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BingFox: A parceria que fez muito fanboy chorar

27/10/2011 às 12:03

firefoxbing

Acredite, ainda hoje há gente que assume uma postura “o bem vence o mal, espanta o temporal” e acha que projetos como Linux, Apache, MySQL, Firefox e Android são tocados por dois caras numa garagem, apenas pelo mérito.

A Fundação Mozilla por exemplo movimenta dezenas de milhões de dólares por ano. Controla com mão de ferro seu produto e fatura horrores, essencialmente com publicidade. A propaganda é tão importante para o Firefox (na verdade para todos os navegadores) que apesar de toda hora aparecer nas listagens de requisitos desejados, nenhum browser top incorporou filtros de anúncio como o AdBlock. No máximo bloqueadores de popup, e mesmo esses andam pouco eficientes.

Talvez o grande erro estratégico do Firefox nessa história toda tenha sido se aliar ao Google, pois colocaram todos os ovos em uma cesta só, e o dono da cesta estava secretamente criando uma galinha melhor.

Em 2006 o acordo com o Google representava 85% da receita do Firefox, algo em torno de US$57 milhões. Ampliado até 2011 o contrato prevê utilização do Google como buscador primário do Firefox, mas qual o sentido de renovarem essa parceria, quando o Chrome está 3% abaixo do Firefox e crescendo?

O pessoal da Mozilla, que gosta mais de pagar as contas do que arrotar ideologia viu que o bicho estava pegando e resolveu ouvir as propostas de outros grupos. No caso, a Microsoft. Isso resultou em um projeto-piloto, o http://www.firefoxwithbing.com/.

Qual o sentido disso?

Um segredo: O Firefox não compete com o Bing, nem com o Windows, ele compete com o Internet Explorer e com o Chrome. O IE já está presente em todas as máquinas Windows. A atitude da Microsoft à primeira vista parece ilógica, mas ela sabe que o dinheiro está na busca, não no navegador. O Firefox NÃO é concorrente dela nem em busca nem em publicidade, então se puderem abocanhar 26,79% do Firefox MAIS os 41,66% do IE, terão 68.45% dos olhos da Web potencialmente apontados pro Bing.

E o quê muda?

Arautos do Apocalipse à parte, significa que ao baixar essa versão oficial do Firefox a sua homepage e buscador padrão apontarão para o Bing e a toolbar binguenta será instalada.

Isso. Acabou. Nada mais. A nãotícia do ano, mas suficiente para gerar um butthurt de proporções épicas, tem gente xingando “Microsoft, saia do meu Firefox”, outros aconselhando migrar para o Chrome (eu também aconselho mas não pelos mesmos motivos) e até as clássicas declarações de que o Firefox traiu o movimento.

Isso é inadmissível!

Primeiro, o BingFox é UMA opção. Você pode baixar todas as outras versões igualmente oficiais e igualmente Bing-Free. OK, não exatamente Bing-free pois tem um bom tempo que ele já está disponível entre as opções de buscadores.

Caso tenha baixado errado, você pode simplesmente parar de chorar por mamãe, virar homem e gastar 0,03s de sua vida indo nas configurações e modificando o buscador de volta para o Google, da mesma forma que levei 0,03s para reconfigurar o scroll no MacOS Lion, motivo de intermináveis mimimis online.

De resto, quem gosta do Firefox tem duas opções: Abra a carteira e PAGUE pelo programa, ou pare de mimimi e deixe os caras ganharem dinheiro para continuar o desenvolvimento. O pior que poderia acontecer ao Firefox seria confiar na Microsoft e levar uma facada nas costas com o lançamento de um browser concorrente, e isso o Google cuidou de fazer.

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