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Adobe e Symantec contra a Microsoft

22/09/2006 às 2:17

Se você é usuário de Windows sabe que após instalar o sistema operacional vai precisar de fôlego para uma bateria de instalações de softwares para que o computador possa ser útil mesmo para tarefas básicas. Diferente de MacOS e Linux o Windows apresenta-se, após a instalação, desprovido de programas que possam desempenhar funções em um ambiente SOHO. Não há sequer um bom processador de textos instalado (antes de mencionar o Wordpad tente trabalhar com ele), nem uma planilha básica. As primeiras versões do Windows XP sequer conseguiam reproduzir um DVD de vídeo antes da instalação de um codec de terceiros.Em contra partida MacOS e Linux trazem vários aplicativos de produtividade já na mídia de instalação do SO. Falando do Linux que eu conheço bem a maioria das distros traz suporte à vários tipos de formatos e mídias e vários programas que podem ser selecionados durante o processo de instalação do sistema. O resultado é que após o primeiro boot você já tem boa parte dos programas que você precisa instalados e funcionando. Isso é tão crítico que a Microsoft vem buscando adicionar funcionalidades ao seu sistema e ao longo dos anos tem incluído softwares de produção competentes no sistema operacional. Não estou falando da calculadora do sistema ou do Paint. O primeiro foi o IE, que já no Windows 98 era parte do sistema. Depois foi o Outlook que saiu do Office e ganhou uma versão leve (express) presente durante a instalação. Seguiram o mesmo caminho o Windows Media Player, o MS Photo Editor, o Windows Firewall e agora no Windows Vista o Windows Security Center promete adicionar facilidades de segurança ao sistema para que ele esteja mais seguro quando instalado.

Isso é muito bom, pois o Windows está melhorando como produto e é um reconhecimento da Microsoft de que o SL vem trilhando o caminho correto. E acredite, se a Microsoft segue os passos de alguém é porque é o caminho certo mesmo. Entretanto, junto com todos esses softwares muitas reclamações estão vindo também. No começo eram associações de usuários como a EFF (Eletronic Frontier Foundation) que reclamavam da tentativa de monopólio da Microsoft ao adicionar seus próprios programas ao seu sistema operacional. Isso começou com a Netscape. Quando o Netscape Navigator era o navegador mais usado do mundo a MS decidiu tornar o IE parte fundamental do Windows. Como o Windows já trazia um bom navegador consigo boa parte do mercado decidiu que não havia necessidade de instalar outro programa para a mesma função. O IE chegou a ter mais de 90% do mercado mundial de navegadores e até hoje ainda é o programa mais usado com larga vantagem sobre o segundo lugar, o Firefox (com agora cerca de 10% do mercado apenas).

Deve ficar claro que a grande queixa da Netscape e da EFF não era o Windows trazer um software da própria Microsoft, isso é um direito da empresa e todos reconhecem isso. A queixa ocorreu porque o IE não poderia ser retirado do sistema mesmo que o usuário quisesse fazê-lo por optar por outro software. O reconhecimento de que isso infringe o direito do usuário pelas justiças dos EUA e da Europa deu início à um monumental processo contra a MS. O mesmo tipo de processo repetiu-se novamente depois, graças ao Windows Media Player. Novamente uma empresa que tinha um produto lider de mercado, a NullSoft com seu WinAmp, reclamou muito quando a empresa de Redmond tornou seu player realmente bom e decidiu incluí-lo como tocador padrão no sistema. Novas acusações de que era difícil retirar o tocador do sistema para usar outro programa e outras alegações de violação de práticas de livre comércio levaram à um novo processo da Europa que rendeu uma multa milionária à Microsoft.

Foi com esse caso que as reclamações não de consumidores e de associações destes mas de outras empresas contra a metodologia da MS de colocar programas no Windows começaram. E sempre pelo mesmo motivo: quando a MS adiciona um programa no Windows ele não pode ser retirado. Seria ótimo que a Microsoft incluísse uma versão, ainda que mais leve ou light, do Office no Windows para tornar o sistema mais útil após a instalação. Mas o correto seria que ela desse ao usuário a chance de desistalar esse pacote em favor de outro software que o usuário escolhesse. Do contrário constitui prática monopolista. E é exatamente essa a acusação de Adobe e Symantec agora fazem contra a Microsoft em cortes européias.

A Symantec acusa a Microsoft de atitude irregular ao integrar soluções de segurança e anti-virus no Windows Security Center do Vista. O fato do usuário não conseguir desistalar os softwares Microsoft do sistema ao optar por produtos Symantec constituí uma “dificuldade à competição livre entre as empresas”. A Adobe, por sua vez, acusa a Microsoft de inibir a competição ao inserir suporte à criação de PDFs no Office. Segundo a Adobe a MS não poderia incluir suporte gratuito à criação destes documentos em seu pacote de programas para escritório.

Pareceres preliminares de especialistas no assunto são desfavoráveis para a Microsoft e pode ser que a Microsoft tenha que modificar ou até mesmo retirar suportes à esses recursos nas versões finais dos produtos. Se isso ocorrer será um duro golpe para a Microsoft e seus planos de adicionar novos recursos aos seus softwares. Para ficar claro, é direito da MS adicionar funcionalidades ao seu sistema, desde que ela permita que o usuário as retire se desejar. E nesse aspecto ela poderia continuar seguindo um pouco mais os passos das grandes distros Linux, que trazem muitos softwares incluídos e oferecem ao usuário uma grande flexibilidade de escolha entre eles.

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