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Facepalm do Ano: Nokia Plano B

14/02/2011 às 22:14

House-facepalm Existem momentos de vergonha alheia que obrigam um vivente a parar tudo, fazer um facepalm duplo e repensar a condição do Homem na Terra. Esse tal Nokia Plan B é um deles.

O acordo com a Microsoft está sendo visto como uma oportunidade excelente para ambas as empresas, uma rara sinergia onde a expertise de cada uma pode ser aproveitada para um produto vencedor. As reclamações têm vindo de gente que não entende o conceito de Big Business, achando que tudo se resume a sistema operacional.

Agora, entretanto, surgiu um grupo (sim, minhas fontes confirmam que é real) que quer fazer o CEO da Nokia pagar um Mubarak. É o pessoal do Plano B.

Em uma carta aberta aos acionistas um grupo de novo funcionários (que se apresentam como acionistas, é mais chique) anônimos, claro está arregimentando aliados para contestar a aliança estratégica com a Microsoft, na reunião de acionistas de 3 de Maio.

Isso mesmo, “mimimi Microsoft é malvada”, em pleno 2011.

Calma que melhora

Eles querem a maioria no quadro de diretores para tomar várias medidas concretas. Vejamos elas, com comentários:

1 – Demitir Stephen Elop, CEO da empresa

Claro, afinal de contas os CEOs antigos eram muito melhores e Elop só conseguiu uma aliança com a maior empresa de software do mundo com o único sistema operacional mobile relevante pronto para uso e não agregado a um competidor que trataria a Nokia como mais uma OEM.

2 – Reestruturar a aliança com a Microsoft como um exercício focado no mercado americano – utilizar uma marca agregada para testar um ou dois celulares Windows Phone e só depois, se forem bem-sucedidos, lançar no mercado europeu. Mesmo assim o Windows Phone NÃO será a plataforma principal da Nokia.

Como assim, Bial? Isso é BBB? Tem sabotador? Uma das GRANDES forças é o NOME Nokia. Vamos tirar o nome, lançar no mercado onde temos menos penetração SEQUER com o nome principal e ENTÃO ver se dá certo? Não dá, adianto. De resto, o conceito é Dividir para Complicar. Acrescentar MAIS um SO no pacote, sem sequer ser o principal? Qual a lógica? Virou restaurante a Kg, 20 variedades de pratos quentes?

3 – MeeGo será a principal plataforma de smartphones da Nokia – “Equipamentos MeeGo deverão trazer significativa superioridade na experiência de uso e aplicações em relação ao Android e iOS”. O desenvolvimento será feito in-house em uma localidade geográfica só. Se necessário, suspender a colaboração com a Intel e concentrar os recursos em inovação e lançamento de dispositivos Nokia MeeGO.

Comeram cocô de ornitorrinco. Fato. O MeeGo foi anunciado ao público em Fevereiro de 2010. Só para dar uma idéia o Android foi anunciado ANTES do iPhone. A ÚNICA coisa que suporta o MeeGO é aquela pataquada do N900, que parecia lindo na teoria, ao vivo mas na prática vendeu menos que a sex tape do Tiririca.

Um sistema que NINGUÉM usa, que “está ainda em sua infância” e se vende como “próxima geração” mas não passa de um Linux x86. Desenvolvido por um consórcio de empresas que tem de Novel a AMD, garantia de agilidade [not]. Querem que a Nokia aposte em um sistema que ainda precisa ser escrito direito?

4 – Ampliar a vida do Symbian em um mínimo de cinco anos

Isso mesmo. Enquanto já tem Android com tela 3D e Windows Phone falando com o Kinect, querem que em 2016 a gente assista a Copa de Symbian. Você se imagina em cinco anos mexendo um joystick pra rolar um menu? É, nem eu. Symbian teve seu tempo, Symbian é um T-Rex, foi o Rei em seu tempo mas hoje é pessimamente adaptado ao meio-ambiente. Não ver isso é patético.

5 – Focar o desenvolvimento em QT no MeeGo, mas prover uma estratégia de desenvolvimento para o Symbian. Tudo isso com um modelo de desenvolvimento que permita escrever e disponibilizar software para MeeGo e Symbian tendo um mínimo de trabalho de interoperabilidade.

Quem desenvolve pra Android sabe o ABISMO que existe entre o 1.5 e o 2.0. Quem desenvolve para Windows sabe a diferença que existe entre desenvolver para Windows 3.11 e Windows 7. Bolas, quem fez 1o grau sabe que existe algo chamado menor denominador comum. Um programa que funcione em Symbian E MeeGo terá que abrir mão de TODAS as funções avançadas, baseando-se em uma API lobotomizada. O Android em teoria é Java mas nem por isso você vai rodar um Azureus nele, não sem otimizar um monte de coisas inclusive a Interface.

Se o Android que é muito mais próximo em suas versões mostrou a inviabilidade de manter compatibilidade com o parque legado, que dirá o Symbian, cujas origens remontam ao EPOC, de 1980.

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6 – Fim da P & D Distribuída

Manja IBM, o PARC, Palo Alto Research Center? Manja a Microsoft Research em Seattle, na Inglaterra, no Brasil? Manja o Instituto Nokia de Tecnologia, em Manaus e Pernambuco? Manja empresas que montam centros de pesquisa e excelência espalhados pelo mundo, para angariar talentos locais, contribuindo para a expertise dos países e cidades, recrutando gente que não sairia de sua terra natal mas trabalha feliz em uma filial local?

Segundo os JÊINOS do Plano B, isso é desperdício. Querem que toda a pesquisa e desenvolvimento seja feita na Finlândia e em outro centro a ser definido futuramente. Isso mesmo, você que trabalha no inegavelmente excelente Instituto Nokia de Tecnologia, seja em Manaus, seja em Recife, diga adeus à praia (pelo menos o de Recife) e compre um casaco.

Globalização? Nah, isso é feio.

7 – Fim do outsourcing em P & D

É a famosa síndrome do NIA – Não Inventado Aqui. Para quê terceirizar pesquisa e desenvolvimento? O bom-senso diz que se alguém tem mais know-how em uma tecnologia você contrata esse alguém para pesquisar algo que você precise. Dá certo para a Apple, mas ninguém vive de imitação, e reinventar a roda pelo visto é mais divertido. Por isso querem acabar com esse tipo de terceirização.

9 - Imediata execução demissão de Tero Ojänpera, Niklas Savander e Mary McDowell

A Mary se não me engano era a Presidente em Galactica. Da última vez que pediram a cabeça dela foi um golpe, liderado por Gaius Baltar. É o que está me parecendo esse Plano B, ao pedir a cabeça de três vice-presidentes.

10 – Recrutamento de novos talentos em universidades de 1a linha, inclusive com um plano de carreira e salários para evitar que os talentos saiam ou sejam promovidos a cargos de gerência (sim, é muito Dilbert). Oferecer salários competitivos internacionalmente e em alguns casos muito acima da média.

Isso mesmo. A Nokia tem milhares de desenvolvedores mas esses hippies acham que vão resolver o problema com MAIS desenvolvedores. É a velha lógica de chefe achando que 9 mulheres fazem um filho em um mês. O problema da Nokia NUNCA foi desenvolvedor. Isso eles têm de sobra. Faltou visão, faltou mão forte e faltou foco. Aquela vergonhosa colcha de retalhos que é a experiência Nokia-PC não é culpa dos desenvolvedores, é culpa de quem desenhou e quem aprovou.

O projeto todo está parecendo um grupo de crianças batendo pé dizendo “não vou no dentista” e tentando prender a respiração até ficar roxo. Muito bonitinho, está angariando simpatia de crianças semelhantes no Twitter, mas fica a dica, Plan B: This is NOT real life.

Fonte: Elis Monteiro, via Twitter

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