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Como enganar o consumidor sem infringir leis

22/09/2006 às 1:04

O YouTube é um site para que as pessoas possam compartilhar vídeo com a internet. Existem outros sites no mesmo estilo como o Yahoo! Video e o novo SoapBox da Microsoft. É algo muito legal e divertido. Mas agora empresas estão aproveitando-se desta tecnologia para fazer propaganda ou contra-propaganda disfarçada de vídeo pessoal. A técnica, apelidada de smear-video consiste em colocar atores que fingem ser pessoas reais em situações preparadas para parecerem cotidianas e então passar uma mensagem de marketing.Até agora, em se tratando de conteúdo do YouTube, dois casos ficaram famosos. O primeiro a chamar a atenção era de uma menina que usava o apelido de Lonelygirl15 (Garota Solitária de 15 anos) que filmava situações de sua vida diária. Atraiu uma atenção imensa recebendo milhares de acessos diários. A protagonista era na verdade uma atriz chamada Jessica Rose que fez os vídeos para auto-promoção, mostrando que é uma boa atriz. A desconfiança sobre os vídeos da suposta adolescente em crise existencial surgiu quando muitas pessoas notaram que a iluminação, dentre outras características técnicas, era boa demais para um vídeo amador.

Outro caso que tornou-se famoso foi o vídeo de um celular da Samsung. Uma mulher sorridente aparece comentando que adquiriu aquele produto mas que o considerava frágil demais e para provar ela simplesmente quebrava o aparelho ao meio com as próprias mãos. Depois aconselhava aos espectadores que, se quisessem um celular durável e resistente, que não escolhessem a Samsung. Não se sabe ainda quem criou o vídeo, mas a empresa coreana disponibilizou várias unidades do aparelho para que membros da imprensa normal e de tecnologia testassem a resistência do produto. Obviamente ninguém mais conseguiu quebrar o aparelho ao meio, mas com certeza muitas pessoas que assistiram ao vídeo comentarão com amigos que aquele aparelho “tem um problema”. O vídeo original foi retirado do ar pelo site.

A grande questão aqui é: e se essa moda pega? Se empresas de todo o mundo começarem a disfarçar sua publicidade de vídeo amador e começarem a publicar no YouTube e em outros sites do gênero. No quê você poderá acreditar? Imagine uma empresa criando um vídeo desses anunciando um produto fantástico. Depois que você compra percebe que várias coisas prometidas naquele “vídeo amador” são mentira. A rigor como o vídeo não era uma publicidade do produto (mesmo tendo sido paga e divulgada pela empresa) você não terá direito nenhum de cobrar o que foi prometido.

O mercado e as empresas mais sérias estão preocupados com as conseqüências que esse tipo de publicidade pode causar. Principalmente porque muita gente acha que o consumidor deve estar ciente de que o que está vendo é uma propaganda de um produto. Será que iremos precisar de uma legislação específica para esse tipo de coisa? Provavelmente. Mas considerando a lentidão que esse tipo de processo apresenta no Brasil ficaremos nós, consumidores, à mercê de empresas inescrupulosas e propagandas dúbias disfarçadas de conteúdo amador?

Via Cnet

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