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Cérebros Partidos

Síndrome da Mão Alheia faz com que britânica perca o controle da mão esquerda. Caso é raro.

24/01/2011 às 10:32

Uma norte-americana é vítima de uma incrível e rara síndrome chamada "Síndrome da Mão Alheia". Karen Byrne fez uma cirurgia para controlar sua eplepsia aos 27 anos. Após a remoção de uma parte do tecido cerebral (corpo caloso) que terminou por curá-la definitivamente da sua doença, Karen surpreendeu os médicos com um comportamento jamais visto.

_50871087_karenbyrne6.jpg "Karen, o que você está fazendo? Sua mão está despindo você" disse o médico a Karen. Só então ela percebeu que sua mão esquerda estava desabotoando os botões de sua blusa.

Eventos tristemente comuns para Karen como acender um cigarro (ela é destra) e colocá-lo no cinzeiro, logo após sua mão esquerda pegar o cigarro e jogá-lo fora; ou então coisas como sua mão esquerda tirar coisas de dentro da sua bolsa e atirar para todos os lados e até mesmo agredí-la violentamente no rosto... sem qualquer controle ou consciência imediata de sua parte, não paravam de surpreender à todos — clique aqui para ver o vídeo.

O corpus calosum é uma região cerebral presente apenas no cérebro de mamíferos e situa-se como uma ponte de ligação entre os dois hemisférios na forma de uma fissura longitudinal. A totalidade dessa região atua como um inter-comunicador entre as informações e registros trocados entre os dois lados do cérebro. Sem ele, ou com partes do corpo caloso danificadas ou lesionadas, não é possível uma integração harmônica de ambas as competências dos hemisférios.

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No caso raríssimo de Karen, a remoção de uma das partes do corpo caloso terminou por resolver-lhe o problema de epilepsia que a atormentava por toda a vida, entretanto, lhe ocasionou um conflito extremamente complexo em sua sintaxe nervosa, debilitando-a severamente de harmonizar decisões como desejos, emoção, raciocínio e lógica.

O resultado disso foi a gênese de todo um sistema de luta interior pelo "poder" e pelo controle das funções internas de Karen. Uma verdadeira guerra pelo poder de governar sua vida, desde a mais simples das decisões.

Como a consciência de seus atos sempre implicava a primeira tomada de decisão no instante em que executava algo, praticamente tudo o que ela fazia recebia uma resposta contraditória de sua mão esquerda.

Sua natureza reativa ficou toda concentrada ali, contradizendo tudo o que era executado por ela, muitas vezes provocando fenômenos surpreendentes. Ao olhar superficialmente para Karen, pode-se ter a impressão de que a mão dela está mesmo viva e agindo totalmente por conta própria.

O primeiro a fazer inúmeros experimentos para comprovar a existência desta síndrome foi o neurobiólogo Roger Sperry. O mais famoso deles envolvia a montagem de um quebra-cabeças por pacientes com um perfil nervoso "bipartido" entre os hemisférios.

A experiência consistia inicialmente em um treinamento repetitivo para a montagem do quebra-cabeças com a mão esquerda. Depois era pedido que o paciente tentasse fazê-lo com a mão direita. Sperry então descobriu que estes pacientes não tinham qualquer idéia de como fazer a mesma coisa com a mão destreinada e ficavam simplesmente imóveis.

No caso de Karen, após a cirurgia, o seu hemisfério direito "se recusou" a ser dominado pelo hemisfério esquerdo, o que acabou sendo expressado em seu corpo por uma maciça concentração de respostas desta recusa em sua mão esquerda.

Karen procura controlar ao máximo seu problema e viver uma vida normal, embora ainda lute contra os impulsos incontroláveis da sua mão.

Fonte: BBC.

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