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Video Games fazem mal à saúde. Dos inimigos.

22/03/2006 às 17:27

A parte mais vulnerável de qualquer arma sempre foi a humana. Aquelas clássicas metralhadoras em jipes sempre atraíram snipers, qualquer gamer sabe disso. O exército dos EUA também, por isso está testando no Iraque o CROWS (Common Remotely Operated Weapon Station), uma arma de controle remoto cheia de sensores, operada de dentro dos veículos. O mais interessante: Soldados com experiência em video games têm uma curva de aprendizado muito rápida e se dão super-bem com o sistema. Já quem está do outro lado só pode se esconder e ficar teclando IDKFA...

Sistemas assim estão em desenvolvimento desde a Segunda Guerra, mas nunca foram muito confiáveis. Desta vez pelo visto a confiabilidade foi atingida. Segundo o site StrategyPage.Com o Pentágono já encomendou 9000 unidades, mas a capacidade de produção é de 15 por mês.

O Fabricante, a Recon Optical, Incorporated desenvolveu um sistema modular, que permite ser acoplado a várias armas diferentes, como metralhadoras .50, M249 ou o lançador automático de granadas MK-19. Nenhum BFG-9000 por enquanto.

Hummer equipado com sistema CROWS

A psicologia da situação é mais que óbvia. Ninguém reage bem sob fogo, em um ambiente relativamente seguro é bem mais provável que suas reações sejam pensadas e precisas. Por trás de uma boa blindagem, controlando um joystick, é possível selecionar tranquilamente seu alvo, ao invés de atirar a esmo, o que desperdiça munição e não é tão eficiente.

A primeira geração acostumada a jogos de verdade está surpreendendo os generais, pois soldados sempre foram avessos a inovações, em geral geram mais problemas do que ajudam, além de transformar soldados em cobaias. No caso estão abraçando o CROWS, pois é uma tecnologia que lhes é familiar, instintivamente SABEM que funciona. Um soldado de 20 anos com orientação tecnológica (leia-se nerd) levará uns 5 minutos para se tornar eficiente no uso de um sistema desses. Mesmo que seja o pior atirador da unidade.

O CROWS utiliza duas câmeras, uma colorida para dia, uma infravermelha para visão noturna, um indicador de distância por LASER, além de estabilizadores de imagem. Há opcionais para checkpoints, sensor de movimento e a movimentação da torre de tiro é de 360 graus, em 4 segundos.

Hints & Tips
O sistema CROWS só é vulnerável na hora de remuniciar, quando quem tirar o palitinho menor terá que sair do Hummer e trocar o cofre de munição.

Console de controle

O desenvolvimento de aeronaves de controle remoto armadas e sistemas como o CROWS está se tornando uma verdadeira Vingança dos Nerds. No futuro um bom soldado pode ser um sujeito que fica na frente do computador o tempo todo, se dividindo entre o Mouse e o Joystick. Se isso lembra muito o livro Ender's Game, de Orson Scott Card, é isso mesmo. Soldados custam caro para treinar, quem trata os seus como bucha de canhão sempre acaba perdendo, Alexandre, o Grande já sabia disso.

Aos comentários, um pedido: Não está sendo discutida a moralidade da guerra, o foco aqui é a tecnologia e seus usuários. Também, por favor, nada de afirmar que "não é justo". Como já disse Tom Clancy, combate justo é aquele em que os meus rapazes voltam todos, são e salvos.

Adendo:

Esse garoto aqui não seria um bom soldado para operar o CROWS, com certeza...

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