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Kindle que partiu: emprestando a genialidade.

Amazon anuncia serviço de empréstimo de ebooks para Kindle. Termos do novo recurso são estranhos e pouco amigáveis.

23/10/2010 às 8:55

nabokov.jpg

Que melhor maneira para ilustrar a cena senão com a imagem de um clássico todo escangalhado, regado à prosa polida de Nabokov e decorado com os upgrades de sei-lá-quem?

Desde quando era garoto que me lembro (e respeito) um ditado oferecido pelo meu querido tio: "Mulher e livros não se emprestam; ou voltam todos avariados". O tempo passa, o tempo voa... e a Amazon garante que pelo menos os livros voltam a ser o que eram antes de saírem da sua companhia.

Nessa sexta-feira (22) a empresa informou no community-site do Kindle que até o final do ano você desfrutará de um serviço incrível que promete melhorar a imagem pouco camarada que seus amigos tem de você. Coisa fina mesmo.

Já que a maioria dos seus amigos é muca para liberar as obaminhas, você poderá finalmente compartilhar aqueles ebooks pagos com centenas de horas-extras e lágrimas. Uma verdadeira fortuna...

kindlefail.jpg Mas calma pois isso não é tudo (entonação a la Polishop). Cada livro comprado só poderá ser emprestado uma única vez e dentro de um período não superior a 14 dias. O que isso quer realmente dizer? Talvez, que o seu grupo de amigos pode ficar meio bruto que você privilegiará apenas um único escolhido com esta verdadeira honraria. Fora isso, sei não Seu Morpheus.

Agora espia essa e me diga se essa incrível estratégia não é a mesma coisa que levar uma dentada na virilha de uma banguela feia: você não vai saber muito facilmente qual livro poderá emprestar. Isso porque fica a critério dos detentores de direito autoral sobre a obra decidirem se esse pode, aquele não pode.

Nesse caso você diz aos seus amigos "Ah, sorry migoooo, a editora de onde eu comprei e paguei pelo livro não me deixa te emprestar. Faz o seguinte, leva o meu Kindle, depois você me devolve. Meu, não conta pra ninguém tá ca-ra?". Se fizer carinha de Emo, subtonar a voz, virar o pescocinho de lado e vestir uma jaqueta com não menos que cinco cores, você pode fácil arrancar o pranto aos cântaros e desidratar qualquer um.

Ao meu ver, o grande corolário da curiosa manobra atinge seu ápice na forma de um tapinha de leve com luva de... amianto e pregos: durante o período que o seu livro estiver emprestado (só para não deixar de registrar) você não poderá acessá-lo se quiser. Se você conseguiu emprestar um que seja, só o lê de novo quando lhe devolverem.

Frangamente, o pessoal levou mesmo ao pé da letra quando alguém disse que o Kindle era o novo papel. Não é genial? (not!) É quase tão inteligente quanto emprestar a mulher.

O que anda acontecendo com a cabeça das grandes marcas?

Parece que todo mundo anda tomando suco de xulé...

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