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Você precisa de um Android pra chamar de seu?

Entenda um pouco mais sobre como funciona o esquema de ROMs customizadas para Android.

26/01/2011 às 10:05

Android atualizado.

Uma das coisas que eu mais curto no Android é a ampla possibilidade de customização. Esse tem sido o tema de inúmeras postagens porque, além de ser um assunto cheio de detalhes, é também a qualidade que mais me empolga na plataforma. Como já tratei dele em vários textos no meu blog de origem, precisarei aqui linkar algumas postagens de lá para fazer uma complementação desse artigo. O objetivo é dar uma visão panorâmica do assunto e orientar aqueles que desejem ter um android o mais livre possível para alterações.

Os maiores obstáculos que você poderá enfrentar se desejar liberdade de escolha sobre o sistema operacional do seu aparelho são postos pelos fabricantes nos diversos modelos. Esse obstáculos variam de modelo para modelo, dependendo sobretudo da dedicação investida pela comunidade no sentido de buscar soluções para eliminá-los. Em suma, o Android sai aberto do Google, recebe diferentes "fechamentos" dos fabricantes de smartphones e depois é reaberto, na medida do possível, pela comunidade.

Se tomarmos, por exemplo, os vários aparelhos fabricados pela Motorola, apesar de ser uma marca com inúmeros "androids" disponíveis, o único a receber um bom suporte das comunidades de desenvolvimento, contanto inclusive com uma versão do Cyanogen MOD, é o Milestone. Os demais modelos, como por exemplo o Quench, recebem algum tipo de suporte, mas não com resultados tão interessantes. A própria versão do Cyanogen MOD para esse smartphone chegou a ter o desenvolvimento iniciado, mas estagnou em etapa bem inicial.

O que determina, nesse caso, a diferença? O maior fator, no caso, é o tamanho da comunidade dedicada ao desenvolvimento. O Milestone (lá fora Droid) foi um grande sucesso, apresentado como um Android hi-end "no seu tempo" e conquistou muitos usuários no mundo inteiro. É bom ter em mente que o pessoal que se dedica a essas atividades tem perfil de entusiasta e gente com esse perfil acaba adquirindo os modelos com configurações mais robustas. Claro que há outros fatores envolvidos, mas esse é um dos mais determinantes. Para que um determinado modelo conquiste uma comunidade de customização bem sucedida, quanto maior o número de colaboradores, melhor.

Entre todos os modelos de Android surgidos em 2010, talvez o mais badalado tenha sido o Samsung Galaxy S e, aqui, há uma peculiaridade interessante que gera problemas para o usuário interessado em customizações. A Samsung decidiu transformar o Galaxy S em uma linha com inúmeras variações, com diversos modelos como o Fascinate, Captivate, etc., que se distinguem, alguns mais, alguns menos, do GT i9000 original. A própria versão latino-americana, i9000b, com decoder de TV, não pode usufruir das opções de customização disponíveis para o i9000.

Outros bons exemplos são os modelos da HTC, que fabrica os androids mais bem servidos de customizações. Há inclusive o caso peculiar do HD2, um aparelho vendido originalmente com Windows Mobile 6.5 e que hoje pode manter o Windows Phone 7 e o Gingerbread em dual-boot. Analisando superficialmente as atividades de um fórum dedicado ao tema, como o XDA Developers, é fácil perceber que praticamente toda a linha da HTC é muito bem atendida pela comunidade e conta com uma boa variedade de custom ROMs. Até os mais antigos modelos de entrada contam com adaptações muito maduras do Froyo. Já andam inclusive trabalhando para colocar o Gingerbread no HTC Magic. Na maioria desse modelos, o que facilita as customizações é a abertura do boot-loader, que é o sonho de todo desenvolvedor de ROMs. Infelizmente a marca não oferece uma boa disponibilidade de modelos no Brasil, provavelmente por problemas de representação comercial.

Como entusiasta das customizações extremas, hoje sou muito satisfeito com o que posso fazer com o Galaxy S, graças ao fato de possuir o modelo "puro", o GT i9000. Esse smartphone recebe um ótimo suporte dos incansáveis "caras do XDA", contando na comunidade com mais de 15 diferentes custom ROMs, fora as variações regionais, quase todas em constante atualização. Já experimentei várias e hoje não uso mais nenhuma delas. Tenho instalada uma ROM que eu mesmo montei, usando um kernel otimizado que escolhi com base nas minhas experiências, um modem escolhido de uma outra versão, um tema de outra e o ADW Launcher EX como "cereja do bolo", entre outros detalhes.

Não, eu não virei desenvolvedor. Posso fazer isso usando a ROM Kitchen. É possível, nessa página, escolher todos os componentes que você deseja incluir na ROM e, ao final, baixar o sistema montado, pronto para a instalação a partir do menu de recovery do Galaxy S. Tenho aqui a minha e não pretendo trocá-la por nada até a primeira aparição do Gingerbread, que se encontra a encargo da turma do Cyanogen MOD.

O que pretendi fazer com esses vários exemplos foi demonstrar que existe uma lógica a ser seguida quando você pretende ter um Android e fazer com o sistema operacional o que bem entender. A principal dica é, logo ao simpatizar com um determinado modelo, ler atentamente muitas postagens referentes a ele nos fóruns dedicados ao tema. O grande centro de discussões para esses assunto é o fórum do XDA Developers. Dessa forma, se você pretende adquirir um novo android e quer participar dessas experiências, a primeira medida, para simplificar o caminho, é verificar se há naquele fórum uma seção dedicada exclusivamente ao modelo em questão. Em seguida é preciso ler os tópicos referentes ao desenvolvimento e averiguar em que estágio andam os trabalhos.

A título de exemplo, o novo Motorola Milestone 2 já possui uma seção dedicada a ele, o que é bom, mas o subfórum de desenvolvimento conta com apenas 11 tópicos abertos, o que é ruim. O HTC HD2, um aparelho que foi originalmente vendido com Windows Mobile 6.5 tem subfóruns dedicados a vários sistemas operacionais que estão sendo portados para ele, com quase 6 mil tópicos destinados ao Android, mas apenas uns poucos dedicados ao Ubuntu e ao Meego. O fórum dedicado ao desenvolvimento de ROMs para o Galaxy S possui mais de mil tópicos, mas muito pouco ou quase nada do que é produzido ali pode ser aproveitado para o modelo vendido no Brasil, o i9000b.

Outra dica é averiguar sempre o trabalho dos diferentes times de desenvolvimento do Cyanogen MOD, pois se trata de uma custom ROM levada muito a sério e que deriva diretamente do Android puro da Google, ou seja, livre as customizações dos diferentes fabricantes.

Em suma, a escolha de um Android por parte de um usuário avançado que pretende fuçar muito e fazer muitos testes com customizações até deixar o sistema com a sua cara depende de uma análise que leva em conta fatores muito peculiares. Não é olhando as especificações técnicas dos aparelhos que você vai poder tomar essa decisão. É preciso analisar os trabalhos das comunidades. Uma vez escolhido o seu modelo, você terá de ler mais ainda. Quando mais leitura, menos riscos e menos bricks.

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