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Leaking e novas fronteiras: riscos e culturas

Vazamento de informações sobre o iPad 2 na China levanta questões importantes sobre a possível abertura de uma fábrica da Foxconn no Brasil.

04/05/2011 às 16:09

Leaking tap

"Olha o Passaralho..." foi o que disseram os oficias de polícia ao fichar os três funcionários da Foxconn na delegacia mais próxima na cidade de Shenzhen, na China.

A notícia já correu um bocado alguns meses atrás. Praticamente três meses antes do lançamento do iPad 2 (dez/2010), a imprensa de tecnologia já fazia circular imagens sobre protótipos de peças e informações sigilosas sobre o design e funcionalidades do último lançamento da Apple.

Os três dedos-podres da Foxcoon foram presos e formalmente acusados de vazamento industrial e quebra de acordo de confidencialidade.

A taiwanesa Foxconn numa outra ocasião suspeitou ela mesma de vazamentos e no dia 26 de dezembro de 2010 apresentou os tais funcionários para apuração. Não deve ser fácil manter o cabresto com tanto dinheiro orbitando ao redor de informações privilegiadas. Especialmente para o líder da pirataria em todo o mundo.

Na ocasição, diversos distribuidores do varejo chinês já ofereciam os cases de proteção do iPad 2, bem como a tal nova capinha multi-função, antes mesmo do iPad ser lançado oficialmente.

A história pode se combinar muito bem com a recente notícia de que a Apple trará no copinho do sovaco a Foxconn para produzir e distribuir em terras canarinhas.

Atualmente, no mapa da pirataria e violações industriais, o Brasil figura entre os países com os maiores indicadores, vindo entre os sete maiores violadores de direito autoral, em uma lista que compreende a própria China (em 1º), a Ucrânia (em 2º) e a Indonésia (em 3º) no ranking mundial.

Segundo Joseph Pucciarelli (Hi, Cuz!) diretor de finanças em tecnologia e estratégia da IDC, a falsificação desempenhará um papel central nas grandes operações de tecnologia e pode reposicionar todos os players da esfera digital e de TI, sendo o tema "algo a que se deve agir" para todos da indústria.

O mercado de leaking anda em paralelo com o da pirataria e da falsificação, muito embora não se saiba abertamente quais os montantes em dinheiro de tantos casos assim.

De cara, dada a popularidade hyper-hype dos produtos Apple em qualquer canto, esse é um assunto que pode ocupar algumas boas páginas quando do início dos trabalhos da empresa no Brasil.

Com uma predileção quase fanática pelo paralelo, o consumidor brasileiro médio pode até se esconder atrás do discurso de que os impostos são abusivos e os preços injustos. Entretanto, já tão embebida nas tramas da cultura de consumo no país, nem mesmo se os impostos simplesmente desaparecessem isso mudaria do dia para a noite.

Mesmo já sendo lesada algumas vezes por vazamentos com seus fornecedores, a Apple parece sustentar ainda os seus acordos com a maioria deles e tem um histórico de longas relações com as origens de sua matéria-prima. O que pode ser um ponto a favor em mais essa nova expansão para essas bandas de cá.

Não é possível ignorar o "potencial" para o cambalacho em todo o mundo e, atualmente, não somos lá um exemplo nada bom...

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