Meio Bit » Baú » Miscelâneas » Alguns motivos para a pirataria no Brasil

Alguns motivos para a pirataria no Brasil

14/04/2006 às 9:22

Não venho aqui fazer apologia da pirataria e nem ter a pretensão de querer dizer que essas são as principais razões pelas quais acho que ela é tão 'popular' por aqui. É minha opinião e só.

Vejamos um CD, por exemplo. Peguei o último da Madonna como exemplo. Nas lojas virtuais americanas, a média é de 20 dólares. No Submarino, 28 reais. Tudo bem, nada de muita diferença, certo?

Agora, um DVD que não é dos mais velhos: Star Wars episódio III - 30 dólares em média por lá, 39,90 reais por aqui. Também, nada de mais. Corrobora com minha teoria (e a de todos os meus amigos que moraram nos EUA) que tirar 1 dólar do bolso lá dói (quase) tanto quanto tirar 1 real do bolso para a gente aqui.

Leia mais após o clique...A coisa começa a ficar feia em jogos de PC, que, lembrando, são licenciados aqui, distribuídos legalmente, etc. Nos EUA, um lançamento custa de 40 a 50 dólares. Aqui, qualquer jogo licenciado, oficial, custa R$99.90. E por que isso é diferente de DVDs de filmes ou CDs de música? Algo que simplesmente não entendo.

Para Playstation e outros videogames, é pior ainda. O jogo Kingdom Hearts 2, que teve altíssimos valores de produção, com 8 mil linhas de diálogo falado e vozes dos personagens feitas por atores do calibre de Haley Joel Osmond (o moleque do Sexto Sentido), Mena Suvari (a loirinha de Beleza Americana) e David Boreanz (o Angel, das séries Buffy e Angel), além de todo o investimento da Square Soft em fazer acordos com a Disney para usar seus personagens em um jogo, custa 50 dólares na Amazon (foi lançado há 2 semanas, mais ou menos). Aqui, você encontra importado por 250 reais.

Aí eu me pergunto. Um jogo como esse, que oferece 60 horas de jogabilidade (estou estimando isso pelo tempo que levei para completar Kingdom Hearts 1 para chegar até o final secreto - e mesmo assim poderia chegar facilmente às 70 horas se eu resolvesse enfrentar chefes opcionais, etc etc) não vale 50 reais para você, se você gosta de Playstation 2 e dos jogos da Square? Claro que isso serve para qualquer jogo de Xbox, Gamecube, etc, os preços são os mesmos lá fora para lançamentos de qualquer um desses três consoles - apenas os de Xbox 360 custam 60 dólares lá fora, 10 dólares a mais.

Mas não, como só existem versões importadas aqui (e, acreditem, o preço cobrado pelas lojas que importam é justo - eu já importei alguns World of Warcraft, que custa 40 dólares lá fora, e me saiu 200 reais cada aqui após impostos e etc), o pessoal vai na banquinha do maloqueiro que vende uma cópia por 20 reais. Você não pagaria 50 reais, pouco mais que o dobro de uma versão pirata, por um jogo que você sabe que vai adorar, com manual, caixinha, original, que custou milhões de dólares para ser produzido e tudo o mais?

E depois reclamam que a pirataria está cada vez maior aqui. Com computador, a mesma coisa. Entidades governamentais vivem reclamando que 40% (mais ou menos) dos PCs vendidos são 'alternativos'. Um exemplo? Um PC da Systemax, que é uma marca ótima, não tem o calibre da Dell nem da Alienware, mas é uma marca de extrema qualidade. Veja o que você consegue lá fora por 1500 dólares:

Athlon 64 biprocessado X2 4400+, 1 GB de RAM DDR, 2 HDs SATA de 300 GBs cada um, um drive de DVDRW e mais um de CDRW/DVD player, alto falantes Cyber Acoustics 2016, 1 placa PCI ATI X1600 Pro PCI com 256MB de memória, que roda qualquer jogo na máxima configuração (ou quase, dependendo do jogo) e Windows XP Professional incluído (original, claro), teclado multimídia, mouse óptico, etc.

Ah, vem sem monitor. Que tal um Acer LCD de 19 polegadas com tempo de resposta de 8ms (o top de linha para qualquer aplicação e jogo)? 250 dólares.

Chegamos a um total de 1750 dólares. Agora, nem que você seja o maior especialista em montar computadores e consiga componentes contrabandeados e monte um igualzinho, duvido que vá conseguir uma configuração parecida por aqui por menos de 3000 reais. Aliás em lojas de procedência duvidosa, você consegue um Athlon X2 4400+ por 3 mil reais com um monitor de 17 polegadas não-LCD, um Hd de 120 GB e uma placa Nvidia GeForce 5500 de 128 MB, bem inferior à da configuração citada. Relembrando que a Systemax é uma companhia 'careira' para os padrões americanos - não é de grife, por isso não tem o preço da Dell e cia., mas dá para conseguir uma configuração dessas por preços menores ainda se você quer um PC sem marca conhecida. E quer mais? Que tal um conjunto 5.1 com subwoofer da Logitech, aqueles caríssimos aqui no Brasil? 54 dólares lá. 70 watts RMS de potência total, o que já é suficiente para fazer seu quarteirão tremer se você jogar Doom 3 em um volume alto. Veja o produto.

Claro que o tal laptop de 100 dólares vai ajudar a popularizar a internet, mas você, leitor do meiobit, sabe que tem o poder aquisitivo e o perfil de quem quer um computador que rode o sistema que você quer, com boa memória, espaço em disco, etc.

E o Playstation 2? Em 'oferta' no Submarino por 700 reais? Veja o preço dele lá - 150 dólares. Imagina comprar um PS2, um Xbox por 150, 200 reais por aqui. Ou um Xbox 360 por 400 reais, que lá custa 400 dólares, a versão premium com Hd, controle sem fio e otras cositas más.

E estou comparando apenas preços. Nem vou tocar no ponto em que receber 1000 dólares de salário por mês lá é quase um salário mínimo, enquanto aqui um monte de gente formada recebe 1000 reais ou um pouco mais que isso.

Enfim, não é apologia à pirataria nem me jugo capacitado a entender e dizer o porquê de alguns produtos serem tão absurdamente caros aqui. São apenas alguns exemplos.

Mas que algo está errado, está, e a culpa da pirataria, tanto em termos de soft quanto hardware (já estão pegando quadrilhas fazendo tráfego de chips por aí), está longe de ser unilateral, ou seja, só dos usuários.

Ah, e nem vou comentar sobre o tipo de carro que você pode comprar com 20 mil dólares lá comparado até com um de 50 mil reais aqui. Além disso não ter a ver com a proposta do meiobit, vai me fazer escrever palavras muito feias aqui 😉

relacionados


Comentários