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Aquilo perto de Mercúrio? não é uma Lua, é uma Estação Espacial!

07/12/2011 às 11:46

Existe um conceito filosófico chamado Navalha Cega de Occam. Ele define que para qualquer problema a explicação correta deveria ser a mais estapafúrdia, absurda, complicada e desnecessariamente complexa. É a base das teorias da conspiração.

Um exemplo: Uma das hipóteses absurdas do ataque de 11 de Setembro diz que os aviões estavam vazios e voando por controle remoto. É uma ótima teoria (no contexto da insanidade) pois é desnecessária (há árabes malucos de sobra no mundo) não explica os suspeitos terem sido vistos embarcando nos aviões, não explica anos de lições de pilotagem por parte deles e também não explica onde foram parar as cenas de passageiros que também embarcaram nos vôos.

A ufulogia é um campo adubado e fértil para esse tipo de explicação, por isso os ufeiros estão babando com o vídeo acima. Foi filmado no dia 2/12/2011 pelo telescópio H1 do conjunto SECCHI, parte do instrumental dos satélites STEREO da NASA.

Especializados em pesquisa solar, os satélites orbitam o Sol (e não a Terra) a uma distância considerável, conseguindo uma visualização 3D inédita da estrela.

Entre essas observações está o monitoramento de explosões solares, como a do vídeo acima. Ejetado a 1,6 milhão de Km/h esse plasma incandescente gera efeitos lindos quando visto de uma distância segura, mas ainda é muito pouco entendido.

Claro, como o pessoal adora achar rostos em Marte (e Elvis, mas quanto a isso não posso contestar) e padrões onde eles não existem, qualquer anomalia é motivo de suspeita. No caso do vídeo pelo menos a anomalia é interessante.

Um jato de plasma solar aparentemente se choca contra algo invisível na proximidade de Mercúrio. O plasma se ilumina, como se tivesse atingido algum tipo de campo de força ou escudo. Ao menos é o que os ohos treinados de um geek enxergam.

enterprise

Já os malucos como o pessoal deste site enxergam o mesmo, mas a sério. Como bons usuários da Navalha Cega de Occam, afirmam que a anomalia SÓ PODE SER uma nave com camuflagem ativa.

Eles chegam a citar a Enterprise nominalmente quando exibem a “prova”, uma versão ampliada da anomalia, mostrando que ela tem dois componentes alongados, como as naceles de dobra da clássica nave estelar:

enterprise2

O vídeo em si é real, a versão acima foi criada por mim, não quis poluir o MeioBit com o vídeo do ufeiro falando abobrinhas. As imagens foram obtidas através do site oficial do SECCHI, basta você procurar pelo telescópio H1, colocar na data 1/12/2011 e selecionar 2 dias na duração.

O mais estranho E interessante na anomalia é que os dois satélites a capturaram, e seu posicionamento elimina a possibilidade de interferência por raios cósmicos:

STEREO

(imagem obtida através do simulador orbital da NASA)

Da mesma forma que os neutrinos supraluminosos, o fato de muito provavelmente haver uma explicação simples e óbvia nos deixa mais “livres” para especular de forma descompromissada.

abstract

Seria interessante, no mínimo imaginar que alguma nave alienígena esteja orbitando Mercúrio enquanto utiliza a energia do Sol para “recarregar as baterias”. É uma técnica que já foi usada por exemplo pena Destiny, em Stargate Universe.

DestinySpaceStar

Pode ser também que algum grupo de viajantes do tempo tenha sido flagrado pelo SECCHI prestes a executar uma manobra de ricochete, raspando a superfície do Sol e sendo arremessados de volta ao Século XX, só para inventar alumínio transparente e tomar LDS.

Há dois grandes problemas para o pessoal que diz que a anomalia SÓ PODE SER uma nave camuflada. O primeiro é o tamanho. A anomalia é praticamente do tamanho de Mercúrio. A segunda Estrela da Morte tinha 160Km de diâmetro, V’Ger só 94Km de comprimento. Mesmo Rama, praticamente um mundo se estendia por 50Km.

Mercúrio tem 4878Km de diâmetro. Uma nave com quase 5 mil Km de comprimento é grande mesmo para os padrões da ficção científica.

mer22

O segundo e grande problema é que a anomalia estava totalmente invisível antes de ser atingida pelo plasma. Segundo os ufeiros ela estaria camuflada. Pois bem; usando a mesma lógica (!?) eu digo que é impossível, pois tão perto do Sol a quantidade de calor radiante absorvido pelo casco da nave seria inimaginável. Ela precisaria estar com seus escudos ligados ao máximo.

E TODOS SABEMOS QUE ESCUDOS NÃO FUNCIONAM QUANDO VOCÊ ESTÁ CAMUFLADO.

Arrumem outra explicação, ufeiros. Ou esperem os cientistas aparecerem com uma explicação melhor.

Uma explicação melhor:

Segundo pesquisadores do laboratório que analisa as imagens do STEREO/SECCHI, a anomalia é Mercúrio.

As nuvens de plasma são bem menos brilhantes do que aparentam, para isso precisam usar as câmeras em alta sensibilidade. Como elas seriam cegadas pela iluminação das estrelas e de Mercúrio, um algoritmo é usado para remover esses pixels mais brilhantes, sem afetar o plasma. Isso é feito comparando a imagem com uma feita no dia anterior. Se um pixel estava nos dois lugares nos dois dias, é removido.

O problema é que Mercúrio se move muito mais rápido que as estrelas, não está no mesmo ponto. O algoritmo simples se confunde, remove pixels de menos e faz com que parte do planeta “apareça” onde estava no dia anterior, gerando a anomalia.

Claro, é uma explicação simples e objetiva, e tem tudo para não ser sequer percebida pelos ufeiros.

É uma pena, pois desperdiçam o raro e precioso componente da imaginação. Sonhar que há uma nave alienígena orbitando Mercúrio é legal, mas mais legal ainda é imaginar E construir sondas que visitem de verdade Mercúrio, como a Messenger.

Não há problemas em sonhar com vida em outros planetas, não há problemas em imaginar que haja vida inteligente, e mesmo que haja uma federação cósmica de planetas com milhares de mundos. O problema é transformar essa crença em conformismo e indolência, achando que não precisamos ir até eles já que eles viriam até nós.

Fonte LiveScience

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