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Fotografia de Casamento – Dicas para entrar no mercado

19/11/2010 às 0:34

Continuando a reflexão gerada pelo texto anterior da série, onde levantamos algumas considerações sobre o que você deve observar para contratar uma equipe de fotografia para seu casamento, agora vamos conversar um pouco sobre o que é necessário para você que é fotógrafo entrar nesse mercado. Ultimamente tenho ouvido muito essa história de pessoas que me procuram para aulas particulares. Ela começa sempre assim: olha, sempre gostei de fotografia, comprei uma câmera bacana (geralmente uma reflex de entrada) e a grana anda curta, então gostaria de levantar uns trocos de fim de semana fazendo fotografia de casamento e eventos. Aqui entra o grande problema da fotografia digital. Pessoas que não são profissionais querendo fazer o trabalho de profissionais. Eu sempre digo para meus alunos que a fotografia é uma maravilha, pois permite até a quem não é profissional ser chamado de fotógrafo. Meus alunos que terminam o curso básico já são chamados por mim de fotógrafos. Afinal de contas, isso é um estado de espírito e não somente uma profissão ou atividade.

Mas, tudo tem limite. Chegar à conclusão de que você está pronto para vender um serviço fotográfico é uma história completamente diferente. Por mais que pareça fácil, a fotografia não é apenas pegar uma câmera e apertar um botão. Existe todo um processo criativo e técnico por trás da imagem. Às vezes não entendemos essa parte, mas é isso que vai aplicar um diferencial em seu trabalho. Meus colegas dizem que agora está difícil trabalhar, pois existem centenas de fotógrafos que não sabem o que estão fazendo e que também não tem a mínima idéia de quanto cobrar e estão levando os preços do mercado para baixo. Eu sou otimista, acho que esses aventureiros deixam nosso trabalho ainda mais em evidência, pois entregamos um produto com maior qualidade. Mas, independente do que você pensa sobre isso, aqui vão algumas dicas sobre como não passar vergonha no mundo da fotografia de casamento.

Estudo – isso mesmo jovem padawan, no mundo da fotografia existe muito estudo. Existem diversas variáveis técnicas e criativas que você deve entender antes de se aventurar pelo mundo do registro dos eventos. Você deve entender como funcionam as regulagens de seu equipamento e como empregá-las no momento certo. Deve entender o comportamento da luz e saber utilizar todos os acessórios necessários para produzir luz artificial e saber os efeitos de acessórios difusores e rebatedores. Acima de tudo, você deve entender de composição. Essa é a parte mais difícil e a que vai dar um nó na sua cabeça. Eu indico para vocês um bom curso de pintura em tela. Nada melhor para aprender composição e luz do que em um curso de pintura artística. Eu estudei fotografia por 8 anos antes de começar a vender meus serviços. Foi só nesse momento que me senti seguro para não fazer besteira.

Seja um assistente – depois de estudar fotografia e conhecer razoavelmente os seus mistérios, está na hora de começar a aprender fotografia de casamento. Procure os maiores estúdios ou os fotógrafos mais famosos de sua cidade (ou região) e ofereça seus serviços como assistente. Para quem não sabe, assistente de fotógrafo é a nova nomenclatura para escravo humano em nossa sociedade. Você vai trabalhar muito e vai ganhar uma miséria. Em alguns casos, apenas o vale transporte. Então por que estou falando para fazerem isso? O assistente não ganha apenas dinheiro, ele ganha conhecimento. Geralmente é ele que cuida dos equipamentos, monta os esquemas de luz, regula tudo que é possível no estúdio e aprende em primeira mão todas as gambiarras que podemos armar para conseguir uma boa fotografia. É um período de privação financeira em sua vida, mas que vai render mais do que qualquer curso superior de fotografia.

Relacionamento com as pessoas – vender um produto como um álbum de casamento é no fundo um lance mais psicológico do que de preço. Se você é um misantropo é melhor procurar outra área de atuação. O bom relacionamento com as pessoas é muito importante, pois você está tratando de um momento muito importante para os noivos, um momento de muita emoção. Saiba conversar, atender bem o cliente e passar confiança. Aliás, confiança é o primordial. Você deve mostrar que sabe do que está falando e que vai ter total controle sobre o momento do casamento. Nunca passe orçamento por telefone ou e-mail, senão você vai ser classificado apenas pelo preço. Leve os noivos até o seu estúdio (sinto muito, mas é importante ter um) ou marque um encontro em local bem agradável. Leve seus álbuns, mostruários e qualquer outro brinde que vá oferecer. O preço, mesmo que alto, não parece tão ardido quando vemos a qualidade do que estamos comprando.

Equipamento – sempre falamos que fotografia independe de equipamento, mas isso não é uma verdade na fotografia profissional. Câmeras mais baratas são boas para fazerem fotos casuais, mas não agüentam a batida da vida profissional. O ideal é ter duas câmeras de médio porte (Nikon D90, Nikon D7000, Canon EOS 50D, Canon EOS 60D) onde os corpos são mais resistentes, mais pesadas e equilibradas, com obturadores que duram acima de 100 mil fotos e qualidade de imagem elevada. Não adianta chorar gente, tem que ter duas câmeras e pronto. Se sua única câmera quebra no meio do evento o que você vai falar para os noivos? Que vai embora porque a câmera quebrou? É processo na certa. Junto ao equipamento é necessário ter dois ou mais flashes profissionais TTL, tripés, cartões de memória extras, duas baterias ou um battery grip para cada câmera. As lentes também são muito importantes. As atuais lentes avançadas do kit da Canon (28-135mm) e Nikon (18-105mm) são muito boas para cobrir eventos, mas em algum momento você vai sentir falta de uma lente super grande angular de 10mm ou lentes com abertura de diafragma f/2.8. A tendência agora é usar o mínimo possível a luz do flash. Mas, isso você vai comprando com o tempo. Fica barato? Claro que não, mas é necessário para vender um serviço de qualidade.

Tenha um bom produto – antigamente (na era do filme) ter uma boa encadernadora era um saco. Digo isso porque as empresas não ligavam para quem estava começando na fotografia e só davam desconto para quem tivesse um fluxo de trabalho razoável. Hoje isso não acontece mais. Existem ótimas empresas de encadernação que entregam um produto muito bacana por um preço justo. Procure aquelas que possuem produtos que se encaixem em sua proposta de trabalho, entre em contato e faça uma linha de portfólio. Isso é básico para quem quer trabalhar com cobertura fotográfica de casamento.

Marketing com profissionalismo – dizem as más línguas que a primeira impressão é a que conta. A questão do marketing se torna muito importante dentro dessa premissa. Por isso, o produto que você apresenta tem que transmitir uma idéia de profissional bem organizado e destacado. Tenha um cuidado especial com seu cartão de visitas. Invista uma grana em um design personalizado e uma impressão em papel de alta qualidade. Nada de pegar modelos pré-prontos na internet ou montar um cartão meia boca e imprimir em sua impressora jato de tinta. Ele é seu ponto de entrada, então tem que ser uma obra de destaque. O mesmo cuidado deve ser dado ao Facebook, Orkut e Twitter. Você deve montar uma conta profissional dentro das redes sociais. Ali é seu lugar de trabalho. Nada de participar de comunidades de duplo sentido ou ligadas a baixaria. Clientes notam isso. O e-mail de divulgação também é muito importante. Registre um domínio e uma conta de e-mail personalizada, pois ninguém respeita alguém que possui um e-mail como garotã[email protected] (juro que já vi isso). Se vai ter um blog ou site as dicas acima também valem. Gastar uma grana agora no começo é melhor do que ter que desfazer uma má impressão de um trabalho porco.

Fique atento às tendências – assim como todo tipo de fotografia, a de casamento também sofre com tendências. Estar sempre atento ao que está acontecendo no mercado pode ser o seu diferencial. Lembrando que você não precisa ser o melhor, mas tem que ser o mais original. Essa parte é ligada a constante qualificação profissional. É necessário assinar revistas, comprar livros, visitar sites especializados e fazer cursos com profissionais das grandes capitais (onde essas tendências chegam primeiro).

É somente isso? Claro que não. Existem coisas que a gente vai descobrindo no meio do caminho. Coisas como ter sensibilidade, saber aproveitar o momento certo, ser prestativo, reconhecer as boas oportunidades profissionais e sempre ser justo. Essas são apenas minhas pequenas dicas para quem quer começar. Aposto que tem muita gente aqui que também pode dar uma contribuição para o assunto. Perguntas são bem vindas.

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