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Você pode não perceber, mas seu senso moral melhora com o passar do tempo

Cientistas divulgam resultados de estudo que analisa nossas reações a atos de violência em diversas etapas da vida.

03/06/2011 às 13:11

Qual a sua reação ao ver alguém batendo em outra pessoa? E quando um amigo quebra um objeto qualquer? As respostas dependem diretamente do seu senso moral e envolve diversas variáveis.

Independente das suas respostas, é bem provável que, hoje, elas sejam mais maduras do que há alguns anos. Ao longo da vida, temos sempre a sensação de estarmos evoluindo, inclusive em aspectos morais. Seja numa mudança de hábito ou numa nova visão sobre determinado tema polêmico, amadurecemos.

Essa sensação foi fruto de um estudo conduzido por Jean Decety e publicado na Cerebral Cortex. Intitulado "A Contribuição da Emoção e da Cognição à Sensibilidade Moral: Um Estudo do Neurodesenvolvimento", ele é tido como o primeiro do gênero a estudar a relação do cérebro e das relações comportamentais a decisões morais sob o ponto de vista do neurodesenvolvimento.

Estudos do cérebro.

O estudo foi realizado com 127 voluntários, com idades entre 4 e 36 anos. A eles foram apresentados 96 vídeos curtos enquanto os cientistas analisavam dados como imagens de ressonância magnética (fMRI), eye-tracking e alguns traços comportamentais. Os vídeos mostravam diversas situações, em geral ataques, involuntários ou propositais, a pessoas e objetos.

O estudo dos olhos dos participantes revelou que, não importa a idade, sempre prestamos mais atenção a quem sofre o ataque, seja outro ser humano ou mesmo um objeto, do que em quem pratica a violência. Outra reação comum a todos os estudados foi a maior dilatação da pupila nos ataques de propósito.

A grande diferença relacionada à idade se dá pela reação tomada. Nas crianças, a amígdala, que está associada ao desencadeamento de reações emotivas a situações sociais, é mais ativada que nos adultos. Em outras palavras, quanto mais jovens, mais impulsivos somos.

Nos mais velhos, as áreas mais ativadas no cérebro são a dorsolateral e córtex pré-frontal ventromedial (corrijam-me se escrevi alguma bobagem nesses termos!), que nos levam a refletir mais sobre os valores ligados aos resultados e ações.

Outra conclusão é a de que as crianças tendem a classificar todos os agressores como tais, sem colocar na balança a intenção e/ou o alvo. Nos adultos, a alcunha de "agressor" perde muita força quando o ato é involuntário e, mais ainda, quando a "vítima" é um objeto.

Ainda há um longo caminho nessa área de estudo. Jean Decety está, com a ajuda da doutora Kalina Michalska e da assistente Katherine Kinzler, redigindo o paper com mais detalhes sobre os resultados da pesquisa. O trio, da Universidade de Chicago, acredita que o estudo ajudará na compreensão de alguns distúrbios psicológicos, como o autismo e psicopatologias, além de ajudar no entendimento de como reagimos, ao longo da vida, ao sofrimento físico e mental alheio.

Com informações do Medical Xpress.

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