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Congele sua Ex em Carbonite

19/01/2011 às 13:19

Um ano ou mais, e a vida (ainda) é um dilema Nem sempre vale a pena ficar online, mas você entra no Facebook e ela está lá, a desgramada que acabou contigo. Por quê? Nem Jobs sabe o motivo. Você desejava um trago, mas está desempregado (e no máximo) defende algum no Farmville, e melhor nem falar da Beatriz. Você pensa em cometer Orkuticídio no Facebook, talvez assim ela sofresse, mas vá atrás! No block a gente esquece mas online a gente vive em paz. Então como fas\?

Todo mundo tem esqueletos no armário, e lá devem permanecer, exceto os esqueletos homofóbicos (obviamente não o do He-Man). Algumas vezes o passado nos persegue, e se você não dá sorte de se relacionar com criaturas luditas que se confundem acendendo a luz, VAI esbarrar online com quem não quer encontrar. Em tempos de Facebook, piora, pois acabar um relacionamento é simples perto do mimimi de proporções apocalípticas que é remover alguém da sua lista de amigos.

No Twitter já vi gente que nem se pegava TELEFONAR pra cobrar satisfação por um unfollow, imagine quando há troca de DNA para fins recreativos envolvida.

SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

A extensão Eternal Sunshine, do Chrome permite que você continue amigo de uma pessoa, mas as atualizações dela não aparecerão em sua timeline, chamadas de chat, listas de seguidores, atualizações de fotos e vários outros lugares.

É uma espécie de soft block, que diminui as chances de você ler sobre quem não quer ler sem ter que passar pelo stress da Indignação do Block Sofrido.

NÃO É TÃO SIMPLES! (eu sei)

Saindo da brincadeira, é uma área extremamente fértil para estudos psicológicos e comportamentais, a psique humana não foi criada (ai ai ai! – R. Dawkins) evoluiu levando em conta as redes sociais, no mundo online todo mundo é Julian Assange de si mesmo (com menos acusações de estupro, claro) e divulga mais do que jamais foi divulgado antes da invenção da Internet por Al Gore, umas 3 Campus Parties atrás. A famosa Christiane F revelou menos de si em seu livro do que qualquer attention whore de webcam revela em 10 minutos de bate-papo. Formspring idem. Flickr então nem se fala.

O conceito de vida pessoal está se tornando difuso, e no momento em que as pessoas colocam toda sua vida online, fica complicado reclamar dos palpiteiros. Nossa relação com as redes sociais é um casamento, pro melhor e pro pior. É possível determinar limites, mas eles delineiam temas. Um tema pode ser fora dos limites, mas não parcialmente. Depois que você abre a porteira, não tem como dizer que só fala até determinado ponto. As pessoas VÃO perguntar além daquele limite estabelecido.

Em longo prazo acho que teremos uma enorme mudança na forma como as pessoas se relacionam, o conceito de privacidade mudará totalmente. Antigamente álbum de fotos era algo pessoal, mostrado apenas para amigos e família. Hoje até notórios tímidos como eu fazem o equivalente a pendurar suas fotos na rua. O crowdsourcing deixará de ser passivo ou fofoca e passará a ser usado ativamente, com scripts verificando perfis online, fatorando casos passados, relações de amizade e mídia disponibilizada.

Sem nem pensar muito, já dá pra imaginar um score de afinidade sendo gerado, levando em conta coisas simples como: Eu gosto de viajar. No Flickr da pessoa há um monte de sets de viagens, com fotos dela nos locais: +Afinidade. Eu tenho uma lista de desafetos, a guria tem links de 1º nível com boa parte dessa lista: -Afinidade. E por aí vai. Pense na quantidade de informações que disponibilizamos voluntariamente. Hoje, com meia-hora de pesquisa você descobre do que ela gosta de comer, dos filmes que gosta de assistir, qual a banda preferida e quem ela xinga muito no Twitter (provavelmente eu). Durante alguns anos ainda será visto como vantagem você ter ciência dessas informações. Depois se tornará obrigação, da mesma forma que é sua obrigação mudar o status do Facebook.

A Internet está trazendo uma mudança comportamental comparável à liberação feminina do pós-guerra, estamos tendo que nos adaptar a uma nova forma de nos relacionarmos uns com os outros. Para complicar é um processo em andamento, então ninguém tem sequer parâmetro para saber se está fazendo tudo certo ou se terá como destino ser FOREVER ALONE. Ao menos podemos dizer que a velha saudação chinesa, "que você viva em tempos interessantes" está mais atual do que nunca.

PS: Isso tudo já foi previsto no clássico de 1987 Mulheres Amazonas na Lua, no clássico sketch do serviço via Fax que checava compatibilidade e enviava via fax pra mulher uma ficha completa do sujeito:

Agradecimentos ao Escravo Roger (não é nosso estagiário) por ter achado a imagem utilizada.

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