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Amazon, Kindles e um excelente negócio para pelo menos uma das partes

10/10/2011 às 7:34

kindletouch

Algum tempo atrás a Amazon lançou uma oferta que parecia muito atraente: Venderia seu excelente leitor de ebooks, o Kindle com um desconto camarada de US$30,00 para quem estivesse disposto a receber publicidade no aparelho.

A idéia é ótima, é um público cativo deliciosamente segmentado identificado e classificado, coisa que anunciantes adoram, e o consumidor por sua vez desfrutará de um desconto substancial que provavelmente reverterá em livros.

Só que alguns consumidores não acharam lá muito interessante, tanto que a Amazon agora disponibiliza a possibilidade do usuário pagar US$30,00 e remover de vez os anúncios. Ainda bem, por dois problemas principais:

1 – Propaganda negativa NÃO é propaganda

Aquele “Falem mal mas falem de mim” não funciona, principalmente se a fama for justificada. A última coisa que um anunciante quer é criar descontentamento junto a seu público-alvo. Outros não, azar, mas o consumidor deve ser preservado, e quando a própria forma da propaganda é irritante, não há pra onde correr.

Claro, é tudo uma questão de pesar as posições. Existe uma minoria de leitores que adora dar piti em blogs que veiculam publicidade, já vi gente dizendo que o MeioBit só deveria veicular banners até cobrir as despesas mensais de hospedagem (afinal adoramos escrever de graça). Isso é absurdo, mas por outro lado há formatos que justificariam plenamente uma rebelião, como aqueles horríveis floaters que os portais usam, anúncios que abrem uma porcaria (ia escrever bosta mas somos um blog de respeito) de anúncio que ocupa a tela inteira, ou aqueles pop-unders que abrem 18 janelas no fundo do seu desktop, comem recursos e ninguém vê.

Nós nunca usaremos esse tipo de lixo no MeioBit, pois sabemos o quanto isso é irritante.

Quando a Amazon lançou o formato subsidiado via propaganda não levou em conta a irritação cumulativa do usuário NEM o fato de que as pessoas NÃO lêem letras miúdas. Na verdade nem as letras médias. Com isso muita gente comprou o Kindle com desconto sem se dar ao trabalho de ler o motivo do tal desconto.

Claro, ainda assim um bom contingente comprou o Kindle ciente da publicidade, mas não pensou a longo prazo, aí entra o segundo motivo para não ser um bom negócio:

2 – Desconto único, propaganda eterna

O desconto de US$30,00 é bom, mas não imperdível. Foi fundamental para que muita gente comprasse o aparelho, mas gerou uma relação injusta: Você recebe o desconto uma vez, mas continua recebendo a publicidade para sempre. Logo os US$30,00 são amortizados e o Kindle se torna uma máquina de fazer dinheiro para a Amazon, mesmo que você não compre nenhum livro nunca.

Se o aparelho fosse gratuito, em regime de comodato ainda faria sentido, mas você pagar por um equipamento que te obriga a consumir publicidade me lembra uma praga de spam dos anos 90, onde enviavam lixo por fax e você usava o SEU papel para imprimir coisas que seriam jogadas no lixo em seguida.

O único modelo justo para um player pago seria uma veiculação de publicidade por tempo determinado.

Mesmo assim o modelo continua, o Kindle novo no modelo subsidiado sai a US$75,00 – excelente preço e o maaaaaaaaaravilhoso –you’ll be mine- Kindle Touch sai por meros US$99,00 – de um valor sem publicidade de US$139,00.

Fica a questão: Quanto tempo um usuário consegue conviver com propaganda no screensaver e no rodapé dos livros que estiver lendo? Esse período, quanto mais longo mais lucrativo torna a exibição de publicidade pela Amazon, e ao final ainda há o retorno de US$30,00 (ou US$40,00 no caso dos modelos novos, imagino).

É um desconto que vai aos poucos deixando de existir, até um dia em que você já consumiu publicidade suficiente para pagar seu Kindle totalmente. Desse ponto em diante você está pagando para ver propaganda.

Um excelente negócio, pra Amazon.

Fonte: TDR

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