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Sistema do FBI atrasado anos e US$ 100 milhões acima do estimado. Governo nega ter conhecimento.

Problemas governamentais com a implantação de um sistema no FBI.

26/10/2010 às 9:16

A primeira reação diante de um caso como esses é dizer "esse tipo de coisa só acontece no Brasil", dada nossa familiaridade com obras superfaturadas e incompetência generalizada, mas passado o susto percebe-se que projeto de Governo é o mesmo no mundo todo, o caso só parece maior por causa da escala.

Escala essa que é monstruosa. O sistema, chamado Sentinel deveria organizar e gerenciar os arquivos do FBI em todo o país, informatizando uma base de dados que, apesar de tudo que vemos em Criminal Minds, é ainda largamente baseada em papel.

O projeto não é a primeira tentativa. Antes dele, o FBI enterrou US$170 milhões no Virtual Case File, que deveria ser um sistema futurista de gerenciamento de informação e combate a terrorismo, buscando, analisando e cruzando informações de milhares de casos. Isso foi a proposta, em 2001. Em 2005, após um breve e desastroso teste, o sistema foi pra prateleira.

Como o FBI é brasileiro e não desiste nunca (ao menos em espírito), criaram o projeto Sentinel, codinome interno "agora vai", acredito eu. Mais ambicioso que o VCF, o Sentinel iria disponibilizar na Web todas as informações da agência, com gerenciamento de workflow, controle de provas, perfis de suspeitos, etc., etc. e mais um porrilhão de etcéteras que cabem em um projeto de US$ 425 milhões.

Esse filé está sendo encabeçado pelo Lockheed Martin, com outros grandes players no bolo, como a Accenture.

Problema: em 2008 a estimativa de custo foi aumentada pra US$451 milhões, e agora o Inspetor Geral do Ministério de Justiça dos EUA comunicou que o Sentinel já está US$100 milhões acima do orçamento.

Pior: os requisitos do sistema estão obsoletos, bem como o hardware descrito nas especificações.

A cereja do bolo: o FBI acha que consegue terminar o sistema com a verba atual, mas ele tem um pequeno problema de projeto, uma falha mínima, quase insignificante: Glenn Fine, inspetor-geral do Ministério da Justiça, expressou grande preocupação se o Sentinel será capaz de compartilhar informações com outras agências de inteligência, ou sequer prover um framework para interações com órgãos externos.

Se continuar assim pra terminar o Sentinel vão ter que pagar muita hora-extra pra Garcia, e o resto da turma do Hotch ficará sem jatinho, vão ter que visitar cena do crime via Webjet mesmo...

Fonte: The Washington Post

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