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Review Samsung Galaxy Tab 10.1

29/09/2011 às 11:44

Galaxy Tab 10.1

O Galaxy Tab 10.1 é o primeiro tablet da Samsung com o Android Honeycomb, a versão do SO do Google feita sob medida para tablets.
Além disso, é um tablet tão parecido com o iPad que despertou a fúria de Cupertino. Será ele uma real ameaça ao iPad?

Hardware

O Tab 10.1 tem um hardware praticamente igual aos outros tablets Android a venda no país (Xoom, Eee Transformer, Acer Iconia). O SoC usado é o batido Tegra 2, com sua CPU dual core de 1GHz e GPU GeForce de baixa voltagem.
A tela de 10.1", com Gorilla Glass, tem 1280x800 pixels de resolução e uma atração fatal por impressões digitais.
Ao contrário dos celulares high-end da Samsung, ela não é AMOLED, mas PLS TFT, uma evolução do velho conhecido LCD.

São poucas as entradas no Tab 10.1: Apenas a saída para fone de ouvido, o slot para SIM Card e uma porta proprietária de 30 pinos, que parece bastante familiar... Nada de microSD, HDMI ou USB.
As câmera são duas: a traseira tem 3.2 MP e filma em até 720p, enquanto a frontal tem 2MP.
Além disso, ele tem um alto-falante de cada lado e os botões liga-desliga e de volume.

A versão 3G "com conectividade celular" do Galaxy Tab 10.1 conta com suporte a HSPA+, o que faz com que em algumas lojas ele seja vendido como 4G, ainda que nenhuma operadora tenha oficializado o uso da tecnologia.

A bateria - de 7000 mAh - tem uma ótima duração. Com uso bem casual - cerca de 3 horas de uso (web/YouTube/Twitter) por dia com WiFi e com brilho no automático, o Tab demorou 5 dias longe de uma tomada para reclamar. Desativando o WiFi e usando só 3G, uma carga completa durou cerca de 3 dias.
Com um teste mais intensivo, fazendo streaming por WiFi de um vídeo 720p, a bateria durou pouco mais de sete horas.

Software

Homescreen Tab 10.1

O Galaxy Tab 10.1 vem com o Android 3.1 e a interface customizada da Samsung, a TouchWiz UI.
Logo de cara, nota-se duas mudanças na "barra de botões" introduzida no Honeycomb: Um botão no centro que dá acesso a pequenos widgets (calculadora, calendário, gerenciador de tarefas, etc...) e um botão para screenshots (Veja só, mais fácil que no iOS!)

Outra coisa que logo se nota é a quantidade de crapware aplicativos inclusos no Tab 10.1... Vem Folha, Exame, Época, Veja, Casa Cláudia, Elle, Livraria Cultura, NetMovies... Alguns até seriam bacanas, se não fossem só um link pro site da revista. De apps de verdade, só os da Cultura, o NetMovies e o da Folha - bem inferior ao pra iOS, aliás.
Entendo que para muita gente, pouco familiarizada com tecnologia, esses apps inclusos ajudem um pouco, mas eles poderiam ser mais úteis...
Além desses, o Tab vem também com o Polaris Office, que é realmente útil.

Homescreen Tab 10.1

Mas um grande problema no Honeycomb ainda é achar apps específicos para tablet. O Market ainda não faz a distinção entre aplicativos para smartphone e os para tablet e bem... não são muitos mesmo.
Um exemplo é quanto a revistas e jornais. Gostaria de um iPad para, por exemplo, pagar um preço humano na revista Wired - cada edição sai por 4 obamas. Dei uma procurada no Android Market por "Wired" e aparecem só alguns apps não oficiais. Bizarramente, aparece até um app de Kama Sutra - que não foi adaptado para tablets, claro.

Multimídia

A primeira vez que eu assisti um vídeo HD (pelo YouTube) no Tab 10.1, achei que tinha encontrado a grande vocação dele. A tela widescreen e de alta definição somada com os alto falantes estéreo fazem do Galaxy Tab 10.1 um ótimo media player. Logo peguei alguns vídeos HD que tenho e tratei de passá-los para o tablet.

Ai começou a decepção. A primeira foi que o Tab 10.1, ao contrário dos outros tablets Honeycomb, não suporta o Android File Transfer para falar com Macs: Ele só aceita o Kies, software da própria Samsung, que parece ainda não estar azeitado para o Tab - as vezes ele não reconhecia o aparelho, as vezes reconhecia mas a transferência dos arquivos (cerca de 1GB cada) parava na metade. Depois de muita briga, desisti e fui atrás de alternativas.

O Kies Air, presente no Galaxy S II e que permite você fazer upload pro aparelho pelo navegador nem existe no Galaxy Tab 10.1... Existe uma opção de Kies WiFi, mas é preciso instalar o software da Samsung no computador.
No final, acabei baixando um cliente FTP para Android e baixando os arquivos pelo próprio tablet - é o tipo de solução que mostra a versatibilidade do Android, mas não é exatamente simples.

No mundo PC, é mais tranquilo. Tanto no Windows 7 como no Ubuntu 10.10 bastou plugar o Tab no computador para ele aparecer no gerenciador de arquivos. Isso porque a partir do Android 3.x, a transferencia de arquivos não é mais feita pelo tradicional USB Mass Storage que todo pendrive usa, mas pelo protocolo MTP, que surgiu na Microsoft mas hoje foi padronizado pelo USB Forum.

Depois de toda essa novela para baixar os vídeos, outra surpresa: Nenhum deles rodou no player incluso. (a maioria estava em MKV 720p, alguns em mov/h264 1080p)
Baixando players de terceiros (tentei BSPlayer, MoboPlayer, QQPlayer e RockPlayer), nenhum rodou os vídeos com aceleração por hardware, só por software...
E por mais que a CPU do Tab 10.1 seja boa, decodificar vídeos HD é bastante complicado. O framerate ficava sempre entre 4 e 9 fps e muitas vezes com áudio sem sincronia ou até mesmo mudo, dependendo do player usado.

Resumidamente, o problema é que o Tegra 2 tem problemas com a decodificação em HD de alguns codecs e bitrates específicos, em especial o h624 High Profile com bitrate alto (inclusive esse foi o motivo do Boxee Box migrar para Intel).
Mas como toda boa novela, essa teve uma feliz reviravolta no final. Já tinha quase certeza que não teria chances de rodar vídeos HD satisfatoriamente nele quando resolvi testar o DicePlayer (pago, mas com versão trial disponível) e todos os vídeos que testei funcionaram incrivelmente bem. O player não mostra o framerate, mas parecia pelo menos próximo dos 30fps.

Conclusão

O Galaxy Tab 10.1 é um bom tablet. O hardware é muito bom e o sistema é bom o bastante. Sem contar que é um exímio media player, se você esquecer a novela dos codecs. Só faltou um slot microSD para aumentar o armazenamento... Para vídeos HD, 16GB acabam sendo apertados...

O problema é quando você avalia o conjunto como um todo.O Honeycomb está bem adaptado aos tablets, mas ainda não tem muitos apps... Muito menos um killer app que dê aquela sensação de "Putz, eu quero um!" - e esse é um problema que atinge todos os tablets com o sistema do robô.

Por R$1599 (versão apenas WiFi) e R$1999 (a versão com 3.141592G), é meio complicado recomendar o Tab 10.1: Por mais R$50 em qualquer um dos modelos se leva o iPad 2, que não só tem mais apps para tablet como os tem em melhor qualidade (Ouviram, Folha, Veja e Época?).
E se o que você quer é mesmo um tablet com Android, o Acer Iconia tem praticamente o mesmo hardware e sai por R$1399 - mas sem 3G e o corpinho de modelo do Galaxy Tab.

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