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GTalk e Orkut não são páreo para concorrência

27/07/2006 às 22:55

O gigante Google está patinando feio no mercado de Mensagens Instantâneas (ou IM) frente aos concorrentes. Números de Junho de 2006 mostram que o serviço Google Talk atingiu apenas 1% de participação de mercado no segmento, um número tímido demais para uma empresa acostumada a fazer barulho em cada mercado que entra. Mas não é só no segmento de IMs que os serviços do Google estão desapontando os analistas. As chamadas redes sociais, serviços oferecidos para que usuários mantenham amigos e comunidades on-line entre outras atividades, tão populares nos dias de hoje também são um nicho onde o produto do Google, chamado Orkut, está comendo poeira da concorrência.O Orkut, rede social do Google, mesmo com uma grande penetração no mercado brasileiro, tem miados 279.000 usuários nos EUA contra 4,7 milhões de usuários do Yahoo 360 e impressionantes 52 milhões de usuários do MySpace, todos números do mercado dos EUA. Uma rápida visita à esses serviços dá uma boa pista da razão de desempenhos tão distintos. O MySpace tem uma interface bonita e amigável além de oferecer serviços de chat, blogs, jogos e informações sobre cinema e música, deixando de ser apenas uma rede social e buscando identificar-se como um ponto de encontro para entretenimento e interatividade entre os usuários. O Yahoo 360, mesmo agregando muitos desses serviços demorou um pouco para colocar sua cara no mercado sendo menos conhecido. Mas a empresa já anunciou investimentos para atrair os usuários e buscar aproximar-se da penetração do MySpace. O Orkut, entretanto, mesmo sendo o pioneiro nesta área parece ter parado no tempo. Com uma interface feia e pobre, que nada lembra o resto da plataforma Google, o Orkut não conseguiu sair do básico, oferece apenas a possibilidade dos usuários trocarem mensagens estáticas e participarem de comunidades. Outros recursos menores, como Crush Lists e uma espécie de paquera on-line são tão fracos que a maioria dos seus usuários sequer conhecem suas questionáveis utilidades. Outros fatores, como muito conteúdo gerado em língua não inglesa e a permissividade do sistema à ataques de crackers e roubo de identidade afastaram a maioria dos potenciais usuários. Somando à isso os constantes problemas de estabilidade dos servidores (que nunca merecem donuts 😉 temos um panorama que transforma o Orkut no pior serviço de sua categoria. Os usuários fizeram a matemática de toda essa equação e hoje à exceção do Brasil o Orkut tem um desempenho fraco se comparado ao dos concorrentes.

No mercado de IM o panorama se repete, o Google Talk demorou muito para aparecer. Antes de sua chegada os concorrentes Yahoo! Messeger, MSN Messeger (agora Windows Live Messeger) e AOL Instant Messeger (AIM) já apresentavam-se como boas opções para comunicação instantânea e móvel. A chegada do Gtalk não impressionou o mercado, mesmo baseado no protocolo livre Jabber o que permitiria que qualquer usuário ou programador adicionasse suporte ao Gtalk em outras aplicações ou dispositivos, o comunicador pessoal do Google não conseguiu atrair um número muito grande de usuários. A falta de recursos avançados como chat com vídeo, capacidade de efetuar ligações para o sistema de telefonia convencional, ou mesmo a dificuldade de transmitir arquivos via protocolo (features presentes nos concorrentes) tornou o Gtalk um comunicador leve e rápido, porém com pouca atratividade para usuários que desejam mais do que apenas as mensagens escritas*. Nem mesmo a adição de suporte ao chat no sistema de web mail do Google, o Gmail, melhorou as coisas para o Google Talk. A maioria dos usuários do Gmail considera o chat via web pouco prático e desconfortável.

Para tentar minimizar os prejuízos a Google busca um acerto com a AOL para que os IMs de ambas sejam 100% compatíveis, em um negócio nos mesmos moldes do já acertado entre Yahoo! e Microsoft. O Google espera que usuários do AIM possam ser a catapulta que falta ao Gtalk para brigar de verdade pelo mercado. Em contrapartida o gigante parece ter mesmo aberto mão do Orkut, que tem recebido pouca atenção da empresa para tornar-se um produto melhor.

* Texto corrigido para maior clareza.

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