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Google TV tem mais devoluções do que vendas

03/08/2011 às 9:00

google-tv A Logitech conseguiu a proeza de ter “receita negativa” com seu Revue, um Set Top Box Google TV. Isso significa que as unidades vendidas não conseguiram superar as unidades devolvidas, o que não faz sentido dito assim, mas considere que são dados de vários trimestres, assim as unidades compradas no penúltimo E devolvidas no último somam, aumentando a desgraça.

A culpa não é da Logitech, a culpa é do próprio Google, com sua tecnocracia. A Google TV é excelente, mas para geeks. Gente que gosta de fuçar. Não é feito para usuários normais, muito menos para espectadores. Mesmo a Apple TV, com a legendária amigabilidade da Apple não estourou. Claro, está em 15o entre os gadgets mais vendidos da Amazon, e já superou o iPad em número de streamings do Netflix, mesmo tendo sido vendidos 10 vezes mais iPads.

Isso não significa que toda casa tenha uma, mas estatisticamente as chances de haver uma Google TV são menores ainda.

O Revue começou errado com o preço. US$300,00 era uma facada. A marca de US$99,00 da Apple TV foi o ponto ideal, tanto que a concorrência foi atrás, o Roku entrou a US$99,99 e o próprio Revue enfiou o rabo entre as pernas e agora está listado na Amazon por US$99,99 também.

O preço entretanto é só um fator. Google TV e iniciativas similares não caíram no gosto popular por uma questão bem mais fundamental, e que explica a aversão do consumidor médio ao equipamento da Logitech: Estamos de saco cheio de ter que fazer curso na NASA para mexer nos equipamentos eletrônicos.

Televisão antigamente tinha duas funções no controle remoto: Volume e Canal. Mais nada. Se você quisesse ligar ou desligar, levantava seu traseiro gordo do sofá e apertava o botão, mas hoje nossa cultura Wall-E tornou isso uma heresia. Como também tornou chato feio e bobo aprender coisas por vontade própria, sem obrigação. Daí tantos sobrinhos ganhando para ensinar toda semana como formatar páginas no Word.

Daí também a preferência do consumidor por soluções simples. Vejam a Apple TV:

appletv

Agora comparem com o controle da Google TV da Sony:

visaodoinferno

Agora imagine o tiozinho de 40 e bléu, que já passa o dia inteiro brigando com computadores na seguradora, machuca a bunda sentando no controle do XBox que o Cléverson Carlos vive deixando em cima do sofá chegando em casa e ao invés de simplesmente ligar a TV e pimba, colocar no Superpop pra ver as minas de lingerie, tem que mexer num trambolho desses. Ninguém merece.

Internet na televisão é um conceito que funciona bem enquanto conceito, mas é incômodo ler textos sentado no sofá, e a menos que você tenha uma mega-power LED de trocentas polegadas, nem pense em acessar sites normais, com ficará cego.

A televisão não é um periférico ideal para interação. O conteúdo televisivo ainda é –e por muito tempo será- de mão única, uma boa interface deve reduzir a um mínimo o esforço do usuário. Isso se faz integrando com o que ele já tem, como celulares e tablets, e não criando controles remotos de pesadelo.

A chamada Smart TV ainda é um produto de nicho, vive hoje o mesmo momento que a música digital vivia pouco antes do lançamento do iPod.

Só falta um produto matador para o formato deslanchar. Eu aposto em algo da linha do Kinect, mas a Microsoft não confirma nem sob tortura.

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