadoras nem queriam saber de música digital. Mais atrás a TV era vista como algo que mataria o cinema, que aliás também seria morto pelo Videocassete. Ele mataria até as emissoras de TV, pois “ninguém mais assistiria comerciais”. A briga chegou até a Suprema Corte dos EUA, que em 1981 decidiu em favor dos fabricantes de videocassetes, no caso Sony vs Universal City.

A parte ruim é que estamos vivendo spoilers, sabemos como a briga terminará mas continuamos prejudicados por gente que se recusa a aceitar o progresso. Felizmente para cada gênio achando que está fazendo vantagem proibindo a veiculação local de uma série, há um desocupado subindo um torrent fresquinho.

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