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Xoom: Rooteou? No upgrade for you!

03/03/2011 às 9:00

soupnazi

Confesso que é divertido demonizar a Motorola nessa história do Xoom, ainda mais com a incrível sucessão de hahadas que a empresa vem fazendo, mas sejamos sinceros: A Apple não é exatamente a maior amiga dos Jailbreaks, e por mais que a Microsoft seja legal ao chamar o hacker do PS3 para trabalhar com o Windows Phone 7. todos sabemos que se ela estivesse em uma posição de monopólio agiria igual a Sony. Igual a Apple e Igual a Motorola.

Todo o discurso Open Source do Android é muito bonito no papel, mas está batendo de frente com uma realidade nova: Telefonia é fundamentalmente diferente do mercado de sistemas operacionais desktop. No último caso os fabricantes tem pouquíssima influência na gênese do sistema. A Dell pode sugerir ou até exigir várias coisas, mas não vai decidir quais protocolos o Internet Explorer vai suportar.

NENHUM fabricante de hardware pia no desenvolvimento do Linux. No máximo colaboram com drivers e especificações.

Já na telefonia o bicho pega. A Apple, como conta uma excelente e detalhada matéria da Wired sofreu na mão das operadoras, que impuseram um monte de exigências ao projeto do iPhone. Muitas foram rejeitas, outras acatadas. São as regras do jogo, quem quer trabalhar nesse mercado tem que aceitá-las.

Quando o Google entrou chegou a ser engraçado acompanhar a reação dos ingênuos que imaginavam um mundo de pôneis e unicórnios onde seus celulares seriam liiiiivres, poderiam fazer tudo, sem medo das restrições fascistas impostas pelas empresas malvadas como a Apple.

O problema é que as operadoras não aceitariam um Android livre como o desejado pelos entusiastas. Os fabricantes por sua vez, eternos sofredores da síndrome do Não Inventado Aqui odeiam a idéia do controle sobre o Android ficar inteiramente nas mãos do Google. Exigem e conseguem a inclusão de camadas e camadas de bloatware, crapware e motoblurcancerware.

cooper-droid

Exigem e conseguem restrições e controle sobre atualizações do sistema operacional, e principalmente exigem e implementam por conta própria toda sorte de esquemas de proteção contra instalação de versões “livres”.

Agora, a última de uma série de atitudes estúpidas da Motorola: Todos os felizardos que comprarem o Motorola Xoom depois de algumas semanas terão o privilégio de enviar seus tablets para a assistência técnica, onde sofrerão um upgrade de hardware, passando a acessar a rede LTE, de telefonia 4G com velocidades que vão do boçal ao fora de propósito. (yes, inveja).

O fato do hardware, depois de um ano ainda não estar pronto, e de pedirem uma semana para o upgrade nem é o problema. Feio mesmo é a Motorola, em um post em seu fórum de suporte avisar que os Xoons que forem rooteados não serão aceitos para o upgrade.

Mas você é livre.

Ou seja: Você compra o hardware INCOMPLETO, tem que abrir mão dele por uma semana para que a empresa termine o que começou, e sequer fuçar no próprio brinquedo você pode.

Acho que com isso enterramos de vez o Sonho de Liberdade. É preciso entender que todo o discurso bonito de Software Livre não se chama Software por nada. Hardware é literalmente outra camada. O tal TuxPhone por exemplo além de horroroso tinha outro problema: Como chamar de livre um telefone que tem dentro de si um monte de chips trabalhando em protocolos industriais patenteados, como os da área de telefonia?

Os fabricantes tem que ser vistos como o que são: Senão o inimigo, no máximo um aliado de conveniência. Ao invés de se preocupar em consertar caca de fabricante de celular que não liga para atualizações, a Comunidade deveria eleger alguns modelos, levando em conta facilidade de atualização, recursos do aparelho e disponibilidade em vários mercados e criar versões próprias do Android para eles.

Isso inclusive deveria fugir do reduto dos aparelhos originalmente Android. Será que o Nokia N8, com um hardware comprovadamente bom e um design invejável não seria um excelente Android? Quem precisa da Nokia pra isso?

Não adianta mais fingir que a Apple é Malvada enquanto todo mundo que lança um aparelho Android é bonzinho. Não é. Nem o Google é bonzinho, que o diga o grupo de desenvolvedores Android que montou um sindicato para tentar conseguir uma divisão melhor do dinheiro das vendas das aplicações no Marketplace. Com a Apple dando 70% para os desenvolvedores, tendo pago US$2 bilhões em 2010, o Google que se diz amigo ficar com 32% não está agradando.

O Android está em um ponto onde ele corre o risco de se fragmentar em diversos aparelhos bem-sucedidos e outros tantos nem tanto. Isso pode ser muito bom para quem vende esses aparelhos, mas a longo prazo é péssimo para a plataforma. Para a Motorola ou HTC, não interessa. HTC Sdruvs é muito melhor para eles do que Android Phone HTC Sdruvs ou –o horror- Quê que você tem com Android até Mil Reau?

Portanto, crianças, prestem atenção: Seu maior inimigo não é a Apple nem a Microsoft. Eles só querem te destruir e não há nada pessoal nisso. Seu maior inimigo é quem quer lobotomizar o Android, arrancar os tentáculos (meu Androide é japonês, dá licença?) e usá-lo para seus fins egoístas.

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