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Windows Phone 7: O Linux dos Smartphones

23/12/2010 às 14:45

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Durante anos o Windows Mobile foi um mal necessário. Nenhum outro sistema operacional móvel oferecia integração corporativa como ele, e em suas últimas versões estava razoavelmente utilizável. SE você quisesse um computador em seu telefone.

A metáfora era lógica, o bom-senso indicava isso. Usuários de PDAs diziam que queriam computadores miniatura, no Palm ansiávamos por mais recursos. A Microsoft deu isso, nós compramos e vimos que era horrível.

O melhor meio-termo entre recursos e usabilidade era o Symbian, e ficou assim até Steve Jobs fazer o que faz melhor: Não ouvir o consumidor e dar o que ele quer, não o que ele diz que quer. O iPhone chutou pra longe a metáfora de computador no celular. Jogou pra trás da cortina a complexidade e fez com que o uso online fosse pras alturas.

O Android surgiu, vem evoluindo rapidamente e já é um sistema maduro, apesar de alguns vícios tornarem a interface parecida com uma penteadeira de dama que troca favores por dinheiro, de vez em quando.

A Microsoft não poderia ficar de fora da Festa Móvel, mas mesmo a improvável possibilidade que tenham conseguido criar um excelente e competitivo produto, será suficiente?

Meninos, eu vi. O Windows Phone 7 É excelente. É competitivo. Não tem nada a ver com o Windows Mobile de antigamente. O Samsung da foto acima é o celular mais rápido que já mexi, a Interface é uma metáfora completamente diferente de tudo que já foi feito, faz Android e iPhone parecerem velhos e engessados.

wp7denovo

O WP7 é o primeiro cloudphone, se você não tem um bom plano de dados, nem tente. Se tiver, tente e veja como ele consegue manter sua vida online muito mais integrada do que a concorrência.

Eu digo tente, pois não pretendo abandonar o iPhone.

Como assim, Bial?

É isso que você leu. Eu não tenho motivos pra mudar. A proposta da Microsoft é muito boa, é uma abordagem diferente mas não é revolucionariamente melhor. Pode ser um produto matador para quem não se habituou ao modelo iPhone/Android de ícones e aplicações isoladas, mas não traz nenhuma promessa de melhorar significativamente a vida de quem está bem nesses sistemas.

A Microsoft demorou muito pra se achar. Hoje ela está no mercado mobile na mesma posição dos Linuxes user-friendly como o Ubuntu. Por anos foram complicados e a única coisa que o usuário fazia era configurar o sistema. Depois de um longo e tenebroso inverso se tornaram amigáveis, integrados ao resto do mundo e executam ou as mesmas ou aplicações equivalentes às que os usuários precisam.

Em teoria é possível ser feliz com um Ubuntu, mesmo assim com todas as vantagens de segurança e preço, ele mal passa do traço no IBOPE em relação ao Windows e ao OSX.

A culpa é da Microsoft. E da Apple. Eles maturaram seus sistemas ao ponto em que a zona de conforto é atraente demais. Ao mimimi “você não é livre”, a resposta é “dane-se, vivo numa gaiola dourada”. Os argumentos ideológicos contra o uso de Windows e Macs soa bobo e infantil aos ouvidos dos consumidores com mais de 17 anos e carteira assinada, já o aspecto financeiro não afeta o grosso do público, pois computadores normalmente são vendidos com sistemas pré-instalados e o custo médio é muito baixo.

O mercado mobile está vivendo esse momento, mas a Apple e o Android são a Microsoft da vez.

Como a Microsoft não pode copiar a brilhante estratégia do Linux que o levou a dominar o mercado de desktops, está investindo no mercado corporativo, onde tem um pé enorme, digno de estrelas da MPB, e em desenvolvedores.

Apostam também na consistência da plataforma. Uma projeção válida é que a fragmentação do Android tenda a piorar. Atitudes como a da Motorola, de não atualizar em alguns mercados aparelhos que ainda estavam sendo vendidos também colaboram para minar a imagem da marca Android. Segundo dados de 1o de Dezembro, apenas 43.4% dos telefones Android rodavam a versão 2.2, já as 1.5 e 1.6, que não são compatíveis com nada que preste ainda são executadas por 16.9% dos aparelhos.

Na Apple a fragmentação é mantida sob controle, usualmente um programa não é suportado quando utilizada recursos inexistentes no aparelho antigo, mas a velocidade ainda é um fator. Não adianta rodar se roda de forma quadrada. Com a chegada do iPad 2 a Apple passará a ter 6 aparelhos e 4 formatos e resolução de telas diferentes. Pense em quem tem que desenvolver pra isso.

Não creio que a fragmentação da concorrência torne o Windows Phone 7 dominante, mas pode fazer com que usuários formadores de opinião hoje satisfeitos venham a experimentar a alternativa.

De resto é apostar também no varejo, a publicidade está intensa, o resultado foram 1,5 milhões de aparelhos Windows Phone 7 vendidos nas primeiras seis semanas. Não é um assombro se comparado com um iPhone 4, mas é algo a se respeitar se levarmos em conta que é um mercado saturado onde a maioria dos usuários estão satisfeitos com seus smartphones.

Vai dar certo? Bem, prover uma alternativa por si só não é garantia de sucesso. A Palm e seu (quaquaqua) WebOS consegue perder do PSP em acessos nos EUA. A Alternativa tem que ser pelo menos tão boa quanto a opção principal. O Android conseguiu ser uma alternativa assim, mas demorou. Lembrem-se, ele foi anunciado antes do iPhone.

SE a Microsoft se comprometer a longo prazo tem tudo pra virar um grande player no mundo mobile, mas até lá irá amargar um bom prejuízo. Se bem que essa estratégia ela usou para o XBox e pouca gente pode dizer que não deu certo.

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