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Mais um prego no caixão da Palm

13/11/2006 às 6:37

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A Symbol Technologies abriu mão de sua licença para desenvolver hardware com o sistema operacional PalmOS. No dia seguinte a Palm anunciou que está encerrando seu programa de fidelização, onde o comprador acumula pontos por produtos comprados no site da empresa, que poderiam ser trocados por outros produtos, como softwares e periféricos.

Para os que acompanham a empresa, não é uma surpresa. De um empreendimento inovador a Palm passou a ser alvo de piada, depois pura hostilidade, ao não reconhecer erros problemas crônicos como a MDS - Mad Digitizer Syndrome, que afetava a calibração das telas.

Partindo de uma posição de total domínio do mercado, os PDAs da linha Palm estavam anos à frente dos equipamentos rodando Windows CE, e por isso se acomodou. Por anos inovações só vinham de outros fabricantes, como a Sony, com seus lindos Cliés. A chegada do Windows Mobile 2002, e depois do excelente 2003 veio junto com a informação de que a Palm NÃO iria lançar o Cobalto, codinome do Vaporware PalmOS6.0. O PalmOS5, atrasado, chegou com bastante novidade, mas para o usuário final, continuavam as mesmas limitações, como o número de categorias nas aplicações e a dificuldade de executar aplicações em regime de multitarefa, algo essencial em tempos de Internet e conectividade.

O "conector universal" também foi outra grande piada de mau gosto. Depois de trocar os conectores do equipamento a cada novo lançamento, a Palm prometeu que todos usuariam o novo "conector universal". Cumpriram a promessa. Durante três ou quatro modelos.

A ausência de uma plataforma básica entre os modelos, e suporte pela metade mesmo para o hardware existente também afastou os desenvolvedores. O cartão SD WIFI da Palm não funciona em todos os Palms com WIFI. O Slot, embora seja um SDIO, específico para memória E periféricos, não segue o padrão, o que torna qualquer periférico que não seja feito especialmente para ele, inoperante.

A própria estrutura do PalmOS impede o desenvolvimento de aplicações como o Skype, que roda bem em máquinas Windows Mobile com metade do processador dos Palms topo de linha, e ainda está sendo portado para Symbian S60.

No mercado de Smartphones a Palm conseguiu um grande sucesso no Treo600, depois um excelente produto no Treo650, mas em verdade eles não atentem ao heavy user de Smartphones, e sim ao heavy user de telefones. Quanto aos usuários fiéis, a facada nas costas veio com o Treo700w, rodando Windows Mobile, que teve uma péssima recepção no mercado, e ao menos desta vez a culpa caiu em cima da Palm, visto que os PDAs e Smartphones rodando Windows Mobile são reconhecidos como excelentes produtos, video os Loox da Fujitsu ou os E|Ten e Qtek.

Com a aquisição da PalmSource, "dona" do PalmOS pela Access, os fãs remanescentes acreditaram que o PalmOS poderia ser salvo, mas logo veio o machado: O PalmOS seria descontinuado, nenhum investimento seria feito para finalizar as versões em desenvolvimento.

Faz sentido, a Access é uma Linux House, não há lógica em desenvolvedor dois sistemas operacionais concorrentes, na mesma empresa, e o Linux tem muito mais condição de atender a demanda atual por sistemas robustos, veráteis e que não se confundam com miríades de opções de multimídia, comunicação e gerenciamento de memória.

Como o hardware da Palm não é mais topo de linha, dificilmente a Access irá se preocupar com ele. Mais provavelmente irá se associar aos fabricantes que já estão lançando Smartphones rodando Linux (e sendo muito elogiados) e usará seu know-how para oferecer compatibilidade, via camada de emulação, para os aplicativos legados do PalmOS.

Triste fim para uma empresa que já foi unanimidade, e cujo nome chegou a ser sinônimo de PDA.

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