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Roube Música

07/04/2006 às 11:10

A proteção dos direitos autorais (DRM - Digital Rights Management) é algo que qualquer pessoa que produza conteúdo entende. Ninguém quer ver seu livro xerocado, ou seu CD copiado aos milhões, sem ganhar nada com isso. Só que no caso da Internet, não só o usuário legítimo é penalizado, como é tratado como criminoso. Poucas coisas são mais antipáticas que o texto "não roube música" nas caixas, anúncios e até no plástico de proteção da tela dos iPods. O cidadão gasta uma boa grana comprando um produto de uma empresa que já começa chamando-o de ladrão em potencial?

O pior é que não é só a Apple, há uma epidemia de produtos que penalizam o usuário honesto e são ignorados pelos piratas. A Sony levou uma bela arranhada na imagem, com os rootkits em seus CD, que causaram muitos problemas e falhas de segurança. A última no Brasil foi o CD da Marisa Monte, que só pode ser executado no PC através de um player especial, e não permite que seu conteúdo seja copiado para um iPod. Notem, não falo de ripar o CD e transformá-lo em MP3, mas de uma legítima cópia para ser executada em um player reconhecido, de uma empresa que representa uma fração significativa das vendas de música online.

Assim, quem compra um CD desses, e não rouba música, não pode ouvi-lo. Belo incentivo, dona Apple.

Da mesma forma a própria loja do iTunes, que deveria facilitar a vida do usuário, só complica. Fui baixar um documentário sobre a nova versão de Battlestar Galactica. Está disponível no iTunes, gratuitamente. Achei o link. Cliquei. Precisava de uma "Apple Account". Bolas, não vou comprar nada, mas tudo bem. Criei a tal conta. Ele me pediu cartão de crédito ou Paypal. Coloquei o Paypal pois sei que não tem dinheiro lá.

Não satisfeita a loja me pediu uma confirmação do Paypal, autorizando futuros débitos em caso de compra. FIz. Recebi email confirmando. Voltei pra loja e adivinhem... minha conta não funciona. Testei com outros emails, nada. Por algum motivo o que seria um simples download gratuito se tornou uma impossibilidade. Excesso de burocracia. Resultado?

Vou procurar no bit torrent.

Controle de direitos de reprodução / venda podem e devem existir, associados a micropagamentos podem multiplicar por mil o dinheiro movimentado na Internet. O problema é que sendo invasivos (ex Sony) e restritivos (ex Apple, EMI, etc) nunca serão aceitos pelo público.

A Microsoft consegue ter o melhor e o pior exemplo. Uma vez troquei placa-mãe, HD e placa de vídeo de meu PC. O XP achou que era mudança demais e pediu para que eu reautenticasse o produto. Fui empurrando com a barriga até um dia que a meia-noite virou e ele não me deixou entrar. Peguei meu CD original, digitei o serial. Erro. Havia ultrapassado o limite de autenticações com aquele serial.

Uma mensagem meio terrorista nos fóruns da época dizia que após 5 instalações o usuário não poderia mais usar sua cópia, e teria que comprar outro XP. Mesmo não acreditando, liguei, ressabiado para o 0800 da Microsoft. Comecei a explicar, o atendente me cortou. "Não há problema, por favor clique na autorização manual e me leia os números gerados". Fiz isso, ele passou de volta uma chave, presto! XP autenticado. Agradeci e desliguei.

Eram 11 horas da noite de um domingo.

ESSE é um controle de direitos que não me agride.

Por outro lado, quem baixa filmes educativos da Internet fica longe de arquivos .wmv. Os de título mais interessantes são puro perigo. Sites inescrupulosos usam os mecanismos de DRM para abrir, dentro do Media Player, seus sites carregados de spywares, e forçar o usuário a no mínimo fornecer um email válido para executar o vídeo. Há casos de instalações fraudulentas e até pior.

É um abuso você gastar tempo e dinheiro baixando um arquivo e depois descobrir que ele não vai abrir. Ao menos a Apple é mais honesta, não deixando nem baixar.

Agora a Microsoft está promovendo a inclusão de ferramentas de DRM em telefones celulares. Em teoria isso acabaria com a facilidade de escutar seus MP3 favoritos, em aparelhos com boa qualidade sonora, como o Nokia N-Gage ou o Motorola Rokr.

A quantidade de CDs que dão problema em aparelhos antigos também é alarmante. As técnicas anti-pirataria são especialmente efetivas contra CD Players automotivos e aparelhos de primeira ou segunda geração. A solução para quem tem um CD que não toca no carro? Troque de player ou baixe da Internet.

Afinal, se as gravadoras querem ser capitalistas selvagens, têm que aceitar que o bom selvagem, quando não consegue por bem, consegue por mal. E da próxima vez não vai se preocupar em comprar o CD antes de "roubá-lo" via Internet.

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