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Twitter intimado no caso WikiLeaks

Justiça americana pede que Twitter revele informações privadas de pessoas ligadas ao WikiLeaks.

11/01/2011 às 20:30

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O Twitter foi intimado a revelar o conteúdo das mensagens públicas e DMs relacionadas à conta do WikiLeaks ao serviço de microblog, bem como as do perfil de Julian Assange e de inúmeras pessoas associadas a ele.

O periódico The New York Times publicou uma reportagem dando conta da intimação judicial (PDF) enviada à rede no último dia 14 de Dezembro de 2010 pelo Departamento de Justiça Norte Americano.

Segundo o ToS do Twitter, a revelação de informações pessoais pode estar compulsoriamente condicionada a necessidades ou mandos legais, desde que diante de uma intimação judicial emitida pelas autoridades — em particular o ato regulador da matéria relacionada a casos de espionagem.

A justiça espera obter informações relevantes para a sua investigação sobre Assange e o WikiLeaks e, através da intimação, pede que sejam abertos e entregues às autoridades informações como os relatórios com os horários e permanência das conexões dos envolvidos, números de telefone mencionados, informações sobre cartões de crédito e financeiras, endereços de e-mail e de IP, anotações, DMs e outros registros. Ou seja, escancarar geral.

Dos principais perfis mencionados na ordem judicial estão Julian Assange, o perfil institucional do WikiLeaks, do ex-analista de inteligência Bradley Manning (atualmente preso sob suspeita de ter revelado os logs de guerra à organização) e muitos outros associados direta e indiretamente ao website, como a ativista Finlandesa Birgitta Jonsdóttir, Rop Gongrijp e o programador Jacob Appelbaum.

Outras redes e serviços de Internet como o Google, Facebook e inúmeras outras empresas têm um documento similar ao do Twitter, dando conta da obrigatoriedade de atender medidas legais associadas a investigações de espionagem e segurança nacional nos EUA.

Entretanto, mesmo diante da pressão provocada pelo levante de escândalos e a publicação dos documentos secretos, nenhuma empresa manifestou qualquer intenção de revelar o conteúdo de seus logs para a justiça.

Pergunto-me que tipo de motivação levou a justiça americana a escolher o Twitter como a primeira fonte, sendo que serviços como o próprio Google deteriam, provalvelmente, informações bem mais sensíveis do que a micro-comunicação entre as pessoas oferecida pela rede de micro blogging? Qual o impacto disso para a percepção do usuário sobre o Twitter (e outras redes/serviços)?

A RIM, fabricante dos BlackBerry, sempre resistiu firmemente a qualquer tentativa de quebra de sigilo de informações proveniente de mensagens trocadas pelo super eficiente (e seguro) serviço de mensagens entre os seus aparelhos.

Seria no mínimo surpreendente ver o Twitter e outras empresas abrirem a caixa preta sem qualquer resistência ou argumento.

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