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Londres quer acessar ou interromper os Blackberries para controlar a onda de violência

10/08/2011 às 20:49

David Lammy, membro do parlamento britânico por Tottenham, fez um apelo público pelo Twitter e pelo rádio na BBC para que a RIM, fabricantes dos Blackberries, suspenda o uso do Blackberry Messenger no Reino Unido.

"Essa é uma das razões pelas quais criminosos não sofisticados estão vencendo forças policiais sofisticadas" -- via Twitter.

Lammy alerta para o fato de que pode haver inclusive corpos em muitos dos prédios vandalizados, tamanha a violência dos ataques. O tempo vai passando e se vê pouca ou nenhuma relação entre a morte de um morador local e a pior onda de violência na Inglaterra das últimas décadas.

De qualquer modo, uma juventude de imigrantes em uma região que já teve seus maus momentos de conflito com as autoridades e altas taxas de criminalidade parece encontrar no viés da manifestação uma oportunidade para pilhar, subtrair ilegalmente e simplesmente destruir tudo o que vem pela frente.

Não se ouvia o governo Inglês recomendar aos seus cidadãos que evitem sair de casa há muito tempo. Mas não são apenas bairros cascudos como east Tottenham que tem sido alvo da arruaça generalizada. Birmingham, a segunda maior cidade do reino, também teve suas lojas invadidas e roubadas, com carros e prédios colocados em chamas.

Em uma das cidades mais multiculturais do mundo, a sensação neste momento é a de que a polícia realmente não tem sido capaz de proteger seus cidadãos. E a troco de quê? Sociólogos se entopem de café e pouco dizem.

No meio de uma onda quase fenomológica de violência, a tecnologia acaba desempenhando um papel de vilão, não de mocinho. Praticamente todos na malandragem por lá favorecem a utilização do Blackberry Messenger ao invés do Twitter - este só usado por quem quer voluntariamente levar borrachada no kengo enquanto protesta pacificamente - pelo simples facto de que a polícia, não consegue acessa-lo.

Anteontem (8), a RIM publicou uma nota dizendo que "assim como em outros mercados do mundo onde o Blackberry está disponível, nós cooperamos com as operadoras locais de telecom, as forças policiais e oficiais de regulamentação". As autoridades britânicas ainda não se convenceram se podem ou não contar com os logs da empresa para procurar os perpetradores.

A empresa, por outro lado, acabou declinando dizer publicamente se vai ou não entregar os logs e detalhes de seus usuários à polícia britânica. Em paralelo, todo mundo suspeita da última notícia de que ontem (9) o blog da empresa "Inside Blackberry" foi hackeado por um grupo que se auto-intitula "Teampoison". Assim que invadiram o blog da RIM, publicaram um aviso alertando para que a empresa não coopere com a polícia da rainha:

"Vocês NÃO colaborarão com a polícia do R.U., porque se o fizerem membros inocentes do público que estiveram no local errado, na hora errada e que tinham um Blackberry serão acusados injustamente" -- dizia parte da ameaça.

"Se vocês oferecerem à polícia apoio revelando chat logs, locações de gps, informações de cliente e acesso aos seus Blackberry Messengers vocês irão se arrepender. Nós temos acesso aos seus bancos de dados, que incluem informações de seus funcionários; e.g - endereços, nomes, telefones, etc. Portanto, se vocês colaborarem com a polícia nós IREMOS tornar essas informações públicas e as passaremos para os manifestantes" -- concluíram.

Sameet Kanade, que trabalha para a Northern Securities de Toronto (Canada) afirma que "a RIM precisará de uma diretiva das autoridades britânicas e do apoio das operadoras. Interceptação jurídica é a única razão legalmente válida para que um fabricante de aparelhos possa intervir".

E ainda adiciona:

"Em termos do mecanismo em si, a RIM sempre alegou que não era capaz de decriptar ou decifrar messages roteadas a partir de servidores BES ou BIS, podendo ser apenas capaz de desabilitar o roteamento de mensagens na melhor das hipóteses"

Um outro analista, o britânico Geoff Blaber da CCS Insight acredita que "uma opção seja a empresa desligar o serviço. O problema é que o BBM é muito popular por aqui e tem uma base enorme no Reino Unido".

A RIM tem mais de 45 milhões de clientes em todo o mundo, sendo que 70% deles utilizam o serviço diariamente enviando bilhões de mensagens todo mês.

Um possível desligamento não comprometeria usuários com planos de dados, por exemplo. Entretanto, milhares de outros ficariam incapacitados de utilizar um serviço, a princípio, garantido em contrato. Uma situação extremamente delicada para a empresa.

A empresa já enfrentou problemas com a China, India e os Emirados Árabes Unidos, onde se prontificou a oferecer parte do acesso aos serviços, alegando que não tinha possibilidade técnica de interceptar emails corporativos em seus populares dispositivos.

Todos estes países ainda pleiteiam acessar os serviços da empresa em sua totalidade, sob a justificativa de que não o fazendo, ficam vulneráveis a ataques iminentes cuja principal fonte de organização conta com a colaboração indireta dos serviços nos Blackberries.

Já em Londres, o Comissário Adjunto da Polícia Metropolitana, Stepehn Kavanagh, disse que "a polícia local empreende um extenso monitoramento desse modelo de mensagens nos Blackberries e que na realidade, muitas pessoas estão recebendo essas mensagens as estão encaminhando para a polícia".

Questionados sobre como eles estão fazendo para monitorar os Blackberries no Reino Unido, os representantes da polícia metropolitana e da Scotland Yard não quiseram se manifestar.

fonte: Reuters e outras fontes na rede.
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