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Livros eletrônicos? Não, obrigado, eu prefiro papel

26/09/2006 às 19:59

Por causa de DRM, desisti de comprar qualquer tipo de dispositivo de leitura de livros, como o Sony Reader, iRex iLiad ou Jinke V2 eBook Reader. Pagar 500 dólares ou mais num aparelho e depois comprar os livros, para serem monitorados como o um Grande Irmão sobre o que eu faço com o livro não é minha idéia de biblioteca.

Ora bolas, se eu compro um livro, em papel, que dura uns 2000 anos se for bem conservado e posso emprestar para n amigos, dar de presente, doar para uma biblioteca, porque raios eles querem limitar o "passar para frente" das cópias? Não seria complicado ter um sistema que ao detectar um arquivo com DRM, ele só possa ser movido de um aparelho para o outro, nunca copiado. Pronto, resolvido o problema. Mas não, a indústria prefere controlar todos os passos de como o documento eletrônico é usado e por isso, vão fracassar miseravelmente, de novo.Foi como eu disse com o Leo em uma conversa que tivemos outro dia: enquanto um leitor de ebooks da vida não der a mesma liberdade de fazer com o livro o que o usuário quiser, ele não pega. E digo mais, com 500 dólares, compra-se pelo menos uns 30 bons livros novos. E o tal argumento de que eu posso carregar 80 livros é furada. Ao contrário de uma música que não passa de 5 minutos ou um filme que não passa de 2 horas, um livro pode levar dias e até semanas para ser concluído. E dificilmente uma pessoa fica pulando de livro em livro, procurando o que se quer ler. Livros exigem imaginação, e uma certa dose de concentração e raciocínio para imersão total no texto.

Nesse caso, o papel ainda continuará ganhando até que ebooks virem um serviço de assinatura semelhante à telefonia celular: paga-se uma quantia módica pelo aparelho que virá com 5 livros de livre escolha e depois uma assinatura mensal que permitiria descarregar mais um certo número de livros por mês ou melhor ainda, páginas. Que sejam mil páginas por mês, de qualquer obra, de qualquer autor. Pronto, estaria formado um mercado. Agora, dizer que só é possível passar um livro 6 vezes é garrotear o mercado antes mesmo dele existir.

Os fabricantes já se deram mal uma vez, ao serem draconianos no controle. Afrouxaram um pouco, mas ainda está longe de ser algo atraente para a vasta maioria dos consumidores. Pense assim: você acaba de ganhar um bônus de 600 dólares em uma loja de departamentos e pode escolher: 1 PS3 + 2 títulos OU 1 Sony Reader + 4 livros? Qual deles você escolheria?

O formato atual não precisa de energia, se cair no chão, o máximo que acontece é amassar um pouco, pode-se fazer com ele o que quiser, até usar como papel higiênico numa emergência. Ou dar de presente, doar para uma biblioteca, emprestar para alguém e por aí vai. E não custa nem 1/10 de um iRex (€ 650,00) É quase imbatível e a indústria parece não entender que é preciso oferecer vantagens para adoção de um gadget. O celular apresentou várias como mobilidade na comunicação de voz e dados, o tempo todo, mesmo sendo mais caro que o telefone convencional. Nesse caso, o benefício superou o custo e agora existem mais celulares que linhas convencionais.

Leitura só traz benefícios. É senso comum que quanto mais um povo lê, maior é a sua capacidade de criação, invenção e tolerância a diferenças, ao novo e inovador. DRM da forma como está sendo aplicada a livros é aprisionar o conhecimento de forma mesquinha. Não há outra forma de se colocar.

Como a propriedade intelectual precisa ser protegida e toda a cadeia de produção remunerada, vou continuar com o bom, e até o momento imbatível, livro impresso em papel.

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