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Internet Explorer 9–O Wando dos Navegadores

17/03/2011 às 17:48

IE9 Aero Snap

Com mais de 2 milhões de downloads no primeiro dia de disponibilidade, o Internet Explorer 9 não fez feio. Pelo contrário, fez bem bonito, como prometido em um evento para a imprensa especializada que o MeioBit teve o privilégio de participar.

Durante a apresentação ficou clara a mudança de direcionamento da Microsoft. O Explorer não é só um navegador, ele é parte da experiência Windows. Pode parecer óbvio, mas em tempos de nuvem os sistemas operacionais mais e mais caem para segundo plano.

Ao não produzir Internet Explorer para outras plataformas a Microsoft fortalece o produto E o Windows.

“Mas como, se qualquer um sabe que é só baixar o Chrome e o Firefox”

Qualquer um menos sua mãe, sua tia, seu chefe e o seu vizinho. Aí entra a grande mudança de posicionamento do Explorer, desistindo do mercado geek e se focando no que sempre foi o forte da empresa, o usuário doméstico.

É unanimidade entre os geeks não raivosos que o Internet Explorer 9 está BEM decente, deveria inclusive mudar de nome. Sua adoção entretanto será muito baixa entre os usuários avançados, pois o Chrome e o Firefox suprem muito bem nossas necessidades.

O IE9 foi apresentado com vários recursos interessantes, ao menos não para os geeks. A parte de criar um atalho na barra de tarefas do Windows, abrindo menus especializados é tão boa que deveria ser copiada pelos outros, bem como a área de tela, a maior entre todos os navegadores.

IE9 Site Fixo SuperDownloads

A aceleração por hardware foi um recurso que todo mundo definiu como essencial, e a concorrência veio atrás implementando. Ponto pro Explorer. Estão errados? Não, só a Microsoft está errada quando copia um recurso que a concorrência criou, quando é o contrário, chama-se evolução natural do mercado.

Nas demonstrações, claro o Explorer foi muito mais rápido que a concorrência. Que conste nos autos que as versões do Chrome e do Firefox foram as betas e RCs mais recentes, o que tornaria o teste mais justo. Conste também que nos testes escolhidos pela concorrência o IE9 não se sai tão bem, mas como cada navegador escolhe como teste oficial aqueles onde se destaca, a coisa virou bagunça.

Segurança

O IE9 foi apresentado (don´t shoot the messenger!) como o navegador mais seguro do mercado. Pode até não ser, mas está longe do barata-voa que era o IE6. Hoje dá pra navegar sem problemas pela maioria dos sites, e a ferramenta de antiphishing dele essa sim é a melhor entre os principais navegadores e o Opera.

O filtro de ActiveX do IE9 também é um bom sinal de que estão levando a coisa a sério.

Padrões

Depois de tanto tempo onde todo mundo apostava em soluções proprietárias, a postura geral mudou, é bom ver a Microsoft batendo pé em prol de padrões, a ponto de não implementar recursos no IE9 enquanto não há um consenso quanto a sintaxe.

O IE não é perfeito (afinal não é da Apple) mas não importa. A aderência aos padrões foi feita de forma pragmática. A Microsoft listou os 1000 sites mais visitados da Internet e determinou que o IE9 deveria funcionar redondinho neles. Daí foi tirada a prioridade de implementação de recursos.

Não adianta gastar homem/hora, um recurso finito para implementar alguma bobagem que ninguém usa só pra fazer bonito num Acid3 da vida. Que aliás só diz respeito a nerds, que não são o público-alvo do IE9.

Outro Público

Durante a entrevista eu perguntei sobre plugins e extensões. A resposta foi que a Microsoft acredita que o Internet Explorer 9 tem tudo que o usuário precisa para uma experiência de navegação. Insisti na pergunta e consegui uma resposta mais direta: O IE9 suporta extensões e plugins mas a Microsoft não terá qualquer programa de incentivo para desenvolvimento deles.

Nesse momento a ficha caiu: Não é pro meu bico. O IE9 está sendo direcionado para as mães, não para os filhos. Ele é um Wando, com suas manias, seu jeitão esquisito mas matador para um público específico.

Os estudos mostram que a maior parte dos usuários não usa mais que 8 abas, nunca instalaram plugins e não estão nem aí pra HTML5, SVGA, microformatos, etc. Eles querem abrir o navegador, entrar no seu site favorito e que seja rápido e sem travamentos.

Isso terão. Hoje não é mais preciso, para a paz familiar, trocar o ícone do Firefox pelo do IE e renomear para “Internet”.

Conclusão

Ao promover vitrines como o Beauty of the Web a Microsoft aposta no HTML5. Não por ser um formato lindo e fofinho, mas por ser independente de fornecedor. CLARO que Tio Ballmer preferiria que o mundo inteiro usasse Silverlight, mas não vai acontecer. Sobram duas possibilidades para criação de conteúdo rico: Flash ou HTML5.

Como nada mobile relevante roda Flash, e de qualquer jeito ninguém quer ficar na mão da Adobe, o jeito é apoiar o HTML5.

Mais ainda: Ao suportar de forma decente o HTML5 o Internet Explorer passa a rodar bem todos os sites modernos, mesmo que o webdesigner ODEIE IE e nem sonhe em chegar perto dele.

Programando pra Chrome ou Opera, o sujeito acaba desenvolvendo um site que roda redondo no IE também. Mesmo que O-DE-IE a Micro$oft. É ou não deliciosamente maquiavélico?

Para os nerds, o diferencial será quem conseguir mais performance seu apelar para recursos proprietários. Para a Microsoft, a estratégia é tirar o Internet Explorer dos holofotes, focando na experiência web do usuário e tornando o navegador quase um detalhe irrelevante.

Desde que seja o detalhe irrelevante de Redmond, claro.

Snap143

Dará certo?

Eu acho que sim. Wando até hoje lota os locais onde se apresenta, e se não há gatinhas descoladas de 16 anos em abundância na platéia, há uma profusão de MILFs. Dá pra viver com isso.

A Microsoft criou um navegador decente e limpinho, sem grandes recursos como os outros mas atraente em sua simplicidade a todo um público que não gosta de smartphones e outras coisas complicadas.

Ao realizar campanhas como o site ie6countdown.com mostra que quer enterrar de vez o passado. O IE6 é reconhecidamente algo ruim, e a Microsoft admite. É muito mais honesto do que antigamente, quando comentávamos sobre o Windows ME, o representante da empresa apontava “SQUIRREL!” e a gente se distraía.

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