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Monges escaneados: novos avanços da neurologia

Estudos de monges podem ajudar a entender melhor áreas pouco exploradas do cérebro e, de quebra, contribuir para o combate a males como depressão e Alzheimer.

03/05/2011 às 13:02

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O Dr. Zoran Josipovic da Universidade de Nova Iorque tem gosto por uma atividade profissional um tanto incomum: enfiar monges budistas dentro de uma máquina de FMRI (Ressonância Magnética por Imagem Funcional) e rastrear seu fluxo sanguíneo e atividade cerebral enquanto meditam.

Graças a trabalhos como o dele, hoje podemos identificar novas fronteiras sobre o que acontece com o cérebro enquanto meditamos. O objeto das pesquisas de Zoran é principalmente a sensação de "unicidade" e de não-dualidade atingida pelos monges e praticantes mais aprofundados de meditação.

Um dos principais focos da pesquisa se volta para uma parte do cérebro ainda não totalmente explorada pelos cientistas e que estaria associada a uma rede neural especialmente disparada durante atividades intrínsecas. Por exemplo, como quando estamos em reflexão, imaginando e criando coisas, imersos em nossos pensamentos etc. A essa rede neural é dado o nome de rede-padrão.

Essa rede intrínseca foi descoberta inicialmente pelo Dr. Marcus Raichle, um neurologista da Escola de Medicina da Washington University, ao monitorar a atividade cerebral de pessoas que não tinham qualquer tarefa a desempenhar ou executar. Ele ficou surpreso ao perceber que uma rede neural praticamente não observada anteriormente era atividada no exato momento em que as pessoas começavam a ficar entendiadas.

Há uma outra rede neural extrínsica que é ativada em outras regiões do cérebro quando estamos a executar tarefas como jogar tênis, correr, escolher as compras no supermercado, entre outras coisas. Jospovic parece ter descoberto que os monges conseguem integrar e ativar ambas as redes neurais durante a meditação.

Seus novos estudos, que devem ser republicados em breve, trarão esclarecimentos a respeito de como ambas as principais redes neurais de atividade cerebral são "conjugadas" durante este processo e o que pode resultar disso.

O que, segundo as constatações de sua pesquisa intitulada "A influência da consciência não-dual em redes neurais anti-correlacionadas", é precisamente o que deprende a sensação de "unificação" do ser com o todo, comumente conhecida pelos religiosos e místicos como uma experiência de unicidade, não-dual, que se dissipa após o processo medidativo.

Os estudos podem trazer novas conclusões a respeito de problemas como a depressão,
autismo e Alzheimer.

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