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"Hackeou? Jogaremos Bombas”. E agora é oficial.

Governo dos Estados Unidos deixa claro: quem hackear as redes de comunicação norte americanas sofrerá retaliações — até mesmo militares!

18/05/2011 às 18:42

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A Casa Branca tem um potencial enorme para surpreender o mundo. Quer seja explodindo em um ataque alienígena arquitetado em Holywood ou emitindo documentos encardidos que dão forma à sua política dedo-mole quando o assunto é "segurança nacional".

Um caso de hacking, hoje, poderia ser o responsável por iniciar uma guerra entre países? De acordo com o governo americano, sim, claro. E por que não?

O governo yankee acaba de publicar a nova "Estratégia Internacional para o Ciber-espaço" (PDF, em inglês) e a mensagem é bastante simples e direta: invada as nossas redes e responderemos com bombas e ações de guerra.

"Estados independentes tem o direito inerente de se auto-defenderem contra certos atos de agressividade iniciados no ciber-espaço", dita o documento.

Department of homeland security sealsvg Um outro parágrafo da publicação oficial diz:

"Certos atos hostis conduzidos através do ciber-espaço podem compelir ações subordinadas aos compromissos que mantemos com nossos parceiros em tratados militares"

E continua:

"Quando confirmados, os Estados Unidos responderão a estes atos hostis via ciber-espaço da mesma maneira que o faríamos diante de qualquer outra ameaça ao nosso país".

Adiante, a nova estratégia prevê a resposta via a utilização do poderio militar apenas como um último recurso, após todas as tentativas diplomáticas e econômicas terem sido plenamente esgotadas.

Entretanto, é a primeira vez que um documento oficial direto da Casa Branca insere uma resposta militar especificamente direcionada ao hacking e ataques cibernéticos no protocolo estratégico da segurança nacional.

De uma certa maneira, o governo agora passa a assumir um novo valor público sobre a sua posição em relação à Internet e a segurança da informação, deixando claro que não mais pretende presenciar transgressões atrás de saídas burocráticas da legislação — ou então quem sabe de retaliações invisíveis por meio de suas agências de segurança, inteligência e serviço secreto. A política de resposta agora é pública e notória; e o mundo inteiro ouviu.

Essa pode ser, analisando o assunto de uma maneira indireta, uma resposta consolidada que pode, de fato, transformar ações como o recente vazamento promovido por Julian Assange, em atos de guerra. Especialmente pelo fato de que o governo norte americano falhou em encontrar uma estratégia efetiva para conseguir a cabeça de Assange e o WikiLeaks ainda está feito uma espinha de peixe atravessada na goela do governo.

A nova estratégia posiciona mais abertamente a intenção dos EUA de usar suas forças armadas primeiro, depois as suas cortes. Que todos conhecem bem a capacidade norte americana de resolver as coisas na bala, isso ninguém combate. Agora, introduzir as ações de resposta militar em esferas de pormenor com a questão de segurança e o hacking, poucos esperavam e as enormes fileiras de partidários e contrários já se alinharam.

Mas nem tudo são ataques. Segundo a estratégia de segurança publicada, manobras de defesa são ainda mais enfatizadas no documento. "Uma rede global de distribuição requer uma capacidade preemptiva igualmente global de alerta", dizem outros parágrafos, que pregam o que poderia ser chamado claramente de uma nova tentativa do governo norte americano de criar e integrar uma rede mundial de sistemas de defesa, ligada a todos os países, reforçando por escrito seu apoio integral à ultra-polemizada Convenção de Budapeste — da qual o Brasil (Projeto Azeredo) e ainda muitos outros países não são signatários.

É como dizem por aí, escrever é relativamente fácil e o papel aceita qualquer coisa. Mas ninguém consegue ignorar o fato de que o governo dos EUA acaba de colocar o mundo em alerta com um novo paradigma, explicitamente delineado em um dos últimos parágrafos da nova estratégia de resposta para o assunto, e diz:

"Os Estados Unidos da América assegurarão que os riscos associados a ataques ou exploração de nossas redes sejam vastamente mais significativos que seus potenciais benefícios".

Não é um documento enorme (apenas 25 páginas) e vale a pena ser lido para que melhor se compreenda como pensa o Tio Sam essa questão. Exagerado ou justificado, o velhinho de cavanhaque branco e cartola parece ser o primeiro a dizer formal e oficialmente que a guerra virtual, para ele, agora é real.

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