Meio Bit » Baú » Hardware » Christine 2.0

Christine 2.0

04/03/2011 às 0:29

christine

Todo mundo já se acostumou. A não ser que Michael esteja em perigo, ou precise de outro cheesburguer, Kitt anda pianinho e nunca liga o modo turbo. Carros controlados por computador parecem dirigidos por velhinhas. É até compreensível, a quantidade de variáveis é imensa, as distâncias curtas e a variedade de obstáculos e objetos móveis torna o controle de um avião algo muito mais trivial do que um carro, por mais contra intuitivo que possa parecer.

Na verdade os aviões autônomos estão décadas adiante dos carros. O bombardeio à Líbia, feito pelos EUA em 1988 em represália a vários atentados terroristas foi um pesadelo logístico, com os F-111 americanos tendo que decolar da Inglaterra e dar a volta contornando França, Espanha, passando por Gibraltar e só então chegando na Líbia, depois de 2100Km custou a vida de dois pilotos.

Hoje seria caso de plotar as coordenadas num mapa, mandar os UAVs decolarem da Itália, sentar e comer pipoca vendo o mundo do Kadhaffi acabar. OK, hoje dá pra fazer isso sem nem usar os UAVs.

Já seu carro não consegue nem ir na padaria sozinho.

Não quer dizer que ele seja burro (no máximo preguiçoso). A quantidade de software em um carro moderno é impressionante. O Mercedes Classe-S tem 65 Power-PCs, só pra começar. Em termos de linhas de código, vejamos:

O F-22, caça de 5a geração tem 1,7 milhões de linhas de código em seus sistemas de controle.

O F-35, caça multipropósito ainda em desenvolvimento funciona em cima de 5,7 milhões de linhas de código.

O Boeing 787 Dreamliner é controlado por 6,5 milhões de linhas de código.

Um automóvel de rua, topo de linha tem em torno de 100 milhões de linhas de código e entre 70 e 100 microprocessadores.

Para dar uma idéia da complexidade, o kernel 2.6.27 do Linux tinha 9,6 milhões de linhas de código.

mickael-and-kitt Mesmo assim, nada de andar sozinho. Por enquanto.

Isso ainda está em desenvolvimento. A DARPA, agência de pesquisas do Departamento de Defesa dos EUA promove um concurso anual onde carros autônomos devem percorrer um trecho de deserto, enfrentar várias situações simuladas e chegar a um destino. Um ou outro consegue, mas o tempo de reação é ainda inviável para uso real.

Quem também está investindo pesado nisso é… o Google. Eles já rodaram mais de 200 mil Km com carros autônomos, são veículos convencionais adaptados, com toneladas de computadores, radares, câmeras 360 graus e “lasers”.

No TED de verdade (não os daqui, onde falam das maravilhas de ser referência mundial em sandália de pneu) o Google está demonstrando seu protótipo, na verdade ainda um modelo de estudo. É um Toyota que consegue se virar em um percurso, no caso de cones. Sem intervenção humana.

O mais legal é que o software foi configurado para alta performance, então ele não anda pianinho, é pneu cantando pra tudo que é lado, em alguns momentos chegaram a 70Km/h. Em um estacionamento.

Veja o vídeo:

Isso sim é demonstração. Não é mostrando um computador fazendo algo que qualquer humano faz que você vai impressionar. É mostrando como nossos futuros Overlords podem ser superiores.

As cenas futuristas dos anos 60, mostrando o futuro (20 anos atrás) com carros automáticos andando a 30Km por hora não fazem sentido. Se todos os carros são automáticos, não há motivo para todas as vias expressas não serem realmente expressas. Se o carro aguenta 150Km/h, o software acha que é seguro e todos os outros em volta concordam, pra quê andar a 60Km/h?

Computadores fazem esse tipo de coisa melhor do que a gente, vide o ESP, software de controle de estabilidade da Mercedes-Benz. Ele detecta condições de perda de controle e faz o diabo para manter o carro na pista. Isso inclui assumir o controle da tração nas 4 rodas, de forma independente. Veja o vídeo abaixo, repare nas rodas:

Toda a parte de segurança está 20 anos adiante da parte de navegação, então quando tivermos carros com capacidade de navegação autônoma, essa navegação trabalhará protegida por sistemas complexos, completos e mais que testados. É como se a tecnologia de antivirus e firewalls tivesse sido criada 20 anos antes da invenção do PC.

No mínimo será interessante ver como os carros se comportarão, se emularão nossos padrões de direção ou evoluirão modelos próprios, mais eficientes. Que nos destruirão no final isso é fato, nem vale mais ressaltar.

relacionados


Comentários