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Random House cede e vai parar no iOS

Random House chega ao iOS e pode ser pioneiro da ida em massa de editoras para o sistema móvel da Apple.

03/03/2011 às 10:46

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Até que os grandes editores e publishers deem o primeiro passo para realmente transitarem a venda de livros do papel para o digital, as coisas não podem passar da tão comum sensação de "promessa a ser cumprida" que virou o mercado editorial mundial.

A indústria de notícias começou a dar os primeiros passos mas também não se converteu em algo consistente ainda. Murdoch e Jobs até que tentaram lhes dar o empurrão necessário com o lançamento do The Daily, mas nem todos pularam para dentro desse barco e as coisas permanecem em suspenso.

Entretanto, a indústria editorial pode ter algumas razões para se animar. A Random House, maior distribuidora mundial de livros, aterriza o seu gigantesco catálogo de obras nos dispositivos iOS.

Em uma conferência para a imprensa nesta última segunda-feira (28), o a dsitribuidora disse que finalmente "concorda com o modelo agenciado de distribuição para venda de ebooks". Isso são ótimas novas para consumidores e revendedores de um mercado que andava meio descrente em relação ao futuro.

O modelo agenciado de distribuição de livros digitais prevê um recorte de comissão para intermediários e é o formato escolhido pela Apple para a iBookstore desde o seu lançamento.

Esta concessão da Random House no formato de distribuição pode propelir editoras menos poderosas e todos os outros players a quase que compulsoriamente seguir a sua direção, apesar de sempre terem apresentado enorme resistência.

A razão para isso é que a Apple pratica margens altas de lucro na opinião dos editores — retendo 30% do valor de capa, isso sem considerar os custos e energia para se desenvolver um aplicativo para a Apple Store

Ao indicar que está disposta à migração para o formato agenciado, a Random House pode ampliar seu leque de consumidores que atualmente compram de seu catálogo via Apple Store através de um contrato de sub-distribuição com o aplicativo da Kindle Amazon para iOS (que já deve se preocupar com baixas nos seus indicadores nos próximos meses).

No universo convencional de distribuição, os revendedores compravam as obras das editoras a preços reduzidos e depois a despejavam no mercado com sua respectiva margem de lucro. Com o advento do formato eletrônico, as empresas que saíram na frente com sistemas e soluções comerciais robustas o bastante acabaram conseguindo injetar, sob pesada influência, o formato agenciado que distribui diretamente as obras em sua infra-estrutura e retem um corte direto do valor final de capa (ou de venda).

O que prova que a escolha do formato adequado de distribuição, associada a novos modelos de demanda dos leitores (como mobilidade e preço) garantem um bom negócio. Que o diga a Amazon com o estrondoso sucesso do Kindle que, como gadget, é medíocre para tudo mas excelente para leitura.

Por mais que os editores não gostassem da idéia, o formato agenciado caminhou a passos lentos, porém consistentes, e tem se mostrado eficiente em convencer o leitor. Os argumentos de defesa vão desde não pagar mais para carregar mais peso, a ganhar a interatividade com outros leitores e mobilidade com a aquisição das mesmas obras em formato digital.

Para o público já está claro que o formato funciona. Resta saber quando os titãs do editorial vão aceitar plenamente isso e iniciar o movimento de conversão da indústria.

A decisão do gigante mundial tem um ótimo peso estratégico nessa transição. E a Random House não perdeu nem um segundo...

Adequadamente, estas novidades foram veiculadas apenas dois dias antes do lançamento do novo iOS e do novo iPad e posiciona a sua concorrência direta - HarperCollins, Hachette, Penguin, Macmillan and Simon & Shuster - como meros expectadores que precisam responder rápido.

A Random House começou a enviar obras de seu catálogo para a Apple Store já hoje, incluindo títulos populares como o "Código Da Vinci" por U$S 9,99, dando um panorama de como serão as coisas a partir de agora.

Quem ganha com isso? Eu, você e todo mundo que lê.

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