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Osama Bin Laden–Até a tecnologia é coisa de filme

06/05/2011 às 12:13

sealteam6

A captura de Osama Bin Laden foi uma operação genial do SEAL TEAM 6, aquela tropa de elite dos SEALs que fez Força em Alerta parecer totalmente plausível, mas é preciso mais do que supersoldados que dariam uma coça no Gibbs, no Ryback e nos Expendables ao mesmo tempo para capturar o maior supervilão da década.

É preciso inteligência e tecnologia.

Inteligência, pois o mundo é um lugar muito grande e muito hostil. Não dá para estar em todos os lugares ao mesmo tempo, e se uma pessoa não quer ser achada, não será. Não facilmente. Anos de dados interceptados mostraram que Osama não usava comunicação eletrônica, isso inviabiliza toda a estrutura de aquisição de informações como o Echelon.

Seus principais contatos também não o faziam.

A Inteligência foi identificar vários correios da Organização, ainda em “começo de carreira”. Nessa hora você tem que avisar às outras agências de inteligência, como o MOSSAD, para marcar o sujeito como intocável. Feito isso acompanharam o crescimento do cara, eliminando alguns superiores e direcionando a “carreira”. Não duvido NADA que uma ou outra operação terrorista tenha sido permitida, para não comprometer a posição do mensageiro.

Quando ficou evidente que ele tinha acesso direto a Bin Laden, foi hora de começar a vigiar 24/7 a casa do cidadão. Provavelmente usando GlobalHawks, que contam com sistemas ópticos melhores, voam mais rápido que Predadores, são mais furtivos e podem fugir com maior velocidade, se identificados.

A parte crítica foi o trabalho de solo, com agentes sondando a região, acompanhando o dia-a-dia do bairro, montando plantas da casa através de comentários soltos de empregados, calculando quanta gente havia lá, baseado na quantidade de comida adquirida nas lojas.

Em um mundo ideal Osama iria para a varanda e um sniper daria cabo dele, mas em um mundo ideal não existiria Bin Laden. Se bem que não existe mais, e ainda não é ideal. Bombas estavam fora de cogitação, ou não sobraria nada ou ele poderia escapar, dizer que Osama estava vivo seria muito simples para a Al Qaeda, já que não haveria corpo para ser mostrado.

A operação foi feita pelos métodos mais eficientes e difíceis, com uma Tropa de Elite da Elite. O mais impressionante é que foi o Plano B, o Plano A era descer todo mundo de rapel e começar a ação pelo 3o andar, onde ficava o Cafofo do Osama, mas o acidente com o helicóptero alterou a estratégia. Tudo bem, SEALs só entram se tiverem pelo menos um plano C.

O Helicóptero

Assumindo que Bin Laden morava no mesmo lugar desde 2005, menos de 500m de distância da Academia Militar do Paquistão, no mínimo havia alguma conivência com as autoridades locais (por autoridades locais entendam do Presidente pra baixo). A operação deveria ser black, muito black.

Como invadir o território de um país altamente militarizado, passando por uma fronteira de conflito, chegar até o centro de uma cidade de 100 mil habitantes sem ser detectado?

Em Dívida de Honra Tom Clancy fez isso usando Comanches, mas o projeto foi cancelado, o único helicóptero stealth projetado para transportar forças especiais dentro de território inimigo não existe. Ou existe?

Existe.

É o Águia de Fogo, uma versão altamente modificada do BlackHawk. Isso mesmo, fontes bem posicionadas dizem que o codinome do projeto, que teria sido desenvolvido pelo secretíssimo Technology Applications Program Office do Exército dos EUA, seria Airwolf, em homenagem ao mais fantástico helicóptero que já existiu!

ghosthawk

A imagem acima não é oficial, o Pentágono nega inclusive a existência do helicóptero, ela foi criada a partir de relatos, dados espalhados pela web e imagens da aeronave acidentada durante o ataque ao complexo de Bin Landen. O autor é o excelente blog Aviation Graphic.

Esse helicóptero que não existe seria totalmente Stealth, com pontas de rotores projetadas para eliminar o acúmulo de eletricidade estática, que faz com que brilhem no infravermelho. As coberturas de ambos os rotores também absorveriam sinais de radar e alterariam a assinatura acústica, fazendo com que ele fosse 10 vezes mais silencioso que um helicóptero normal, e principalmente o som deixasse de ser direcional.

O Tuiteiro que tuitou o ataque só comentou quando os helicópteros estavam em cima, o que corrobora a informação sobre o som.

A missão quase começa em tragédia, pois na chegada um dos Águias de Fogo sofreu uma pane. Felizmente os pilotos de elite da Força-Tarefa, 160, grupo TOP de helicópteros do Exército dos EUA são considerados os melhores no que fazem. Há suspeitas de que a aeronave tenha sido atingida por um RPG, outras informações dizem que houve uma súbita perda de sustentação, mas a reação rápida do piloto colocou o Águia em queda controlada, fazendo um pouso DENTRO do complexo. Foi por pouco, a cauda ficou pra fora do muro.

ghosthawk2

Vídeos do local mostram crianças recolhendo pedaços da fuselagem, claramente não era uma aeronave de alumínio ou mesmo titânio, mas de algum composto sintético ultrasecreto, que com certeza afeta assinatura de radar e peso. Mais autonomia, menos necessidade de tanques externos, sempre um problema para ocultar de radares.

Outros relatos dizem que a aeronave, e possivelmente os SEALs estavam equipados com sistemas de visão hiperespectral. Eles estão para os óculos de visão noturna como um SEAL do Team 6 está… para mim. Sem entrar em muitos detalhes, são equipamentos que combinam informação de várias faixas diferentes do espectro eletromagnético, dando ao usuário algo parecido com que seria a visão do Geordi LaForge em Star Trek, ou mais precisamente, a do Predador.

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Capturando, decodificando e qualificando a assinatura do espectro luminoso total, um visor desses pode olhar uma parede e diferenciar manchas de suor invisíveis de alguém que mexeu com explosivos e alguém com mãos limpas. Um copo com água teria uma assinatura visual diferente de um copo com cachaça, por exemplo. Isso dá ao soldado a vantagem tática de OLHAR um suspeito e ver se ele está com um colete explosivo por baixo da roupa.

A cereja do bolo é que quando o grupo estava em cima da casa, relatos dizem que toda a comunicação celular, eletricidade e iluminação da região cessaram de funcionar. Como não consta que Operadoras de Telefonia Brasileiras prestem serviço no Paquistão, a alternativa mais próxima é que alguma arma de pulso eletromagnético tenha sido usada.

O Pentágono nega ter conhecimento, claro.

Sem luz, sem possibilidade de usar o celular e chamar reforços, Bin Laden era um alvo fácil. O grupo entrou na casa com precisão e tranquilidade suficiente para não atirar nas crianças (ou nos terroristas anões, que escaparam). Segundo o relato foram calmos o bastante para atirar na perna de uma das mulheres do Bin Laden, que partiu pra cima deles. “out of my way, bitch!”

m4cqbr

Feito isso, provavelmente tiraram digitais, fotos, confirmaram toneladas de informações biométricas, garantiram a identidade do Osama e o despacharam para o Inferno, com um double-tap de uma carabina M4 CQBR – Close Quarters Battle Receiver, uma versão modificada da M4 para combate urbano de curta distância.

Alvo eliminado, “Pegamos Gerônimo”, foi o sinal enviado pelos SEALs. Passo seguinte coletar inteligência. 10HDs, 5 computadores e 100 pendrives, provando que Osama de Mega Terrorista virou camelô. Daí empacotaram o corpo, levaram pro helicóptero e só não exibiram para o mundo inteiro e inventaram a história de sepultamento no mar, por causa de um pequeno acidente:

Última ação antes de pedir a carona de volta? Explodir o Águia de Fogo acidentado, usando provavelmente todo o C4 que trouxeram. Só sobrou a cauda, que depois foi recolhida pelo exército paquistanês. Neste momento deve estar acontecendo um leilão entre EUA, que querem de volta sua tecnologia e China, que adoraria colocar a mão em um helicóptero stealth ultrasecreto.

auau

De todas, a tecnologia mais eficiente usada: Os Cães de Guerra. Incomparáveis em lealdade e inteligência, cachorros são usados como detectores de bombas e pessoas, varrendo uma casa em segundos. Esses animais não só andam com câmeras transmitindo em tempo real seu ponto de vista, como vestem coletes de Kevlar. Para lidar com inimigos que usem coletes e outras vestes de proteção, alguns desses cachorros têm seus caninos substituídos por dentes de Titânio. Quase fico com pena imaginando um desses pulando no pescoço do Osama. Quase.

Homem-Máquina

A maior lição que podemos tirar disso tudo é “não mexa com Obama”. A segunda maior lição é que não adianta ter a tecnologia pela tecnologia, ela sempre foi e sempre será uma ferramenta. O fator humano ainda é o mais importante. Toda a inteligência eletrônica do mundo não adiantou de nada, pois Osama, como nós, usuários Velox não tinha internet em casa. Bombas inteligentes, aviões espiões, helicópteros secretos, cachorros biônicos foram apenas ferramentas. Nenhum robô, exceto de um T800 pra cima conseguiria lidar com a enorme quantidade de variáveis desconhecidas de uma ação como essa sem que a operação terminasse em massacre ou fracasso.

É um belo avanço, levando-se em conta que 50 anos atrás a solução provavelmente seria soltar uma bomba de Hidrogênio em Abbottabad.

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