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Será que a Nintendo aprendeu com os erros do passado?

17/03/2006 às 7:02

O post do Kioshi sobre os specs de consoles me fez refletir sobre algumas coisas no mercado de jogos. A Nintendo sempre foi tida como uma empresa meio cabeça-dura, tradicional em seu modelo de marketing e negócios. O GameCube não foi um fracasso financeiro, mas perdeu feio para o Playstation. A estratégia da Sony foi muito inteligente.

Enquanto a Nintendo tentava convencer os consumidores que o cartucho era bem melhor e mais rápido, a Sony adotou o CD-ROM e os jogos se libertaram das amarras de armazenamento. Com o PS2, colocaram um player de DVD junto com um videogame, focaram pesadamente no mercado jovem adulto (aquele que cresceu jogando NES e agora tem dinheiro para decidir a compra) e lançou dezenas de títulos com apelo a esse público. Além disso, fez algo que os consumidores da Nintendo pediam há anos: lançaram um console novo com suporte aos jogos do antigo. A Nintendo continuou míope ou em cima de um pedestal ou talvez arrogante demais para aceitar o sopro de novos tempos e preferiu adotar um modelo próprio de mídia com o Gamecube.Até hoje há ressentimentos das várias promessas com o SNES que nunca se realizaram. Lembram do drive de CD do SNES que ficou só na promessa? E a possibilidade de ter um periférico que rodasse os jogos de NES? Quando chegou a nova geração, lançam o Nintendo 64 com cartuchos enquanto o PS1 permitia uma experiência de PC nos consoles: vídeo, animações e música. O acerto foi tão grande que houve uma onda de questionamento se os PCs não estariam acabados (lógico que não aconteceu nada disso).

Algo que a Nintendo deixou crescer demais foi a crença que o seus consoles eram voltados para crianças. Isso é parte da verdade. Eles possuem uma censura pesada e jogos podem ser muito bons sem precisar de linguagem chula e rios de sangue na tela. Ao mesmo tempo, fazer um personagem morrer virando fumacinha numa animação toda bonitinha tira o apelo do público adulto. Isso foi um erro de estratégia: deixe o consumidor decidir o quanto de violência ele quer. Um jogo pode ser 13-17 anos, depende dos pais ou do adulto de 30 anos querendo mais realismo. O consumidor decide.

Mas algo que eles sempre acertaram foi a linha de portáteis Game Boy e agora com o Nintendo DS. Eles fizeram muita coisa certa: durabilidade das baterias, compatibilidade com os jogos anteriores, controles simples, jogos muito divertidos e com baixa curva de aprendizado. E isso tem um apelo muito grande com qual público? O adulto. Quem trabalha não tem muito tempo e um console portátil é justamente o companheiro da fila do banco, da espera numa consulta médica, no ônibus indo para o trabalho ou em cima da cama antes de ir dormir. O perfil de uso também é diferente. São os jogos do tipo ligar e jogar, rapidamente, sem necessitar de ler um manual para aprender as regras.

É preciso reconhecer que uma empresa com mais de 100 anos como a Nintendo (sim, fundada em 1889) não está tanto tempo assim no mercado se não aprendesse com seus erros. O Nintendo DS está caindo na graça dos consumidores como um console portátil poderoso, com uma ampla biblioteca de jogos disponíveis e os donos de PSP passam mais tempo assistindo filmes nele do que jogando.

Eu tenho grandes expectativas para o Revolution e espero que eles sejam capazes de mostrar que ainda podem conquistar todas as faixas etárias, com jogos divertidos, onde um pai possa jogar com o filho e depois pode colocar um outro jogo e ir dar tiros na cabeça de incautos online.

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