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Nietzsche 2.0: No iPad Deus está morto

17/12/2010 às 11:23

Photo dez 17, 10 47 40 AM

Na web é inútil e blasfêmia contestar a onipotência e onisciência do Google. Mesmo o Bing ainda está longe, tanto em tamanho quanto em resultados. O Google Tudo Sabe, Tudo Vê. É uma posição divinamente confortável, mas Darwin ensinou que sobrevivência é muito mais complicado que dominar seus inimigos, é preciso levar em conta o ambiente.

Os inimigos menores (ou seja: todos) não o afetam, mas uma mudança em seu meio-ambiente pode transformar o Google de um Deus em um Dinossauro.

O iPad chamou a atenção, mas o ambiente de aplicações web já tinha florescido com o iPhone e hoje tem um campo enorme no Android.

Esse monte de aplicações usadas para acessar conteúdo online NÃO é indexado pelo Google. Ele não sabe que elas existem, não tem controle sobre o que se passa nelas. Mais ainda: Elas são invisíveis ao Google Analytics. Qualquer aplicação que faça chamada a um webservice não existe para os sites de busca ou tracking.

A imagem que abre este artigo é do Flipboard, aplicação maravilhosa para o iPad que agrega em formato de revista informações via Twitter. O Google tem zero, ZERO controle ou conhecimento sobre o que é acessado ali. (exceto o feed do Google Reader, agora suportado)

Calma que piora (pro Google)

A tendência é essas aplicações ganharem conteúdo exclusivo. Significa que um fluxo constante de informação não passará pelo Google, diminuindo a fração de conhecimento indexado por ele, e quanto menos conhecimento um site de buscas indexa, menor seu valor percebido.

No campo da publicidade em teoria o Google tem um bom pé no mundo mobile, mas a tendência é que os veículos façam publicidade direta. Eles já tem o know-how e a estrutura, sem falar que os valores são bem mais atraentes. Veja o quanto a Editora Abrll cobra por anúncios no iPad, não há AdSense que supere.

Assim as aplicações diretas roubam o Google de sua capacidade de indexar E de sua capacidade de monetizar. Hadouken duplo! FINISH… ME?

Sim, o Google pode estar dando um belo tiro no pé com o Android, pois não tem como ganhar dinheiro diretamente com o sistema, seu retorno é via publicidade, mas em lugar nenhum o sujeito é obrigado a colocar propaganda dentro de uma App, muito menos propaganda do Google.

Se o mercado de tablets esquentar mesmo a tendência é que o acesso via aplicações estoure. Isso já zoneia a vida de quem vive de métricas, aplicações buscando dados via webservices, RSS, Twitter? Impossível agregar em um número prático. O simples RSS já é complicado. Meu blog tem 13 mil assinantes. Como vender isso em pageviews/leitores? Quantos assinantes são robôs, quantos nunca abrem o feed? E os que fazem a leitura via RSS e não vão ao blog comentar? Não estão expostos à publicidade. Posso computar esses leitores no total? Posso cobrar do anunciante levando esses leitores em conta?

Os tablets podem mudar muito mais do que a forma com que as pessoas consomem mídia online. O consumo via aplicação ou agregador faz muito mais sentido do que via navegador. Se você já tem um nome, se já tem um público pode viver perfeitamente sem o Google no mundo mobile. Já o Google conseguirá viver sem você?

via The Register

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