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Indo além do worst-case scenario

23/02/2011 às 10:41

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Algumas vezes um piloto enfrenta uma situação de vida ou morte e percebe que está num beco sem saída. Nesse momento ele pode reverter a uma pessoa normal e começar a rezar, mas não recomendo, vide este idiota que ignorou os procedimentos para pedir por Alá e matou 19 passageiros no pouso de emergência.

Outras vezes o piloto tem Adamantium gelado nas veias, não acredita em situações sem-saída e passa pelo pior desastre possível sem sequer alterar a voz, como o Ás Sully, ao pousar seu Airbus no rio Hudson.

Em alguns casos o problema está além da capacidade do piloto:

Em 1983 um F15 da Força Aérea Israelense estava fazendo um vôo de treino quando colidiu com um A4 Skyhawk [vídeo, veja!], aqueles passarinhos que o Brasil comprou. O piloto percebeu o choque, viu uma explosão ao fundo mas a quantidade de vapor na asa não o deixava ver mais nada. O painel não mostrava nenhuma anomalia a não ser o tanque de combustível zerado na asa direita.

Problema é que não havia luz indicativa de “asa direita faltando”, que era o verdadeiro problema. Sem saber desse detalhe quando o caça começou a cair em espiral, ao invés de ejetar o piloto tentou recuperar o controle. De um caça mortalmente danificado, cuja asa direita tinha agora 60cm de comprimento.

Para sorte do avião, estava mas mãos do mestre judeu Jedi Zivi Nedivi, que não leu a parte onde eu disse “além da capacidade do piloto”, ignorou as instruções para pular fora e descobriu na hora a necessidade de aumentar a velocidade para recuperar o controle. Voando com pós-queimadores acionados, chegou até a base e pousou no dobro da velocidade recomendada, parando a menos de 10m do final da pista.

Consultada a McDonell-Douglas respondeu que o caso era impossível, segundo todas as simulações em computador.

Por isso Luke desligou o dele.

Só que nem todo mundo é Jedi. então qual a saída?

Uma empresa, a Rockwell Collins está pensando nisso.

Os aviões modernos já são todos controlados por computador. Plataformas como o F18 e o F22 são instáveis demais para que um humano as comande, então o software fica o tempo todo analisando o modelo de vôo e fazendo micro correções.

Os softwares atuais entretanto usam estáticos, eles entendem a perda de um motor e respondem às alterações de desempenho, mas não concebem mudanças na forma do avião em si. A tecnologia de “Aeronaves Adaptativas” é uma mudança radical, pretendem que os aviões não só mudem de forma no software mas também no Hardware.

Aviões como o F14 e o F111 tinham asas de geometria variável, mas o conceito de aeronave adaptativa vai bem além. Não só o ângulo mas também a forma da asa e de toda a fuselagem mudará, adaptando-se à melhor condição aerodinâmica possível.

Com o software reconhecendo essas mudanças e manobrando a aeronave em N condições de formas diferentes temos um efeito colateral muito interessante para os aviões convencionais: Falhas estruturais catastróficas passam a ser compreendidas como uma variação dinâmica do formato do avião, e os controles remanescentes são redirecionados para compensar as condições reais, entendendo por exemplo que a asa não existe mais.

Testar e certificar uma tecnologia dessas é muito caro, por isso a Rockwell Collins está se aprochegando à NASA, e já conseguiram alguns resultados interessantes.

No vídeo abaixo um UAV semelhante a um F18 perde intencionalmente 60% de uma asa, mas como o software é informado desse detalhe o modelo de vôo é alterado e o pouso é efetuado com segurança:

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Claro que há um limite, se você cortar as duas asas cairá como uma pedra, software não faz mágica, só o do iPad. Já no mundo real pode significar a diferença entre a vida e a morte para um monte de gente, incontáveis acidentes ocorreram por perda de controle devido a colisões, gelo, fadiga de material e quase todos teriam um final feliz se contassem com um software especializado para facilitar a vida do piloto.

Até porque dado o trauma das circuncisões com sabre de luz não há muitos piloto jedis judeus por aí.

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