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Um novo mundo: Fotografia/Cinematografia

13/01/2011 às 10:02

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Composição

O que define uma boa fotografia? Independente do equipamento, técnicas e diferentes escolas, uma boa imagem é um registro de alguma parte (ou de um todo) que nos auxilia e nos inspira a melhor entender a experiência humana.

Se você é familiar com o conceito de Gestalt (um "todo" que quando organizado passa a ser percebido como uma unidade, não mais apenas a soma de suas partes), pode facilmente dizer que uma boa fotografia é uma dessas "partes".

As vezes, uma composição fotográfica pode integrar e conter tantos elementos em harmonia, que não é difícil percebê-la como a própria Gestalt de todos eles. Entretanto, essencialmente, quanto mais profundamente comprometida com a exposição de um único elemento em particular, uma fotografia pode literalmente transmitir milhares de mensagens e ideias.

Film-Making

Quando falamos de filmografia, é comum observar o julgamento feito por muitos sobre quando um filme tem uma boa "fotografia". Algo que não deve ser necessariamente confundido com o ofício e os objetivos da composição, pois neste caso, a fotografia envolvida na produção de um filme é algo ao mesmo tempo artístico (como a fotografia clássica), mas também bastante técnico.

Isso porque a fotografia em um filme (cinematografia) é a arte de direcionar o ato clássico de fotografar, para uma câmera que registra movimentos a partir destas pequenas unidades de imagens ordenadas dentro do equipamento (quadros). É como se cada composição estivesse organizada no "todo" (filme) e a se movimentar. O som, você questiona, vem em separado.

Sim, conceituando o video-making o mais genericamente possível, tudo está separado: ideias, composição, fotografia, cinematografia, sonoplastia (ambiente), sonografia, e muitos etcs. Mesmo que o processo de produção não seja feito assim na prática, um bom filme vai ao menos conceber todos estes pontos.

Se considerarmos que uma boa imagem pode levar apenas uma fração segundo para ser capturada, ou então levar meses/anos até que a composição seja alcançada, a cinematografia de alto nível por sua vez pode ser algo bastante simples (bem raro) e também bastante complexo.

Imagine a cinematografia como uma sequência de fotos ampla e minuciosamente pensadas para atingirem um resultado bastante específico, tanto do ponto de vista artístico como técnico também — um pouco diferente daquele vídeo de natal ou casamento que fizemos recentemente.

Neste Momento

As novas tecnologias invadem nossa percepção a velocidades quase que impossíveis de serem acompanhadas. Com o despejo de novos equipamentos e tecnologias no grande público, novas dinâmicas começam a obrigar uma série de mudanças.

Hoje, praticamente qualquer pessoa produz filmes e fotografia com níveis razoáveis de qualidade, gastando pouco tempo e dinheiro. Entretanto, essa facilidade costuma embaralhar aquelas pessoas que são entusiastas curiosos, como artistas e profissionais. Todo mundo é artista, todo mundo é profissional: não é bem assim que a banda toca.

Obviamente, que um vídeo com qualquer técnica (ou técnica nenhuma) de um grande furo de reportagem pode inclusive se beneficiar de sua característica rudimentar, resolução ruim, todo tremido, cheio de cores estranhas e "agitação" visual. Uma vez que o "objeto" da produção sempre será o principal destaque, a técnica pouco importa. Mas fotografia e cinetamografia não são apenas isso. Apliando o escopo, técnica e equipamentos podem importar, e muito.

Storytelling

Contar histórias através de imagens estáticas ou agrupadas, tanto na fotografia como na videografia, já é em si uma outra história. Se você se envolver no empreendimento de converter uma visão ou ideia em fotografia ou um filme, vai perceber que o buraco é mais embaixo e que para que as coisas atinjam o resultado desejado, você vai precisar ir além do seu smartphone e do olhar descomprometido e "livre" sobre o tema. Beeeeem além.

Qual é o impacto para quem vê um enquadramento bem de perto? À distância, sem som, com o som muito alto? Muito lento, em fragmentos, ou incompreenssívelmente rápido? A luz, as cores? A posição dos personagens, ou a total ausência visual deles? A mensagem, as ideias, o que está explícito ou o que não foi dito?

A composição disso em imagem (fotografia) e grupamentos sonorizados delas (videografia) é algo que, felizmente, deve ser separado do "bater fotos e fazer filmes", simplesmente porque tem objetivos distintos, vão além de imortalizar um momento em particular e tem o compromisso de, além disso, provocar a reflexão, transmitir mensagens e materializar visões e ideias. É uma grande aventura, onde os aventureiros (não-profissionais) são os que mais se frustram.

O produto disso pode ser a ficção ou a não-ficção, o lúdico ou o escarnecido, a fantasia ou a realidade. Todo este processo começa com a incubação de uma ideia e desenrola-se na forma de um extenso planejamento e ferramental a cargo de explorá-la e de, finalmente, materializá-la. O resto, vai para o YouTube 🙂

A Ponte

Pesquisando para o artigo, acabei me deparando com o óbvio. Existem toneladas de equipamentos über-bizarros para tentar fazer você acreditar que basta acoplar uma lente xing-ling aberrante no seu smartphone que de repente você vira concorrente do Guy Richie.

Se você já cruzou a ponte que faz a transição entre o tipo curioso-experimental e começa a entreter a ideia de amplificar seus experimentos, você é o cliente-alvo ideal para absorver estas porcarias. Ao fazê-lo, vai perceber o quão inúteis elas são, o quão caros podem ser os equipamentos e conhecimentos necessários para dar contorno às suas ideias e pode (infelizmente) abandonar seu talento sem nem sequer ter visto o que ele pode alcançar.

Sim, uma boa obra não é o equipamento nem a técnica. Estes são apenas veículos para você materializá-la. É como ouvi uma vez de um professor de música: "A música não está no instrumento. Ele é apenas um monte de madeira, aço e parafusos; não há música nele. Ele apenas tira a música de dentro de você e a traduz nesse ou naquele formato". O mesmo vale para a arte da fotografia e da videografia.

Baby-Steps

Já cansado e quase desistindo de encontrar algo que pudesse realmente auxiliar o artista em você, acabei esbarrando num equipamento super interessante chamado OWLE. Trata-se de uma espécie de super-grip para ser utilizado com o iPhone. Apesar de se parecer inicialmente com aquelas traquitanas toscas de lentes angulares adaptadas para iPhone, o OWLE pode ser uma mão na roda para quem tem um iOS e planos para quem sabe, expressar seu talento.

Não faz sentido você amplificar o intento da suas experiências e gastar montes de dinheiro com equipamentos profissionais se você ainda nem sequer sabe se a fotografia ou video-making profissionais são para você. Portanto, considere a menção e o review deste equipamento como algo capaz de lhe oferecer resultados muito melhores, utilizando o equipamento que você já tem nas mãos — neste caso, um iPhone.

O OWLE

Essencialmente, é um grip com uma lente grande-angular moderada. Feito em monobloco de alumínio, tem supostamente o peso ideal para garantir uma estabilidade inúmeras vezes maior do que segurar direto o corpo do iPhone. A lente grande angular ajusta-se com bastante precisão à lente do iPhone e oferece, junto de uma maior estabilidade na imagem, maior qualidade na posição, enquadramento e movimentação durante a composição e cinematografia.

Curiosamente, ele tem o formato daqueles controladores do PlayStation (não sei se acertei, não curto muito games, misturo as estações) e foi feito para ser segurado com as duas mãos, deixando toda a tela do iPhone (na horizontal) à disposição de um enquadramento bastante amplo, na distância ideal dos olhos.

Adicionalmente, o OWLE vem com um microfone direcional que pode ser usado ou não junto do grip e é bastante sensível, funcionando extremamente bem. Você pode usar apenas o microfone para cobrir eventos, entrevistas, reportagens de campo etc.

Um dos pontos mais positivos na arquitetura do equipamento é o fato de conter uma sapata (shoeing) para que você possa colocar rebatedores de luz, retro-iluminadores ou flashes. A sapata tem o padrão de entrada profissional e vai aceitar virtualmente qualquer coisa nela (neste formato).

Outra coisa interessantíssima é o fato de contar quatro screw-holes para que sejam instalados tripés, monopods, apoiadores, rods, rebatedores, etc, no padrão de parafusamento. As possibilidades, com isso, são infinitas e levam um simples iPhone à níveis nunca imaginados. É de se pensar seriamente se o seu caso é o de um Vlogger profissional, ou um videomaker, ou um jornalista, entre tantos outros.

Enfim, era o que eu tinha para dizer hoje, meu velho. Chacoalhe a vida, congele o tempo, conte histórias novas.

Um grande abraço.

***

O Kit completo vai sair por US$ 170.00 (razoável) e pode ser comprado aqui.

No mais, confira os vídeos abaixo:

Apresentação e crítica sobre o equipamento:

Comparação entre vídeos feitos com e sem o OWLE:

http://www.youtube.com/watch?v=vwMwycqvNnY

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