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Um reconhecido inventor e teórico, suas idéias e um debate continuamente atual: como será o futuro da tecnologia? Hoje.

02/09/2011 às 15:46

Você já deve ter ouvido falar nele. Senão, deveria. Ray Kurzweil, inventor norte-americano, autor e futurista, tem passando novamente para o centro de um conhecido espiral, do qual sempre está presente de um modo ou de outro e que revolve ao redor tanto de críticos quanto discípulos.

Mais conhecido por seu papel como evangelista da 'singularidade tecnológica', Kurzweil foi o personagem principal do documentário Homem Transcedental, de 2009, cujo tema aparentemente ressurgiu em discussões sobre o papel da tecnologia no futuro. Hoje, por melhor se dizer.

Kurzweil está intimamente ligado às proposições da Lei das Mudanças Aceleradas, estendendo a lei de Moore para descrever como o progresso da tecnologia se relaciona com o próximo momento tecnológico.

A lei de Moore descreve um padrão de crescimento exponencial na complexidade dos circuitos integrados de semi condutores. Kurzweil acredita que sempre que um embate ou barreira tecnológica é encontrado, criamos uma nova tecnologia para transpor esse mesmo obstáculo.

Essa transposição de tanto fundamento quanto inovações tecnológicas repete-se por vários ciclos, até atingir o que ele defende como sendo a própria singularidade na tecnologia. De acordo com as suas previsões, este momento está cada vez mais próximo. A sua proposta é que reflitamos sobre a seguinte questão: O que faremos se suas idéias estiverem corretas?

Neste momento, as teorias de Kurzweil voltam a ser debatidas, uma vez que nos aproximamos cada vez mais dos principais conceitos que ele persistentemente tem favorecido ao longo dos anos, como a inteligência artificial, os supercomputadores, a robótica e o estudo integrado do cérebro humano e onde a tecnologia se mistura (ou se misturará) a ele.

Kurzweil é bastante criticado academicamente, em especial por supostamente desconsiderar que as tecnologias não são imediata e amplamente utilizadas e que o caminho que ele prevê para a sua integração não se daria à velocidade que ele defende.

Entretanto, se considerarmos os recortes de evolução das tecnologias de maneira mais recente, é bem fácil concebermos que ela possa ter evoluído mais nos últimos seis meses a uns três anos, do que umas boas décadas atrás em comparado. E aí é que se reacende o debate, fazendo com que grande parte de suas idéias recebam um outro "encaixe" teórico.

No ano em que eu nasci, Kurzweil fundou a primeira empresa a trabalhar com o reconhecimento óptico de caracteres, e isso foi lá para 1974. De lá para cá, pode-se bem dizer com tranquilidade que ele é um homem que tornou-se multi-milionário apenas a partir de suas idéias, valiosos inventos sobre a voz e a visão e também suas previsões para a tecnologia.

Em 1990 ele publicara o livro A Idade das Máquinas Inteligentes e começaria a plantar as sementes do debate que tão fervorosamente ainda defende.

Esse era o momento em que o centro das discussões sobre o tema atingia seu ápice e parte da atenção para as suas idéias acabou se dissipando quando ele lançaria em 1993 um outro volume chamado A Solução de 10% para uma Vida Saudável, um livro sobre como a nutrição e os elevados níveis de gorduras, sódio e açúcares impediriam o futuro ideal para o homem. Kurzweil experimentaria pesadas críticas da outra ponta da discussão, acadêmicos da tecnologia, e ganharia contornos de pseudo-teorético new-age.

Em 2009, entretanto, Kurzweil lancaria o filme Homem Transcedental no Festival de Tribeca, trazendo de volta para si grande parte da atenção que lhe rendeu inúmeros prêmios e honoráveis menções às suas inveções e teorias, em diversas universidades e institutos, desde os anos 70 até bem recentemente.

Advogando hoje em prol de movimentos trans-humanistas e atuando vigorosamente em defesa de tecnologias de extensão à vida, a nanotecnologia e a integração da robótica com a biologia e a genética, seus preceitos vão do lógico, do inovador, do útil ao fantástico, transitando entre possibilidades potenciais reais para o futuro da tecnologia, até simplesmente um desejo pessoal aparente por negar a morte até quando for capaz.

Segundo ele, nós não 'precisaremos' mais morrer.

Imagine... Simples blogueiros que somos, já detestamos a trollagem pura e simplesmente oferecida. O que este senhor deve ouvir quando expõe suas idéias? Não fosse o fato de que ele tem um extenso e bem-sucedido histórico, é bem provável que já teria sido internado em algum hospício por algum fundamentalista. Mas lá ele bem continua.

Dentro daquilo que propugna, Kurzweil diz que só seremos capazes de acompanhar a tecnologia que nós mesmos criamos e desenvolvemos, se formos capazes de amplificar o escopo da nossa inteligência através da integração.

Lembro-me da frase curiosa de um professor a respeito de Kurzweil, onde ele dizia que a melhor maneira de defini-lo era dizendo que ele incansavelmente procura se tornar o primeiro Highlander (imortal) por mérito próprio, não por dádiva ou graça. Um prato cheio para a polêmica.

Tomando em conta a velocidade com a qual a tecnologia se desenvolve e comparando-a com a qual a inteligência humana o faz, Kurzweil acaba por ser atacado por levantar a hipótese de que a tecnologia se movimenta à velocidades bem mais rápidas que a nossa própria inteligência.

Ele também diz que embora não pareça isso agora, em 25 anos as máquinas terão consciência própria e em 40 anos, se não nos atualizarmos dentro do próprio cenário tecnológico que criamos, não poderemos acompanha-lo, sequer compreende-lo, no sentido mais amplo da hipótese.

Em junho do ano passado Kurzweil lançou outro livro, A Singularidade está Próxima no Festival de Breckenridge, baseado em seus estudos com o mesmo nome de 2005, onde entrevista pessoalmente mais de 20 proeminentes intelectuais do nosso tempo, como por exemplo Marvin Misnky.

O debate agora parece ser o que faremos para provar se Ray Kurzweil está errado ou certo a respeito da teoria de aceleração tecnológica e quais os caminhos a serem trilhados a partir deste momento.

Para refrescar a memória de quem já não se lembra em detalhes do que fala Kurzweil, segue aqui uma série com 10 pequenas entrevistas dadas por ele ao portal BigThink. (link).

E como dica, para quem não viu, recomendo o antigo-ainda-atual "Homem Transcedental (trailler).

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