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PDAs, Celulares, GPSs e dependência tecnológica

31/10/2006 às 16:03

Não deixe os luditas te enganarem. As pessoas sempre tiveram caderninhos de telefone. Se uma pessoa sabia todos os telefones de amigos e conhecidos de memória, ela não conhecia lá muita gente.

O que acontece hoje, entretanto, é que estamos esquecendo até o mínimo. A agenda do celular é desculpa para não lembrarmos de nada. Corre o risco de ter "polícia: 190" na agenda de muita gente. Eu mesmo não lembro do telefone de ninguém. Desde meu primeiro celular parei de me preocupar em lembrar.

Compromissos também passaram a depender do Outlook, agendas de profissionais liberais vivem no computador ou no PDA. Isso é uma evolução, comparado ao caderno sebento das recepcionistas de dentistas. Só que a comodidade logo dá lugar ao exagero. Conheço gente que não sabe o que vai fazer no dia seguinte sem consultar a agenda. A memória de curto prazo não é mais usada.

A febre do momento são os navegadores embarcados, maravilhosos se comparados aos antigos GPSs de 1a geração, esses brinquedos ajudam você a chegar em qualquer lugar, com indicações precisas, mapas de fácil leitura e em alguns casos atualizações em tempo real, desviando de acidentes e engarrafamentos.

Só que a maioria absoluta de quem compra um equipamento desses não desvia de sua rota habitual. Raramente viaja, e quando o faz vai para lugares conhecidos e sinalizados. Qual a vantagem de um equipamento que mostra como navegar na sua própria cidade?

Refazendo a pergunta: Quantas vezes o Guia Rex saiu do porta-luvas no último ano?

Gadgets são muito legais, mas eles devem acrescentar. No momento em que atividades simples são sumariamente substituídas, nos tornamos dependentes. Isso pode ser ruim como a criança que aprende a usar calculadoras antes de aprender a fazer contas, ou trágico, como o comandante da Varig que confiou no piloto automático ao invés de se lembrar das aulas de escotismo, onde aprendemos que o Sol de põe no Oeste, então seria impossível um avião indo para o NORTE no final do dia voar em direção ao por-do-sol.

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