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Ataque Alienígena, Conspiracões e a Sociedade da Informacão

09/11/2010 às 15:06

O mundo é cheio de pequenos e grandes mistérios, a nossa Era da Informação Instantânea acaba trazendo mais perguntas junto com poucas respostas, mas isso não é ruim, pelo contrário. Torna tudo muito mais divertido.

Exceto para quem gosta de manter segredos.

Nos anos 40 os EUA conseguiram manter o Projeto Manhattan em sigilo absoluto, centenas de milhares de pessoas sumiram da face da Terra e foram isolados em Los Alamos, a pesquisa foi compartimentalizada e quem tinha idéia do que estava acontecendo, não tocava no assunto. Até quadrinhos do Super-Homem foram censurados, pois mencionavam uma "bomba atômica", que não tinha nada a ver com a que estava em desenvolvimento, mas mesmo assim o Governo não queria arriscar que os nazistas tomassem conhecimento da possibilidade de tal arma.

Algumas conspirações são mantidas aos olhos do público, com um disfarce convincente, como o Projeto Jennifer. Em 1969 um submarino russo, o K-129 naufragou em águas profundas. Depois de semanas de busca, os soviéticos desistiram de tentar achar os destroços. De olho na incrível quantidade de informações em um submarino balístico inimigo, os americanos começaram uma busca sistemática com o USS Halibut, um submarino modificado para operações de espionagem, com um robô controlado por cabos. Como dispunham dos dados do "evento acústico", fornecidos pela rede de sonares no Pacífico, a área de busca foi bem menor, e em meras 3 semanas o K-129 foi encontrado, a 4,8 Km de profundidade.

A tecnologia para resgatar um submarino classe GOLF II de quase 5Km de oceano não existia. A rigor ainda não existe, mas isso não impediu a CIA. Eles tinham gente para fazer o impossível. Não era gente normal, claro. Com um problema quase insolúvel e um cheque em branco, projetaram um navio gigantesco com uma garra capaz de abocanhar um submarino inteiro. O Glomar Explorer tinha 50 mil toneladas e 189 metros de comprimento, com soluções revolucionárias para problemas insolúveis. Como estabilizar um navio tão grande, mantendo-o estacionário 4,8Km acima do alvo?

a garra do Glomar Explorer

Com transdutores espalhados pelo casco, detectando força e direção das correntes, transmitindo os dados para o computador de bordo, que acionava hidrojatos nas laterais do navio, gerando uma força contrária equivalente.

O projeto custou absurdos US$3,5 bilhões em dinheiro de hoje, e teve (segundo a CIA) sucesso parcial, recuperando parte do submarino, com uma ogiva nuclear, mas perdendo o resto com uma falha catastrófica da Garra. Não que eu acredite nesse fracasso, claro.

Uma nota interessante é que mesmo no auge da Guerra Fria, o respeito entre marinheiros era presente. Seis corpos de militares soviéticos foram resgatados nos destroços. Eles foram recolhidos, tratados com respeito e sepultados no oceano, em uma cerimônia no deck do navio. Diante de bandeiras dos EUA e da Russia os hinos americano e soviético foram tocados, em seguida um capelão leu uma eulogia em inglês e russo. A cerimônia foi filmada, permanecendo secreta até 1992, quando Robert Gates, diretor da CIA entregou uma cópia para autoridades russas. Bem depois o vídeo se tornou público:

Como os russos não desconfiaram dessa operação? Simples, foi feita em público. A construção do navio, que seria impossível de ser escondida da KGB foi mostrada como um projeto de Howard Hughes, playboy, magnata, inspirador do Tony Stark e adepto de projetos mirabolantes. Sim, aquele do filme O Aviador.

Emprestando seu nome para o projeto, o Glomar Explorer seria sua idéia para exploração de nódulos de Manganês no fundo do oceano. Críticos diziam que não era economicamente viável, mas Hughes era conhecido por não se prender por detalhes assim. Com isso a KGB não desconfiou que o maior projeto de espionagem da Guerra Fria estava sendo construído à vista de todos, em plena Filadélfia.

Outra Conspiração, Ainda DiCaprio

O segredo do oceanógrafo Robert Ballard para encontrar o Titanic foi um só: Dinheiro. Em 1982 ele tinha o Argo, um robô submarino de águas profundas, só não tinha a verba, provavelmente por não saber o email de James Cameron. A solução foi pedir ajuda à Marinha dos EUA, que por sua vez disse que não era ONG, e propôs uma permuta: Ballard usaria o Argo para investigar os destroços dos dois únicos acidentes com submarinos nucleares americanos, o USS Thresher e USS Scorpion, em troca receberia verba para procurar o Titanic.

Ao público era informado que Ballard buscava o Titanic e nada mais. Na verdade Ballard achou os submarinos conforme combinado, em 1984. Filmando fotografando e sondando o estado dos barcos, cumpriu sua missão com louvor, embora até hoje não saiba o que foi concluído das informações coletadas.

No dia 22 de Agosto de 1985 ele chegou ao local aproximado do naufrágio do Titanic, iniciando as buscas, tendo 12 dias de verba. No décimo dia, Primeiro de Setembro anomalias no fundo do oceano indicavam uma trilha de destroços que levou direto ao navio.

Para o público a busca levou anos, para Ballard, 10 dias. Os russos nunca desconfiaram do que estava acontecendo.

Hoje é bem mais difícil manter esse nível de conspiração, todo mundo tem celular, todo mundo fala o tempo todo e a Internet é ótima para cruzar informações. A proliferação das câmeras tornou complicada a "negação plausível", testemunhas oculares podem ser desacreditadas, vídeos não.

Vejam por exemplo o Mistério da Semana:

Ontem, a uns 70Km da costa da Califórnia, na altura de Los Angeles um míssil de grande porte foi lançado. No meio do oceano, o mais provável é que tenha sido um submarino classe Ohio. Nos velhos tempos alguém que tivesse testemunhado diria que "viu alguma coisa", as autoridades diriam que foi um balão meteorológico, gás do pântano ou Vênus, e ficaria por isso mesmo. Hoje não, graças a um efeito Big Brother inverso, tudo é filmado.

A Marinha e a Força Aérea negam participação, mas com provas irrefutáveis cedo ou tarde terão que esclarecer a população, até por uma questão de imagem. Desde quando alguém lança um missil no quintal do país e as forças armadas não fazem nada? Transparência ou imagem de incompetência, é uma escola difícil.

O Pentágono disse através de porta-voz que não tem idéia da origem do lançamento, mas não estão alarmados.

A nós cabe apenas especular. Robert Ellsworth, ex-embaixador dos EUA na OTAN e ex-Secretário Interino de Defesa dos EUA imagina que pode ser uma demonstração de força para os países asiáticos, que Obama está visitando. Não acho que seja muito diplomático lançar mísseis em direção aos países que você está visitando. No mínimo não é atitude digna de um Nobel da Paz.

Eu voto em invasão alienígena. Uma nave de escolta Reptiliana chegou muito perto da Terra em uma missão de reconhecimento, e para mostrar que não estamos brincando e que Sistema Solar não é bagunça, Obama autorizou o lançamento de um Trident II carregando 8 ogivas W88, de 475 Kilotons cada.

Dessa história toda tiramos a lição de que é impossível enganar todo mundo o tempo todo, e que a agilidade dos tempos modernos torna quase impossível criar histórias de cobertura para acontecimentos assim. Em uma época onde o Wikileaks disponibiliza toneladas de documentos secretos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque, a Informação é commodity, deixa de ser o elemento estratégico e os vencedores não são mais aqueles que a detém, mas os que fazem melhor uso dela.

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