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Rebeldes High-Tech ou garotos-propaganda explosivos?

25/08/2011 às 12:32

“Guerra é bom para os Negócios”

35a Regra de Aquisição Ferengi

A iminente queda do regime de Muamar Kadhaffi na Líbia está sendo acompanhada pela Internet como algo entre um game, um filme ou uma reprise, dependendo da idade de quem assiste aos vídeos de rebeldes na rua atirando em coisa nenhuma.

Em verdade é um pouco dos três, mas também é um campo de provas para tecnologia militar. A idéia de usar conflitos de terceiros para testar tecnologia não é nova, Hitler mandou seus Stukas JU-87 para a Guerra Civil Espanhola, com esse mesmo objetivo.

A novidade agora é que empresas estão participando diretamente desse processo, ignorando e contornando governos incômodos. Mesmo sem entrar em uma trip Michael Moore é preocupante ver corporações apoiando lados em disputas estrangeiras. Não dá para dizer que são “apenas negócios”, venda você armas ou simples máquinas de calcular.

Aeryonscout Não que isso tenha impedido a Aeryon Labs de fornecer gratuitamente um UAV Aeryon Scout para os rebeldes na Líbia.

O Scout tem autonomia de 25 minutos, alcança altitudes de 13 mil pés, funciona num raio de quase 4Km e é controlado por uma tela de toque, sem joysticks.

Tem GPS e câmeras comuns e de visão noturna, sendo ideal para investigar construções e acampamentos inimigos nas proximidades.

Os rebeldes passaram por um treinamento de um dia e meio e já estão utilizando o equipamento em combate, informação alardeada no site do fabricante.

No caso do Kadhaffi é tranquilo, ele tentou roubar o Águia de Fogo, merece a morte, mas e quando a situação não for tão preto-e-branco? O mundo é basicamente cinza, uma atitude bem-intencionada (não é o caso) em um país pode ser considerado crime em outro. Qual a racionalização para apoiar atividade criminosa no estrangeiro? Quem define o certo e o errado, indivíduos? Corporações são compostas de indivíduos, /comofas?

Uma vez doei US$25 para a Yoani Sanchez, efetivamente contribuindo para o movimento subversivo que a longo prazo pretende depor o governo cubano. Se eu tivesse dinheiro doaria um kit de internet via satélite. Já se uma empresa americana fizer o mesmo, será considerado interferência e provocação ao Governo de Havana.

E aí?

A tecnologia já está tão barata e eficiente que pequenos investimentos conseguem gerar grandes mudanças. Quem tem direito de fomentar essas mudanças?

Este texto começou com uma percepção de que as corporações são perigosas e podem alterar a situação geopolítica de regiões, mas agora vejo que os indivíduos já tem esse poder.

O SenseFly é um UAV autônomo, controlado por um Macbook. Tem capacidade de pouso automático, câmera fotográfica e GPS. Custa menos de US$9 mil e mudaria o resultado de metade das batalhas da História:

Não é preciso ser o Bill Gates para mandar algumas dezenas desses para um grupo de rebeldes e vê-los dominar uma força muito maior, mas dotada de menos percepção situacional. Qual o limite da não-interferência?

Fonte: DefenseTech

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