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Digg.com: Revolução editorial?

11/10/2006 às 18:07

Tem-se falado muito sobre o Digg.com. Nos EUA, é um fenômeno. Você sabe o que é e como funciona essa revolução na publicação editorial?

Para falar do Digg, a melhor coisa é defini-lo antes: um site onde as próprios leitores enviam as notícias e decidem quais serão exibidas na capa, sem qualquer intervenção externa. Ou seja, quem faz o conteúdo são os próprios usuários. Só isso. E saem coisas maravilhosas.

É difícil de acreditar, mas em pouco tempo a popularidade do site superou o New York Times online e vem duplicando de tamanho a cada dois meses. Em menos de 1 ano foram lançadas três versões, apareceram novas categorias, novidades do DiggLabs e muito espaço na mídia. Tudo isso com um punhado de servidores e uma dúzia de funcionários.

A verdade é que ninguém entende o Digg. Os usuários não são pagos, mas vasculham a internet inteira em busca da melhor notícia para que sejam votadas e "subam" para a capa. Essas notícias vêm de canais de notícias, blogs ou até mesmo página pessoais. Uma vez na capa, esse site recebe dezenas de milhares de visitas. O usuário que postou a notícia não ganha nada (a não ser que tenha postado uma notícia do próprio site) e quem votou para que ela fosse enviada a capa também não. E mesmo assim são mais de 1 milhão de colaboradores buscando classificar o que é bom ou não naquele mundo de links.

O fenômeno Digg é também uma vitória de bloggers e outros geradores de conteúdo anôninos. Agora é possível que um pequeno artigo tenha projeção equivalente à publicação de um grande portal, basta que ele tenha conteúdo de interesse aos usuários. Muitas vezes a divulgação no digg é desconhecida pelo próprio autor e os servidores desses pequenos sites não aguentam tantos acessos repentinos e acabam caindo.

Enquanto isso, ainda há quem diga que o modelo é ultrapassado, referindo-se a existência do Slashdot, que usa há alguns anos um sistema parecido. Não vejo dessa maneira. Existe essencialmente uma enorme diferença entre os dois: o digg é simples. O slashdot, complicado. Simplicidade é tudo.

Demanda Reprimida

Tem-se discutido muito sobre o excesso de conteúdo atual da Internet. O tempo disponível diminui cada vez mais e cada vez mais somos expostos a mais informações. Como saber o que é realmente relevante? Nesse contexto, um site que consegue organizar os conteúdos de forma extremamente eficiente, utilizando-se das opiniões dos próprios usuários, atinge em cheio essa demanda reprimida. Não é de se estranhar tamanho sucesso.

Uma pitada de comunidade virtual

Não é verdade que o digg se baseia totalmente em conteúdo. O aspecto social do site é muito forte. Existe uma disputa forte entre os usuários para saber quem traz notícias mais relevantes, um sistema de comentários bem movimentado e até mesmo perfil de usuários.

Há alguns meses a Netscape.com, que trouxe um clone do digg online, teria tentado trazer para seu site os melhores postadores, pagando-os para US$1000,00 mensais para desempenharem tal serviço. Não funcionou.

O outro lado da história

Mas o digg não são só maravilhas. Recentemente houve diversas denúncias de que haveria manipulação da posição das notícias, principalmente quando referia-se a algum concorrente. De fato ocorreu. Diversos links do reddit.com, principal concorrente, desapareceram inexplicavelmente.

Também está em discussão a ação de grandes grupos fechados de usuários que podem estar controlando as publicações da capa, agindo em blocos e promovendo notícias de seus interesses. Para eles, os fundadores limitaram-se a dizer que novos algoritmos impediriam esse tipo de atuação.

Mas fica a pergunta: um sistema tão democrático, utópico e principalmente valioso não estaria sujeito a ser corrompido por grupos com interesses diversos?

Alternativas brasileiras

No Brasil, o fenômeno digg ainda não pegou. Estão nascendo agora as primeiras iniciativas. Muitas delas pecam nos aspectos mais básicos. Venho coordenando uma das que acho a mais promissora: o Rec6. , com foco em Tecnologia, Gestão e Negócios.

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