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[Análise] Microsoft Arc Touch Mouse

Testamos o Arc Touch, elegante mouse top de linha da Microsoft. Ele tem uma pegada diferente, formato único e dispensa a wheel em prol de uma faixa sensível a toques. É bom? Confira na nossa análise!

06/05/2011 às 10:36

Muitos reclamam dele, atribuem ao seu manejo diversos problemas de saúde modernos, como a LER/DORT, mas no fim das contas ainda não inventaram dispositivo de entrada mais prático e preciso para se usar em computadores.

O mouse.

Tem quem negligencie esse item de suma importância em qualquer desktop, tirando do orçamento R$ 10 de "um xing-ling qualquer". Mas sendo o mouse um dos dispositivos de entrada mais importantes, vale a pena investir num modelo bom, ergonômico e durável. Sua saúde, física e mental, agradece.

Mesmo sendo uma empresa de software, a Microsoft é reconhecida, inclusive entre muitos Mac-users, como uma excelente fabricante de "mouses". A fama não é à toa; essa linha da empresa realmente esbanja qualidade, que aliada à garantia padrão de três anos, passa muita confiança para potenciais consumidores.

Mesmo bons e duráveis, os "mouses" da Microsoft continuam evoluindo. A empresa tem um mix de pesquisa interessante: foca tanto em partes fundamentais da coisa, como a nem tão recente e ótima tecnologia BlueTrack, quanto em novos formatos e cores bonitinhas para agradar a todos os públicos.

O Arc Touch é, hoje, o ápice da linha de "mouses" da Microsoft. O posto terá um novo ocupante em breve, quando o vindouro Microsoft Touch Mouse for lançado, mas por ora cabe ao Arc Touch, anunciado em setembro de 2010 e lançado no Brasil no começo de abril, a tarefa de mostrar ao mundo o que a Microsoft tem de melhor em termos de mouse. Será que consegue? Vejamos em nossa análise!

Elegante

Arc Touch

Arc Touch. (Imagem de divulgação)

A caixa pequena, com poucos itens dentro, pode passar a impressão de um produto barato. Não se engane. Aqui, no Brasil, o preço sugerido para o Arc Touch é de salgados R$ 229. A título (desleamente) comparativo, o mesmo mouse sai, nos EUA, por US$ 69,95, algo em torno de R$ 112.

Preço à parte, o Arc Touch esbanja elegância. Essa é, talvez, a palavra que melhor o defina: elegante. O mouse é uma versão evoluída da linha Arc, no mercado há mais tempo. De diferente, o Arc Touch tem metade do seu corpo numa textura meio emborrachada e dobrável, bastante agradável ao toque, e a supressão da wheel, a famosa "rodinha", padrão em mouse há mais de uma década. Aliás, é do substituto da wheel que vem o "Touch" do nome: trata-se de uma superfície sensível a toques.

Modo de funcionamento

O Arc Touch é um mouse... diferente. E já começa mostrando sua veia exclusiva mesmo antes de ser ligado. A parte emborrachada é dobrável e, enquanto desligado, ela permanece plana, reta. Para ligar o mouse, é preciso dobrá-lo ao meio. Sim, na primeira vez dá uma sensação estranha, de que o mouse quebrará, mas o mecanismo passa bastante segurança nesse sentido — quando chega no ponto exato para ligar, ouve-se um "clique".

Arc Touch desligado/'reto'.

Arc Touch desligado/'reto'.

A metade que não é emborrachada apresenta acabamento em black "condutor de digitais" piano. Não precisa usar muito para os locais dos botões esquerdo e direito ficarem com marcas, que saem com uma passada de pano, mas de qualquer forma, não demoram nada a voltar. Eu queria entender o que o product designer que coloca black piano em áreas que devem ser tocadas tem na cabeça...

Entre os botões, onde deveria estar a wheel, descansa o maior destaque do Arc Touch, sua superfície sensível a toques. É uma "fita" prateada com um corte no meio. Parece complicado, mas após se acostumar, aquilo muda radicalmente a sua visão em relação ao mouse e transforma as rodinhas mecânicas em algo feio e desengonçado.

A faixa de toques (abreviemos para isso) tem vários truques bacanas. Ela tem três áreas sensíveis, que dão retorno tátil mais ou menos como alguns smartphones touchscreen fazem, com uma "tremidinha" no local tocado. No caso do Arc Touch, esses locais são o começo, o meio e o fim da faixa.

Tutorial interativo do Arc Touch.

Tutorial interativo do Arc Touch. (Clique para ampliar)

Os truques são os seguintes:

  • Arrastar o dedo para cima ou para baixo: rolagem normal de páginas. É, provavelmente, o único comando que você saberá de cara, antes de ler essa análise ou o manual (essa versão interativa é muito bacana);
  • Clique duplo no corte central: equivale ao clique na wheel, o "botão" do meio do mouse;
  • Clique nas extremidades: funcionam como as teclas Page Up e Page Down. Um clique na base dá um salto na página; outro no fim da faixa de toques, sobe a página. Simples e prático.

A rolagem é suave, ou seja, você pode rolar o dedo como se estivesse friccionando um carrinho, e mesmo após perder o contato com a faixa de toques, a página continuará rolando. Um clique em qualquer botão ou na própria faixa interrompe a rolagem.

Botões e faixa de toques em destaque.

Botões e faixa de toques em destaque.

Parece meio bobo, mas depois que se pega o jeito, tudo soa tão natural e mais... cômodo. Especialmente em se tratando da Microsoft, que apesar do histórico quase imaculado dos seus "mouses", sempre teve problemas em entregar wheels boas (a do meu mouse, um Wireless Optical Mouse 2000, é bem ruim).

"Mas me disseram que o mouse é ruim. É mesmo?"

Já li relatos de que o Arc Touch é ruim e isso, atrelado à minha experiência com o mouse, vale um tópico à parte.

Arc Touch ligado/curvado.

Arc Touch ligado/curvado.

Eu estava curioso pra caramba para testar o Arc Touch (aliás, nossos agradecimentos à Microsoft pela cessão de uma unidade para análise. Valeu!). Tanto pelo formato, quando pelas firulas da faixa de toques... Tudo bem diferente de um mouse tradicional.

Assim que ele chegou e, pela primeira vez, o experimentei, o choque foi grande. O Arc Touch é um mouse bem diferente, como já disse lá em cima. Seu formato "vazado" obriga você a segurá-lo da (única) forma correta, e o laser, localizado na ponta do mouse e não no centro, como é padrão, muda radicalmente o manejo do mouse. Para ter a precisão e a destreza que se tem com um mouse normal, leva tempo.

É esse o grande segredo do Arc Touch: a sua curva de adaptação é gigantesca se comparada à de qualquer outro mouse. Hoje é o quinto dia em que o uso exclusivamente e, enfim, me sinto confortável utilizando-o — e já prevejo problemas de readaptação com meu mouse velho, depois que despachar esse de volta para a Microsoft.

Então, não, o Arc Touch não é um mouse ruim. Ou melhor, para algumas coisas, como jogos, ele não é ideal. Mas para trabalhar, navegar na Internet e fazer outras atividades, dá conta do recado com folga. Se vale os R$ 229 que a subsidiária brasileira pede nele, aí são outros quinhentos e a resposta varia de pessoa para pessoa — para mim, não vale. Se eu ganhasse um de presente, porém, aceitaria de bom grado e o integraria ao meu PC sem pensar duas vezes 😉 .

O que mais?

Há outros detalhes que chamam a atenção, como o dongle USB, minúsculo e que, fora de uso, fica acoplado na parte côncava do mouse, grudado por um ímã. Há um indicador de estado (ligado/desligado) antes da faixa de toques, também. O alcance do sinal é grande, graças à frequência de 2,4 GHz; de acordo com a Microsoft, a até 9 metros de distância do dongle USB, ele funciona. E funciona mesmo a essa distância, testado e comprovado.

Por fim, e quase desnecessário dizer, o Arc Touch é um mouse belíssimo, do tipo que se deixa em cima da mesa, não escondido na tampa retrátil junto com o teclado.

Infelizmente, devido a restrições temporais, não foi possível testar a autonomia das pilhas (duas, palito/AAA). Procurei experimentar o mouse em diversos cenários; o único no qual ele foi irremediavelmente problemático foi no de games. Testei alguns FPS e... não dá, mesmo. Talvez com muito esforço e prática se consiga jogar bem, mas a curva de adaptação tende a ser (bem) maior que a já grande para uso geral.

Perfil do Arc Touch ligado.

Perfil do Arc Touch ligado.

O Arc Touch é um mouse diferente. Bonito, elegante e meio arredio, do tipo que pede atenção nos primeiros dias, dá trabalho para domar, mas que, depois dessa iniciação complicada, recompensa o usuário com truques deliciosos com a faixa de toques e boa ergonomia no uso para tarefas cotidianas.

Pontos fortes: visual elegante; faixa de toques com truques super legais; tecnologia BlueTrack. Pontos fracos: terrível para jogos; curva de adaptação maior que o usual; botões em Black Piano. Nota final: 8,0.

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