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[Review] Galaxy S II

Testamos o Galaxy S II, o smartphone Android mais potente do momento.

13/07/2011 às 9:17

Dá pra dizer sem medo de errar que o Galaxy S II é o smartphone mais poderoso à venda no Brasil, superando por pouco o Motorola Atrix, primeiro Android dual-core a desembarcar por aqui.

Mas será que tanto poder realmente é necessário ou apenas serve pra alimentar as eternas discussões de qual aparelho é melhor?

Hardware e design

Os coreanos que me desculpem, mas dá para entender o processo da Apple contra eles: visto de frente, o Galaxy S II é bastante parecido com o último telefone da empresa com nome de fruta...

No resto, são poucas as semelhanças. A traseira, de plástico fosco, tem a vantagem de não atrair marcas de dedo como vidro ou qualquer coisa com acabamento em "black piano". Só a tampa da bateria que poderia ser um pouco mais robusta — ela é bem fina e sempre dá a impressão que vai quebrar se você colocar a força necessária para encaixá-la.

Mais do que a espessura (o título de "mais fino do mundo" pelo seus 8,5 mm foi alardeado em tudo quanto é canto desde que o S II foi anunciado), o que mais me impressionou nele foi o peso. No papel, ele é apenas 3 gramas mais leve que o Galaxy S original, mas quando você o pega na mão, a diferença parece gritante.

O conjunto leveza + espessura + plástico até dá uma primeira impressão que o aparelho é um pouco frágil, mas ele é bem sólido.

A tela é muito boa. A resposta ao toque é excelente, igual ao iPhone, você mal encosta o dedo e ele já é reconhecido. Já a resolução continua a mesma do original, mas a tela agora tem 4,3", o que diminui um pouco o DPI. Cheguei a pensar que isso poderia comprometer a leitura, mas a tela do S II corrige um defeito do original: muitos o criticavam dizendo que a resolução efetiva era cerca de dois terços da nominal, já que com a "tecnologia" PenTile, cada pixel tinha apenas dois subpixels, ao invés de três subpixels usuais. No final, as telas dos dois ficam bem próximas.

Para mim, o maior contra da tela maior é o efeito no tamanho do aparelho. Apesar de se acostumar com o tamanho em pouco tempo, o S II ainda fica meio desconfortável para colocar em alguns bolsos e nem cabe em outros... Por exemplo: costumo guardar o celular no "bolso de moedas" das minhas calças — na maioria deles cabe até um iPod classic sem problemas. O Galaxy S II, não...

Nas especificações em si, o S II é impressionante. Processador dual-core de 1,2 Ghz, 1 GB de RAM... Isso é melhor que muito computado até pouco tempo atrás. Usando ele, não há atrasos/lentidão de qualquer natureza. Junto com a sensibilidade da tela, a experiência é ótima.

Mas ainda assim, nada absurdamente diferente em relação a qualquer Android high-end depois do Nexus One — ainda faltam aplicativos optimizados pra usar um processador dual core. No Atrix, a Motorola fez o modo Webtop que consegue justificar tanto poder num celular, mas no S II não há nada que use todo o potencial dele.

Apesar do processador e da tela, a bateria até me surpreendeu. Para testá-la, deixei o brilho da tela no automático, a sincronização e o 3G ligados, deixando Wi-Fi, GPS e Bluetooth desligados. Usando ativamente o 3G (navegação web, Google Reader e Twitter) e ouvindo música por cerca de duas horas, mais algumas chamadas breves (cerca de nove minutos), o S II tinha 9% da bateria depois de 11 horas de uso.

Dá pra fazer casa-trabalho-casa sem carregar no meio do dia, mas ligar no carregador vai ser a primeira coisa que você fará ao voltar pra casa. Se for esticar em algum lugar, levar o carregador é imprescindível.

O GPS sempre foi uma das reclamações do Galaxy S “primeiro” e deu uma melhorada no S II. A princípio, nem cheguei a notar problemas no GPS — usando apenas o Google Maps e aplicativos que usam o mesmo serviço de localização que ele, não há nenhum problema aparente. O celular encontra sua localização rapidamente e a precisão é grande.
Só que isso, usando a triangulação pelas antenas de celular e Wi-Fi que o Google Maps faz. Quando você precisa do sinal de GPS puro (em um aplicativo de navegação, por exemplo), ele demora um pouco mais para se localizar e as vezes é meio instável.

Em termos de armazenamento, o S II é bem servido: tem 16 GB de memória interna e slot para microSD. Mas se prepare para um susto quando for encher a memória do aparelho! Apenas 11,5 GB estão disponíveis para isso, o restante é reservado para o sistema. Para instalar aplicativos, o usuário tem 2 GB à disposição.

Software

O TouchWiz permite a criação de pastas para organizar seus aplicativos

Junto do Android 2.3.3 vem o TouchWiz, a interface que a Samsung adota em seus aparelhos com touchscreen. Eu, particularmente, sou um fã do "Android-sem-frescura" e preferiria uma experiência mais “pura” como a do Nexus S. Essas customizações eram bastante úteis no tempo do Android 1.x, mas hoje em dia não passa de perfumaria...

Um exemplo é a avalanche de “hubs” no S II. Existe o Reader Hub, Game Hub e Social Hub. A intenção é que eles juntem o conteúdo de cada área e a ideia é boa, mas falha na execução. O próprio S II vem dois apps da Livraria Cultura, um para ler e outro para comprar ebooks, e um da Folha, mas não há nenhuma integração deles com o Readers Hub. A mesma coisa acontece com uma demo do Heroes of Sparta (também incluso no aparelho) e o Game Hub. O Social Hub, como praticamente todo agregador de redes sociais feito pelas fabricantes, acaba não sendo muito útil e é trocado pelos apps oficiais de cada rede.

De qualquer forma, tenho que admitir que alguns toques da TouchWiz são bacanas, como o gesto de pinça no navegador abrir a lista de abas abertas ou a opção de organizar os ícones do launcher em pastas.

Mas uma grata surpresa foi o KIES Air, que permite transferir dados do computador para o celular (e vice-versa) usando apenas a rede Wi-Fi e um navegador. É só estarem na mesma rede (pode até mesmo ser uma criada pelo S II, para compartilhar a internet) e não precisa de nenhuma configuração a mais.

O tocador de músicas incluso no S II não é muito diferente do padrão do Android, mas o reprodutor de vídeos é muito bom, suportando a maioria dos codecs mais conhecidos: WMV, Dvix, MP4, MKV... Tudo roda sem problemas, mesmo em 1080p.

E apesar de eu odiar o Flash desde antes disso virar modinha, tenho que dar o braço a torcer. No S II, o Flash é realmente usável. Dá pra acessar esse tipo de conteúdo sem problema nenhum com o desempenho. Consegui até mesmo ver uma twitcam pela rede celular sem lag — mas contei com a ajuda de algum teste da rede HSPA+ da TIM, que estava chegando a 1,2 MB/s de download na hora.

E com o conjunto Flash + 3G, você ainda ganha de bônus um ótimo aquecedor de mãos! O S II esquenta bastante quando há uso intenso, mas esse foi o caso onde mais senti o "poder de fogo" dele.

Camera

A câmera do Galaxy S II tem 8 MP e tira boas fotos.
Como praticamente toda câmera de celular, ela exige bastante luz para entregar resultados com qualidade. Fotos em locais escuros quase sempre saem desfocadas/borradas.

Em vídeos, o S II filma até em 1080p — ainda uma raridade em celulares. Algo que achei curioso é que aparentemente ele usa apenas uma parte central do sensor para filmar nessa resolução. Quando se está fotografando ou filmando em resoluções menores, a área mostrada é maior, mas quando se vai para 1080p, parece que houve um "zoom" na cena.

Exemplo de captura a 720p

Exemplo de captura a 1080p

Vale a pena?

Acho que a resposta é a mesma da pergunta “Cabe no seu bolso?” — para ambos os sentidos de bolso.

Os R$ 1.999 pedidos no S II ainda assustam um pouco, por mais que se lembre que o S “primeiro” chegou por R$ 2.399. Ao menos em algumas operadoras dá pra conseguir descontos bem significativos e o preço pode cair para cerca de R$ 1.200 nos planos mais simples e chegar até mesmo em R$ 450 nos mais caros completos.

Mas, ainda assim, o tamanho atrapalha em alguns casos. Eu mesmo adorei o S II, mas se ele fosse um pouco menor...

Se o Galaxy S original sofrer mesmo uma queda de preço agressiva, como prometido (que tal R$ 999, Samsung?), ele pode se tornar bem mais interessante que seu sucessor — para a grande maioria das tarefas, o S1 é mais que suficiente.

Mas se o bolso não for problema, o Galaxy S II é uma ótima escolha.

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